Destaques da Bolsa

Marfrig dispara 10% com venda e Vale cai 3% após banco prever minério abaixo de US$ 50

Confira abaixo os principais destaques do pregão desta segunda-feira na Bovespa

SÃO PAULO – O Ibovespa voltou ao terreno positivo nesta segunda-feira após oscilar para queda nesta nesta manhã, puxado principalmente pelas ações dos bancos, que voltaram a subir forte, além de Petrobras e Ambev, que mostraram ligeiros ganhos. Do lado positivo, no entanto, o destaque foi uma ação com menos peso no índice. Os papéis da Marfrig dispararam quase 10% nesta sessão após anúncio sobre venda da sua unidade Moy Park. 

Já do outro lado, as ações das exportadoras caíram forte em meio à queda do dólar. Vale e siderúrgicas recuaram também depois de relatório do Goldman Sachs que trouxe uma visão bem negativa para os preços do minério de ferro. 

Confira abaixo os principais destaques da Bovespa nesta sessão:

Marfrig (MRFG3, R$ 5,30, +9,73%)
As ações da Marfrig dispararam nesta sessão após a companhia confirmar neste domingo, 21, a vendeu da unidade Moy Park para a JBS (JBSS3, R$ 16,65, +1,15%), por aproximadamente US$ 1,5 bilhão. Essa foi a oitava alta consecutiva do papel em dez pregões, sendo que nos dois únicos que não subiu fechou estável. No período, a ação acumulou ganho de 40,56%. Com a alta, as ações atingeram o maior patamar desde janeiro deste ano. Além da variação, chamou atenção o volume financeiro movimentado com o papel, que bateu R$ 66,4 milhões, contra média diária de R$ 16 milhões nos últimos 21 pregões. Esse é o maior giro financeiro da ação desde agosto de 2013.   

Nesta tarde, a agência de classificação de risco Fitch disse que a venda de sua subsidiária é positiva para a Marfrig, citando que acelera o processo de redução do endividamento que já estava previsto com um IPO (Initial Public Offering) da Moy Park. Já para a JBS a notícia foi avaliada como neutra.

Vale mencionar que, além da venda da Moy Park, traz impacto positivo para a empresa a fala do diretor-presidente da Marfrig. Martin Secco Arias disse, hoje a jornalistas, que os Estados Unidos já liberaram uma cota de carne bovina que poderá ser exportada pelo Brasil sem tarifas. O anúncio do oficial comércio inédito de carne bovina “in natura” do Brasil para os EUA deverá ser feito durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Washington no fim deste mês. Secco não quis detalhar as informações.

Sobre a venda, o BES disse que a operação é positiva para a Marfrig, pois reduz a alavancagem da empresa mas, ao mesmo tempo, reduz o seu escopo em relação ao mercado internacional. O Bradesco BBI também comenta que a operação traz impacto positivo para a Marfrig, mas é neutro para a JBS.

Já o Bank of America Merrill Lynch elevou a recomendação da Marfrig de underperform (desempenho abaixo da média) para compra, com novo preço-alvo de R$ 7,00 por ação. Mesmo com a alta de hoje, “vemos que o rali deve continuar já que o desinvestimento planejado deve permitir que a empresa reduza o custo da sua dívida”, comentaram os analistas Fernando Ferreira, Isabella Simonato e João Almeida, do BofA. 

A Marfrig diz que o acordo lhe proporciona maior foco para buscar as oportunidades de crescimento definidas em seu plano estratégico, como a expansão da área de “food service” da Keystone na Ásia e nos EUA; a exportação de carne bovina a partir do Brasil para a Ásia e os EUA; e o fortalecimento de capital e aumento de geração de caixa livre. A companhia diz que a transação vai reduzir de forma significativa seus níveis de alavancagem financeira e as despesas de juros relacionadas.

Petrobras (PETR3, R$ 14,55, +0,28%; PETR4, R$ 13,20, +0,23%)
Após o “baque” com a Operação Lava Jato na última sexta-feira, que fizeram os papéis caírem 2%, a Petrobras teve alta hoje animada pela perspectiva da divulgação do plano de negócios ainda este mês, mas diminui os ganhos em relação à alta de mais de 1% da abertura.

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Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a diretoria da Petrobras correu contra o tempo e conseguiu concluir o plano de negócios para o período de 2015 a 2019 para apresentá-lo na reunião do conselho de administração do dia 26. Aldemir Bendine, presidente da estatal, havia prometido a divulgação neste mês.

Mas, nos últimos dias, o mercado já considerava a possibilidade de que o encontro do conselho fosse adiado ou, se mantido, que o plano de negócios não chegasse a ser analisado. A confirmação veio apenas ontem, quando os conselheiros receberam a pauta da reunião, com informações prévias do que será debatido na sexta-feira.

A pauta da reunião prevê que os conselheiros irão analisar o orçamento para este e os próximos quatro anos, além do programa de venda de ativos e a nova estrutura da empresa, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado. O orçamento e o programa de desinvestimento estão incluídos em uma única pauta: o plano de negócios, que deve ser divulgado logo após a aprovação pelo conselho.

E, de acordo com a Folha de S. Paulo, a Petrobras irá propor a reestrututação de alto escalão, a ser submetida ao conselho de admnistração na próxima sexta-feira. Uma das sugestões será a criação de seis vice-presidências, posicionadas entre o presidente da estatal e os diretores. 

Braskem (BRKM5, R$ 12,46, +0,40%)
Após caírem 10,40% na Bovespa na sexta-feira, em meio à deflagração da Operação Lava Jato com a prisão do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, as ações da Braskem leve alta hoje. A Odebrecht é a maior acionista da Braskem, com participação total de 34,32% na companhia.

De acordo com o juiz Sérgio Moro, o delator Paulo Roberto Costa afirmou que a propina Odebrecht foi de contrato da Braskem. A petroquímica disse em comunicado ao mercado que está à disposição de autoridades para colaborar com investigações.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale e siderúrgicas caíram em meio a um relatório do Goldman Sachs. Analistas apontam que o preço do minério de ferro deve voltar a preços abaixo de US$ 50 a tonelada conforme as produção da Austrália e Brasil aumentem. “O cenário para commodities e as produtoras segue negativo”, disse Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, à Bloomberg.  

Na sessão, Vale (VALE3, R$ 19,69, -3,10%; VALE5, R$ 16,91, -2,87%), Usiminas (USIM5, R$ 4,58, -1,51%) e Gerdau (GGBR4, R$ 8,00, -1,23%) e CSN (CSNA3, R$ 5,67, -0,87%) registraram queda hoje. O gestor da Elite Corretora, Herz Ferman, comentou que o cenário complicado para as siderúrgicas em meio à queda da atividade econômica e crise no setor contribui para o cenário de queda dos ativos.

Bancos
Os bancos tentam se recuperar da queda da última sexta-feira, após a queda na véspera com a Operação Lava Jato chegando às principais construtoras do País. Os bancos brasileiros vão precisar elevar provisões para possíveis perdas em empréstimos ao grupo Odebrecht após a prisão preventiva do presidente da companhia na sexta-feira passada, segundo pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Bloomberg. 

Nesta sessão, todos os grandes bancos operam em alta: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,49, +0,29%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,69, +1,43%; BBDC4, R$ 28,50, +1,06%), Santander (SANB11, R$ 16,51, +1,10%) e o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,56, +1,90%), que registra a maior alta do setor. O banco estatal apresentou plano de aposentadoria incentivada e quer até 7.100 adesões.

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Ambev (ABEV3, R$ 18,97, +0,37%)
A Ambev está em negociações para comprar a Colorado, microcervejaria de Riberão Preto fundada em 1995, segundo a coluna Radar, da Veja. Essa seria a segunda compra de produtora de cervejas artesanais que a maior cervejaria do mundo irá comprar no Brasil desde fevereiro, quando comprou a mineira Wälls. 

Embora tenha sido veiculado hoje pela coluna radar, burburinhos sobre a compra da Colorado já vinha sendo aventado pelo mercado há alguns dias. O jornal A Cidade, de Riberão Preto, comunicou, em 12 de junho, que a cervejaria Colorado iria anunciar, em breve, a parceria. Para a coluna, Marcelo Carneiro, dona da empresa, não descartou a negociação, mas afirmou que está “namorando” com outros investidores, não só do ramo cervejeiro.

Exportadoras
Em meio à queda do dólar, de cerca de 0,90%, a R$ 3,07, as exportadoras, que possuem receita atrelada à moeda estrangeira, registram queda. Klabin (KLBN11, R$ 18,54, -1,12%), Fibria (FIBR3, R$ 42,03,-1,87%) caíram, enquanto Suzano (SUZB5, R$ 16,22, -0,37%), também do setor de papel e celulose, conseguiu zerar as perdas. A fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 24,00, -1,60%) também caiu hoje.  

Cemig (CMIG4, R$ 13,60, +3,98%)
As ações da Cemig registraram sua terceira alta nas últimas quatro sessões. O STJ (Supremo Tribunal de Justiça) adiou para a próxima quarta-feira o julgamento do processo da estatal mineira sobre a hidrelétrica Jaguara. A companhia tem um mandado de segurança que permite que a usina continue sob sua concessão até que o mérito do caso seja julgado. Até agora, são quatro votos contra o pedido da Cemig e dois a favor. Faltam os votos da Assusete Magalhães, que havia pedido vista na última sessão em que o caso estava pautado, em dezembro, e do ministro Sérgio Kukina. Se os dois votarem a favor da Cemig, o presidente do STJ, Humberto Martins, terá de votar para desempatar o placar. 

Sabesp (SBSP3, R$ 16,35, +1,81%)
A Sabesp teve uma das maiores altas da Bolsa em um dia de noticiário movimentado para a companhia.

A empresa de saneamento  informou que o valor concedido a título de bônus de incentivo à redução de consumo de água foi de R$ 74,3 milhões em maio, queda de 4% sobre os R$ 77,5 milhões em bônus distribuídos em abril. Os valores obtidos por meio de tarifa de contingência para quem aumentou o consumo de água no período foram de R$ 38,6 milhões, num recuo de 13% sobre os R$ 44,6 milhões arrecadados no quarto mês do ano.

a Sabesp informou ainda que suspenderá as obras de tratamento e coleta de esgoto por 120 dias, informando que “remaneja seu orçamento para dar prioridade às obras que garantam a segurança hídrica da região metropolitana”. 

T4F (SHOW3, R$ 3,87, +5,16%)
As ações da Time for Fun, após três sessões de alta, voltam a registrar ganhos nesta sessão. A companhia informou que assinou contrato com a Insomniac para promover festival de música eletrônica Electric Daisy Carnival no Brasil por 5 anos, renováveis por mais 5. A primeira edição do festival será em 4 e 5 de dezembro no Autódromo de Interlagos, em SP

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Raia Drogasil (RADL3, R$ 38,88, +3,57%)
Em relatório divulgado hoje, a Brasil Plural Corretora reiterou sua visão de que as drogarias devem continuam a se destacar como segmento resiliente no mercado, mesmo com cenário desafiador. Ainda que em crise, a demanda por remédios não diminui e os dados de maio confirmam a visão da corretora de que a Raia Drogasil terá outro forte trimestre, com uma linha dinâmica e expansiva. As ações da empresa subiram 109,93% nos últimos doze meses.

A ProFarma (PFRM3, R$ 8,19, +1,24%) – do mesmo setor – também fechou em alta, enquanto a Brasil Pharma (BPHA3, R$ 0,86, -1,15%) caiu nesta sessão. 

Marcopolo (POMO4, R$ 2,58, 0,0%)
Uma fonte ligada à companhia afirmou ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que a companhia demitiu 250 trabalhadores na semana passada na fábrica de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, para ajustar o quadro de funcionários ao atual tamanho do mercado. A informação já havia sido divulgada pelos sindicatos da região. Oficialmente, a empresa ainda não se manifestou sobre os desligamentos. 

Nos últimos meses, a fabricante de carrocerias de ônibus recorreu a férias coletivas e flexibilização de jornada para evitar demissões. De acordo com a fonte, a queda de mercado sentida pela Marcopolo é de mais de 25%.

Na Bolsa, as ações da companhia acumulam queda de quase 20% desde a metade de maio. 

Lupatech (LUPA3, R$ 8,39, -7,70%)
As ações da Lupatech têm um novo dia de baixa, a segunda queda em três dias após o grupamento de ações de 500 para 1 na quinta-feira passada, quando passou de R$ 0,03 para R$ 25. No mesmo pregão, os papéis da companhia fecharam cotados abaixo de R$ 10,00, com queda de 40%.