Melhora na percepção e boa rentabilidade elevam captação dos fundos

Indústria de fundos já registrou captação de R$ 8,7 bilhões em janeiro, com recuperação da confiança dos investidores

Publicidade

SÃO PAULO – A confiança de grande parte dos investidores nos fundos mútuos foi afetada ao final de maio do ano passado, quando o Banco Central estipulou que os ativos presentes nas carteiras dos fundos fossem contabilizados através da chamada marcação a mercado.

A intenção da autoridade monetária era beneficiar os cotistas, visto que a marcação na curva de juros do papel, permitida até aquela época, não refletia o real patrimônio dos fundos. Por sua vez, a marcação a mercado contabilizava os ativos de acordo com seus valores em cada momento e, desta forma, o cotista contaria com maior transparência da instituição gestora de seus recursos.

Decisão do BC precipitou onda de saques

No entanto, para adequarem-se à nova regra, alguns fundos de investimento considerados de baixo risco, como os de renda fixa e DI, acabaram registrando variações negativas em suas cotas, uma vez que seus patrimônios estavam superestimados.
Com isso, apesar da intenção favorável do BC, muitos investidores se assustaram e retiraram seus recursos e, desta forma, a captação da indústria de fundos de investimentos em 2002 foi negativa em mais de R$ 60 bilhões.

Alta rentabilidade e reversão das expectativas

Após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, houve uma reversão das expectativas mais pessimistas do mercado, frente ao discurso do novo governo comprometendo-se em não romper os contratos da dívida do país, além de manter as metas de inflação e de superávit primário.

Desta forma, muitos ativos que se encontravam bastante depreciados se recuperaram, dentre eles os títulos da dívida pública, presentes em grande parte dos fundos de investimentos, o que melhorou a rentabilidade dos fundos. Além disso, a elevação da Selic nos últimos meses, que saltou de 18% ao ano em outubro para 25,5% ao ano em janeiro, também colaborou para aumento do rendimento de tais investimentos.
Captação em janeiro chega a R$ 8,7 bilhões

Assim, segundo dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimentos), a captação líqüida dos fundos de investimento está positiva em R$ 8,785 bilhões até o último dia 23. Desta forma, este mês já pode ser considerado o terceiro melhor para a indústria de fundos em termos de captação, perdendo apenas para os R$ 15 bilhões captados em janeiro de 1997 e os R$ 9,9 bilhões que ingressaram nos fundos em janeiro de 2001.
Dentre as categorias, o destaque de captação ficou com os fundos de renda fixa, com saldo positivo de R$ 5,129 bilhões, enquanto os fundos DI também apresentaram boa captação, de R$ 3,124 bilhões. Em seguida ficaram os fundos mistos e os fundos de previdência, com captações positivas de, respectivamente, R$ 379,12 milhões e R$ 293,20 milhões.
Na direção contrária, os fundos cambiais registraram saídas líqüidas de R$ 166,98 milhões, com muitos investidores aproveitando a recente alta do dólar para realizar lucros, enquanto os fundos mútuos de privatização contabilizaram captação negativa de R$ 54,81 milhões. Finalmente os fundos de ações sofreram resgates de R$ 48 milhões no acumulado do mês.