Meirelles irá à Câmara explicar cobrança de tarifas bancárias

Há menos de um mês, pesquisa mostrou que receita de bancos com esse serviço cresceu oito vezes desde o Plano Real

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SÃO PAULO – Menos de um mês depois da pesquisa da Austing Ratings mostrar que a receita com tarifas bancárias cresceu quase oito vezes desde o Plano Real e dobrou no governo Lula, atingindo R$ 52,8 bilhões em dezembro do ano passado, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou que irá até à Câmara para prestar esclarecimentos sobre a cobrança do serviço.

O pedido sobre o debate partiu do deputado Fernando Coruja (PPS-SC). O encontro, ainda sem data definida, será realizado em audiência pública conjunta das comissões Mista de Orçamento; e de Finanças e Tributação.

Exagerando

Segundo o parlamentar, os bancos “estão exagerando” na cobrança de taxas. Coruja afirma que cobram desde o cheque emitido com valor inferior a R$ 20 ao atendimento do cliente no guichê do caixa.

“Basta que se chegue a uma sucursal bancária e se leia a lista de tarifas que nos são cobradas, para perceber as aberrações que existem”, disse à Agência Câmara, no entanto, sem fazer relação com a pesquisa da consultoria.

Peso maior

À época da publicação do estudo, a Austing afirmou que, quando estão sob análise bancos maiores, o peso das tarifas contribui com quase 20% das receitas totais. Vale ainda ressaltar que apenas dois terços do valor pago pelos consumidores já cobrem toda a despesa com pessoal.

Na avaliação do presidente da consultoria, Erivelto Rodrigues, o porcentual deve subir mais. “Ainda há espaço para os bancos cobrarem mais tarifas”, afirmou, lembrando que as instituições financeiras estimulam a realização de operações por meio da internet e outros canais eletrônicos – muitas das quais ainda não são cobradas.