Destaques da Bolsa

Marfrig salta 8%, Petrobras segue em disparada e elétricas caem

Entre os destaques, a Petrobras salta após anunciar que deve divulgar balanço não auditado dia 27 de janeiro; construtoras sobem com expectativas menores de elevação mais forte da Selic

SÃO PAULO – O Ibovespa tem pregão positivo nesta quinta-feira (15), puxado principalmente pelas ações da Petrobras, Vale e bancos. Enquanto a estatal do petróleo disparava mais de 7% após anunciar que divulgará seu balanço não auditado ainda este mês, a mineradora subia depois de despencar 8% ontem e em meio à leve recuperação do minério de ferro. Às 16h32 (horário de Brasília), o índice subia 1,06%, a 48.152 pontos. 

Chamava atenção, no momento, as ações da Marfrig (MRFG3), que depois de iniciarem a sessão em queda por conta da saída do presidente, viraram para alta no começo desta tarde. O movimento se intensificou próximo ao fechamento do pregão, quando os papéis passaram a subir 7,47%, a R$ 5,18. 

Além delas, as ações do setor imobiliário, que chegaram a aparecer entre as maiores altas do Ibovespa, amenizaram o movimento mas ainda operavam em alta em meio às menores expectativas de elevação mais forte da Selic. Diante de uma atividade que mostra ainda muitos sinais fraqueza e uma política fiscal mais crível, o mercado de juros foi precificado em aperto de juros menos intenso na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que ocorrerá na semana que vem, disse a Guide Investimentos. Destaque para as ações da Even (EVEN3, R$ 4,61, +1,32%), BR Malls (BRML3, R$ 16,35, +2,83%), Gafisa (GFSA3, R$ 1,97, +1,55%) e Cyrela (CYRE3, R$ 10,66, +1,43%). Vale lembrar que Cyrela foi penalizada na abertura deste pregão após números prévios fracos no quarto trimestre. 

Por outro lado, as ações das educacionais e setor elétrico caíam forte hoje. Destaque para as ações da Eletrobras (ELET3, R$ 5,63, -0,18%; ELET6, R$ 7,80, -3,46%), Cesp (CESP6, R$ 24,95, -3,48%) e CPFL Energia (CPFE3, R$ 18,27, -2,40%) e Kroton (KROT3, R$ 12,64, -1,79%), que lideravam as perdas do Ibovespa. 

Confira os principais destaques da Bolsa nesta quinta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 9,16, +7,65%; PETR4, R$ 9,33, +6,75%
As ações da Petrobras acentuam os ganhos nesta manhã depois de comunicado divulgado ontem à noite de que a empresa deve publicar seu balanço não auditado do terceiro trimestre dia 27 de janeiro. Apesar do movimento, os ADRs (American Depositary Receipts) da companhia operavam estáveis no pré-market das Bolsa dos Estados Unidos.  

Bancos
As ações dos bancos sobem hoje em dia de euforia no mercado. Destaque para as ações do Santander (SANB11, R$ 13,14, +3,96%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,95, +2,43%), Bradesco (BBDC3, R$ 35,38, +2,70%; BBDC4, R$ 36,14, +2,32%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,79, +2,75%). Os papéis ganham força já que também se beneficiam com o anúncio da Petrobras de que deve divulgar seu resultado não auditado no dia 27 de janeiro. O comunicado reduz o risco da companhia entrar em calote técnico e como os bancos têm bastante exposição à dívida a companhia, isso pode trazer um certo “alívio” ao mercado, comentou o analista Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos.   

Vale (VALE3, R$ 20,61, -0,43%; VALE5, R$ 18,30, -0,54%)
Depois de desabarem 8% na véspera, as ações da Vale seguem em queda nesta sessão. Hoje, o Barclays cortou a recomendação dos papéis da mineradora de equalweight (desempenho em linha com a média) para underweight (desempenho abaixo da média). Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 13,21, -0,90%), holding que detém participação na Vale.   

Cosan (CSAN3, R$ 5,13, +5,12%)
As ações da Cosan sobem forte pelo terceiro pregão seguido, em meio às expectativas de que o governo pode voltar com a Cide para gasolina e álcool, o que tornaria o etanol mais competitivo com maiores vendas e até aumento do preço de venda da Cosan para as distribuidoras, comentou o analista Flávio Conde. Na segunda-feira, o Goldman Sachs comentou que, após forte derrocada, as ações da companhia tinham aberto uma boa oportunidade de compra, reiterando recomendação de compra.

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Embraer (EMBR3, R$ 21,56, +0,75%)
As ações da Embraer sobem hoje em meio a um relatório do Credit Suisse que elevou a recomendação das ações da companhia de underperform (desempenho abaixo da média) para neutra. O preço-alvo foi elevado dos ADRs (American Depositary Receipts) da companhia foi elevado de US$ 29 para US$ 38. A revisão deve-se aos dados de entregas de aeronaves no quarto trimestre e enfraquecimento do real frente ao dólar, com a moeda americana devendo terminar o ano a R$ 2,80.  

Marfrig (MRFG3, R$ 4,89, +1,45%)
Passado o “susto” com a saída do presidente da Marfrig, Sérgio Rial, as ações da Marfrig viraram para alta nesta sessão depois de terem desabado mais de 7% ontem. Nesta manhã, a empresa anunciou que Rial deixará a presidência executiva após receber proposta para presidir o conselho de grande banco brasileiro. Especula-se que Rial vai comandar o Santander, conforme publicado na coluna do Lauro Jardim, da Veja. Para seu posto na Marfirg, assumirá Martin Secco Arias, que ocupará o cargo em 16 de fevereiro.  

Ambev (ABEV3, R$ 16,71, +0,24%) e JBS (JBSS3, R$ 10,54, +4,05%)
As ações da Ambev e JBS sobem hoje após o Goldman Sacks colocar as duas companhias como suas “top picks” na América Latina. Segundo os analistas, a fabricante de bebidas tem boa visibilidade para apresentar crescimento em sua receita líquida durante 2015, enquanto JBS é uma boa exposição ao câmbio, com 80% de seu lucro atrelado ao dólar, tendo baixa dependência com o consumo interno.  

Educacionais
As ações do setor de educação dão sequência ao forte movimento de queda iniciado no final do ano passado e registram desvalorização nesta sessão. Entre as maiores quedas do Ibovespa, aparecem as ações da Kroton (KROT3, R$ 12,67, -1,55%) e Estácio (ESTC3, R$ 17,35, -1,42%). Segundo operadores da XP Investimentos, o aluguel dos papéis da Kroton, Estácio e Ser Educacional (SEER3, R$ 17,71, -5,55%) têm sido fortemente demandados nos últimos dias. Usualmente, o investidor busca o aluguel de uma ação para vendê-la, posteriormente na Bolsa. 

Vale monitorar hoje a reunião que acontecerá entre o secretário-executivo do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa, e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para discutir a situação do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil). A reunião não contará com Cid Gomes. 

Multiplan (MULT3, R$ 50,31, +4,38%)
As vendas em shoppings da Multiplan no quarto trimestre foram de R$ 4,1 bilhões, alta de 11,3% na comparação anual, representando 31,8% do resultado no fechado do ano. Os ativos mais recentes da Multiplan – inaugurados desde 2012 – somaram às vendas do quarto trimestre R$ 509,2 milhões, uma contribuição 37,2% maior em relação a um ano antes. Segundo a XP Investimentos, os números da empresa foram positivos, mesmo em um cenário de desaceleração econômica. “Tanto a taxa de ocupação, quanto o crescimento nas vendas nas mesmas lojas demonstram forte crescimento da companhia”, disse. 

Cyrela (CYRE3, R$ 10,75, +2,28%)
A Cyrela teve queda nas vendas e lançamentos entre outubro e dezembro, um movimento observado desde o segundo trimestre que culminou em um recuo anual dos indicadores no fechado de 2014. Os lançamentos no quarto trimestre foram de R$ 2,26 bilhões, queda de 16,1% na comparação anual. Segundo a XP Investimentos, a prévia da companhia demonstra dificuldade do setor de construção. Mesmo com o menor número de lançamentos, as vendas apresentam uma queda acentuada, impactando negativamente o VSO (indicador que mensura a velocidade de vendas), disse.

Linx (LINX3, R$ 51,10, +1,11%)
As ações da Linx sobem hoje após relatório do Banco Fator Corretora elevar recomendação dos papéis para equalweight (desempenho em linha com a média), com preço-alvo de R$ 49. Do fechamento do dia 9 de janeiro até agora, as ações da companhia já subiram 6%. 

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Senior Solution (SNSL3, R$ 9,87, +6,13%)
As ações da Senior Solution sobem forte pelo terceiro pregão seguido. Ontem, um operador do mercado disse que não havia nenhuma notícia oficial, mas que o movimento poderia ter relação com uma possível aquisição, que está nos planos da companhia. Nos últimos três dias, os papéis já subiram 22% até a máxima atingida neste pregão.  

Brasil Pharma (BPHA3, R$ 1,47, -4,55%)
As ações da Brasil Pharma seguem em derrocada na Bolsa, registrando nesta sessão sua décima queda seguida – o que significa que o papel caiu em todos os pregões de janeiro. No período, a desvalorização chega a 43%, renovando sua mínima histórica.