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As ações da MBRF (MBRF3) têm nova sessão de disparada, com valorização ainda mais expressiva do que a registrada na véspera, quando subiram 6,45%. Nesta terça (28), os ativos MBRF3 saltaram 16,31%, a R$ 18,61, após anúncio de ampliação de parceria com Halal Products Development Company (HPDC), para expansão de joint venture, que dará origem à Sadia Halal, na manhã da véspera.
O acordo é o primeiro passo para um IPO da parceria no mercado acionário da Arábia Saudita após 2027.
A XP Investimentos destacou, em relatório, ver o anúncio como positivo, pois (i) permite à companhia acelerar crescimento em uma região estratégica; (ii) estimamos potencial criação de valor entre 4,4%-9,7%, em grande parte já precificada, dependendo da participação final da HPDC; e (iii) ajuda, embora não resolva totalmente, parte da preocupação do mercado com a alavancagem da MBRF.
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A BRF Arabia Holding era estruturada com 70% de participação da BRF e 30% da HPDC, com valor de empresa (EV) de US$ 240 milhões(sem dívida relevante), incluindo a aquisição de 26% da Adohha Poultry Company e investimentos em um projeto greenfield em Jeddah.
Após o acordo, a MBRF contribuirá com: (i) suas empresas de distribuição localizadas na Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã; (ii) suas plantas localizadas na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos; e (iii) seu negócio de exportação direta para clientes em toda a região MENA.
A avaliação é de um movimento estratégico, sendo relevante pois fortalece a presença da BRF na região MENA, que superou a Ásia em importações de frango e onde a BRF detém mais de 50% de market share. “A transação permite à companhia avançar no mandato de aumentar a participação de produtos processados no mix de receita, além de viabilizar crescimento mais rápido de outras categorias na região, como carne bovina”, aponta.
Por outro lado, apesar do potencial de criação de valor ser relevante, vê como já majoritariamente precificado. A entrada de caixa é bem-vinda, especialmente considerando que uma das principais preocupações do mercado é a alavancagem, dado que as margens da National Beef devem permanecer apertadas e as margens da BRF devem se normalizar.
O Bradesco BBI também vê a transação estrategicamente positiva, com potencial relevante de geração de valor e fortalecimento da presença da MBRF no mercado halal. O prêmio de valuation dos ativos transferidos é um dos principais destaques, além da perspectiva de desalavancagem e expansão regional.
Em um momento de preocupação dos investidores com a alavancagem e a normalização do ciclo de frango, a transação representa uma ferramenta relevante de desalavancagem e fortalecimento de capital, aponta o BTG Pactual.
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Mesmo com a forte alta recente das ações, XP, BBI e BTG têm recomendação neutra para os ativos MBRFS3. “Apesar de considerarmos o anúncio positivo, mantemos nossa recomendação neutra, pois acreditamos que o momentum está enfraquecendo e o valuation continua exigente”, avalia a XP. O BBI também vê as ações já caras em relação aos pares, enquanto observam sinais de desaceleração no ciclo de proteínas, que podem limitar o desempenho das ações no curto prazo.
O BTG também tem esta recomendação, mas vê o acordo como um movimento positivo para destravar valor e reforçar sua presença em uma das geografias mais promissoras para o segmento halal.
Por outro lado, o Goldman Sachs tem recomendação de compra para os ativos, enquanto o Morgan Stanley tem visão underweight (exposição abaixo da média dos ativos), vendo alta alavancagem e baixa relação risco-retorno.
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Segundo compilação feita pela Reuters com analistas de mercado, de nove casas que cobrem MBRF3, 3 possuem compra, 5 recomendam manutenção e 1 recomenda venda.
