Reação aos balanços

Marfrig (MRFG3) tem resultados fortes, com destaque para América do Norte; ação fecha em alta após sessão volátil

Por outro lado, alavancagem aumentou, uma vez que os investimentos da BRF passaram a ser contabilizados como investimentos de longo prazo

Por  Lara Rizério, Augusto Diniz -

O resultado da Marfrig (MRFG3), divulgado na noite da última terça-feira (8), foi bem visto pelos analistas, mesmo com os dados de lucro em baixa no quarto trimestre de 2021. O lucro das operações continuadas teve queda de  44,5% em relação ao mesmo período de 2020, muito por conta da marcação a mercado, com efeito negativo de R$ 1,176 bilhão do investimento nas ações da BRF (BRFS3).

As ações abriram em leve queda nesta quarta após o balanço, com baixa de 1,19%, a R$ 21,60, às 10h08 (horário de Brasília). Os ativos chegaram a virar para ganhos nos primeiros negócios do pregão: às 10h10 os ganhos eram de 2,01%, a R$ 22,30. Porém, ainda na primeira hora do pregão, os papéis já viraram para baixo, em uma sessão marcada por volatilidade. Contudo, com o maior ânimo do mercado na reta final, as ações também fecharam com ganhos, de 2,93%, a R$ 22,50.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado de R$ 4,181 milhões foi 16% acima do consenso e 21% acima das estimativas do Bradesco BBI.

“Isso pode ser explicado pelo forte desempenho da divisão América do Norte, onde o Ebitda ficou 13% acima das estimativas (…) Por outro lado, a empresa reportou capex (investimento) para o trimestre em R$ 922 milhões versus estimativa de R$ 505 milhões, o que explica a geração de fluxo de caixa livre ser menor do que esperado em R$ 104 milhões versus projetado de R$ 555 milhões”, destaca o banco.

Os resultados acima do esperado podem ser explicados, segundo o BBI, por: I) receita 5% superior ao esperado, com preços 13% acima do esperado para a América do Sul, e volumes da divisão América do Norte 3% acima do estimado pelo BBI; II) margens melhores do que o esperado para a divisão América do Norte, 1,65 ponto acima do estimado pelo BBI, compensando a rentabilidade 0,50 ponto abaixo do esperado da operação América do Sul, que foi pressionada por maiores custos de matérias-primas e menor volume de vendas (especialmente nas exportações, em função do embargo chinês à carne bovina brasileira no trimestre); e III) cerca de 60% de despesas corporativas abaixo do esperado, o que explica o SG&A (despesas gerais, com vendas & administrativas) como porcentagem da receita abaixo da estimativa.

Após os resultados, contudo, os analistas do BBI mantiveram a recomendação neutra para a ação e o preço-alvo de R$ 23,00 (potencial de valorização de 5% em relação ao fechamento da véspera), dada a visão mais cautelosa sobre as margens de carne bovina dos EUA e vendo a negociação das ações em linha com a média histórica.

O Itaú BBA também comentou que divisão América do Norte foi a grande responsável pela surpresa positiva, com ganho de margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) de 9,1 ponto percentual na base anual, atingindo um recorde histórico para um quarto trimestre de 22,3%.

Por outro lado, a alavancagem aumentou, uma vez que os investimentos da BRF passaram a ser contabilizados como investimentos de longo prazo durante o trimestre.

O banco mantém avaliação outperform (desempenho acima da média do mercado) para a ação, com preço-alvo de R$ 26,00, um potencial de valorização de 18,9%.

O Credit Suisse também tem recomendação equivalente à compra e preço-alvo de R$ 26 para o ativo, destacando que esperava reação positiva do mercado aos resultados.

O banco suíço avaliou que a Marfrig divulgou outro forte conjunto de números, com receita e Ebitda crescendo apesar da base de comparação difícil, uma vez que a National Beef apresentou bons resultados no 4º trimestre do ano passado (13,1% de margem Ebitda), enquanto a América do Sul também foi saudável em 8,6%.

No futuro, Credit Suisse enxerga um declínio gradual na disponibilidade de gado, o que pressiona para cima os preços do boi gordo. No entanto, acredita que os preços da carne bovina devem permanecer muito saudáveis, uma vez que a forte demanda não diminuiu apesar dos preços mais altos.

A XP diz que a Marfrig entregou mais um trimestre forte, mas a sensação de estar olhando para uma empresa apenas americana permanece, com mais de 95% de seu Ebitda ajustado proveniente da operação nos EUA.

O Ebitda ajustado ficou 17% acima da projeção da corretora, praticamente dobrando em relação ao mesmo período do ano passado (+98%). O lucro líquido foi uma surpresa negativa, mas o principal motivo foi a marcação a mercado das ações da BRF, enquanto a empresa anunciou um aumento nos dividendos a serem pagos em abril, totalizando agora R$ 2,172 bilhões (rendimento de 14,2%).

Analistas da XP enxergam as margens acomodando-se nos EUA e, embora não esteja claro quando a América do Sul melhorará, continuam otimistas com a capacidade da empresa de navegar em águas tão turbulentas. Com isso, mantém sua recomendação de compra com preço-alvo de R$ 34,80 (ou potencial de alta de 59%).

Cenário interno desafiador e China com aumento de consumo

O movimento do atacado no país, demanda em alta nos Estados Unidos e os chineses voltando a comprar mais carne foram os destaques apontados pela companhia a analistas de mercado durante teleconferência de apresentação dos resultados do 4T21 e de 2021.

A companhia avalia que o ano de 2022 iniciou de forma positiva. Segundo Miguel Gularte, CEO da Operação da América do Sul da Marfrig, vivencia-se nesse primeiro trimestre oferta de gado superior ao mesmo período de 2021, com preço da arroba estável e “bastante razoável”.

O executivo também analisou o mercado interno: “O cenário é mais desafiador, no que diz respeito ao atacado, mas o food service está indo muito bem”. O referido “cenário desafiador” é um consenso na indústria em geral devido à alta dos custos.

A empresa, segundo Miguel Gularte, aposta na nova fábrica de hambúrguer de Bataguassu (MS) para atender o consumo cada vez maior dessa linha de produtos, por meio do food service.

O executivo esclareceu que houve aumento de demanda, no início da pandemia, ao produto e ela continuou, caracterizando mudança no comportamento do consumidor. A planta de Bataguassu está prevista de entrar em operação ainda no primeiro semestre desse ano.

O CEO da operação da Marfrig na América do Sul explicou ainda a analistas que nesse início de 2022 vê “uma situação diferente com relação ao nosso principalmente demandante de carne para exportação, que é a China”.

Segundo o executivo, “a China normalmente fazia suas compras no mês de outubro e praticamente recebia essa carne em fevereiro, no ano novo chinês, e voltava a comprar em março. Quando voltava a comprar em março, comprava abaixo dos preços que tinham encerado o ano”, explicou.

“Esse ano, a China voltou a comprar antes. Passou a comprar em todo em janeiro, fevereiro, março, a preços acima do que tinham encerrado o ano (anterior)”.

Segundo o executivo, isso dá uma boa perspectiva, por que além de arbitrar o preço para outros mercados, a China apresenta demanda de mais volumes a preços “interessantes”.

EUA segue com bons resultados

Se os bons resultados apresentados pela Marfrig no 4T21 se explicam pelo forte desempenho da divisão América do Norte, pode se esperar a continuidade desse cenário nesse início de 2022.

De acordo com o CEO da América do Norte da empresa, Tim Klein, as perspectivas desse começo de ano seguem otimistas. “Embora o preço do gado tenha subido, o valor da carne bovina e subprodutos aumentaram mais ainda, levando às margens maiores”, avaliou o resultado no final do ano passado.

Capex menor em 2022 em relação a 2021

Na apresentação, a Marfrig informou ainda que o capex desse ano será menor do que em 2021, quando a empresa investiu R$ 2,3 bilhões ao longo do ano.

Ente os principais projetos da empresa em andamento, dentro de plano de crescimento orgânico, estão a construção de novas instalações na unidade de Liberal, no Kansas, e na expansão de capacidade na unidade de Iowa, ambas da operação da América do Norte da Marfrig.

Na operação da América do Sul da empresa, os investimentos recaem sobre a fábrica de hambúrguer de Bataguassu (MS), expansão da Planta de Tacuarembó no Uruguai e expansão da planta de San Jorge na Argentina.

Em teleconferência de apresentação a analistas de mercado sobre os resultados, a Marfrig (MRFG3) disse que o capex desse ano será menor do que em 2021, quando a empresa investiu R$ 2,3 bilhões ao longo do ano.

Ente os principais projetos da empresa em andamento, dentro de plano de crescimento orgânico, estão a construção de novas instalações na unidade de Liberal, no Kansas, e na expansão de capacidade na unidade de Iowa, na operação da América do Norte. Na operação da América do Sul, os investimentos recaem sobre a fábrica de hambúrguer de Bataguassu (MS), expansão da Planta de Tacuarembó no Uruguai e expansão da planta de San Jorge na Argentina.

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