Destaques da Bolsa

Mais uma ação dispara com short squeeze, Gol afunda com piora na economia e Vale cai

Mineradoras e siderúrgicas voltaram a cair nesta sessão em meio à pior expectativa para o preço do minério de ferro neste ano

SÃO PAULO – A terça-feira (24) foi de perdas para a Bolsa, com o Ibovespa fechando com queda de 0,78%, a 51.506 pontos. No radar dos investidores esteve as declarações de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, que não deixou claro se o BC irá ou não renovar o programa atual de swaps. Para o mercado, a ausência de frases mais específicas de Tombini sinalizou que a autarquia não renovará o programa. Após chegar a subir nesta terça, o dólar fechou com leve queda, a R$ 3,128.

As siderúrgicas e mineradoras voltaram a ser penalizadas por uma expectativa pior sobre o preço do minério de ferro este ano. Ainda estiveram nos holofotes do investidor nesta terça as ações da estatal Petrobras, que teve sessão instável, apesar da Standard & Poor’s ter mantido seu rating na véspera, assim como fez com o Brasil.

Fora do Ibovespa o mercado acompanhou as ações da Saraiva, que já chegam a ganhos de 36% após anunciar que fará um estudo de reestruturação da unidade de negócios varejo, que será conduzido por um time de consultores, liderados por Enéas Pestana. 

Confira abaixo os principais destaques desta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 9,24, +0,22%; PETR4, R$ 9,39, +0,43%) 
Assim como fez com a nota de crédito do Brasil, a agência de risco Standard & Poor’s manteve o rating da Petrobras em ‘BBB-‘. Em compensação, a agência cortou a perspectiva das notas de crédito da estatal de estável para negativa. A mudança na perspectiva da nota reflete a dificuldade da Petrobras de financiar seu plano de negócios e de acelerar o crescimento da produção, que ajudaria a reduzir o endividamento. A decisão teve uma leitura positiva dos analistas, embora tenham ressaltado ver impacto limitado no mercado. A expectativa agora recai sobre a Fitch, que esteve a semana passada no Brasil. 

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 19,58, -3,93%; VALE5, R$ 16,90, -2,42%) e siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 10,89, -1,54%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 11,70, -3,70%), CSN (CSNA3, R$ 5,84, -1,35%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,85, -3,00%) recuaram nesta terça com menores projeções do preço do minério de ferro. O Morgan Stanley cortou a previsão para a commodity em 28%, citando perda de força da economia chinesa. O Itaú BBA ressaltou panorama negativo para aço e minério de ferro após conference call com a World Steel Dynamics (WSD). Ontem, o Citi reiterou um visão bearish (baixista) para o minério de ferro, com expectativa de que os preços caíam para baixo de US$ 50 a tonelada.  

Sobre as empresas do setor de papel e celulose, o Bank of America Merrill Lynch reiterou hoje recomendação de compra para Fibria (FIBR3), Suzano (SUZB5) e Klabin (KLBN3).

Elétricas
Depois de forte alta hoje, as ações do setor elétrico fecharam com ganhos mais amenos em meio ao menor risco de racionamento. A expectativa otimista, segundo relatórios do BTG Pactual, JPMorgan e Bank of America Merrill Lynch, deve-se à melhora do regime de chuvas e queda do consumo devido às elevadas tarifas. Na Bolsa, destaque para as ações da Eletrobras (ELET3, R$ 5,93, +3,49%; ELET6, R$ 7,76, +0,78%), CPFL Energia (CPFE3, R$ 19,49, +0,31%), Light (LIGT3, R$ 14,52, +0,07%) e Cemig (CMIG4, R$ 13,10, +0,77%). 

Sabesp (SBSP3, R$ 18,78, -3,20%)
Depois de fortes ganhos desde o final de janeiro, em meio ao aumento do volume de chuvas e, consequentemente, o nível dos reservatórios, as ações da Sabesp fecharam entre as quedas do Ibovespa. Do período destacado até a véspera, os papéis da companhia subiram 46%. Perto do fim do mês, o sistema Cantareira já recebeu mais do que a média de volume de chuvas da média histórica de março, chegando a 17,6% da sua capacidade na segunda-feira, contra 17,1% na leitura anterior pela metodologia antiga. Pela nova metodologia, o nível está em 13,6%. 

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PDG Realty (PDGR3, R$ 0,49, +4,26%)
Depois da disparada de 17,5% ontem, quando operadores de mercado atribuíram a alta a um movimento de “short squeeze”, as ações da PDG Realty ameaçaram um dia de queda mas voltaram a subir, fechando como o principal ganho da carteira teórica da Bolsa.

BR Properties (BRPR3, R$ 13,12, +3,72%)
Conforme antecipado nesta manhã pelo InfoMoney, as ações da BR Properties fecharam com alta por conta de um “short squeeze”, atribuiu Guilherme Belloni, da mesa de BTC da XP Investimentos. Segundo ele, o papel estava escasso no mercado de aluguel enquanto a demanda seguia fortemente aquecida. Nos últimos dias surgiram rumores de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) das ações da companhia e isso pode ter acionado uma recompra dos papéis no mercado na véspera, mas ainda assim muitos investidores estavam procurando pelo empréstimo dos papéis. “Está difícil achar doadores, os vendidos estão pressionados”, disse. Somente este mês, as ações da BR Properties subiram 14%. 

Gol (GOLL4, R$ 8,85, -4,32%)
As ações da Gol fecharam com fortes quedas nesta terça em meio à perspectiva cautelosa das empresas áreas brasileiras. Em evento, a Gol afirmou que pode rever para baixo a atual projeção de oferta no mercado doméstico e Azul cancelando voos extras aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que o dólar mais alto eleva os custos das companhias aéreas, o setor ainda não se beneficiou como esperado do impacto da queda do preço do petróleo no querosene de aviação.

Ontem, as ações da empresa subiram após acionistas aprovarem a mudança no estatuto da empresa. Os acionistas aprovaram, em assembleia realizada ontem, a mudança na estrutura de capital e aprimoramento na governança corporativa da empresa. Um total de 81,7% dos acionistas participou da votação, e destes 99,7% aprovaram a proposta do conselho de administração da companhia. Somente entre os minoritários, a aprovação foi de 99%. A proposta apresentada pela Gol é criar uma “super preferencial” com dividendos 35 vezes maiores do que as ordinárias. As ações ONs serão elevadas na mesma proporção. 

Educacionais
As ações das educacionais fecharam entre a estabilidade e a perdas nesta terça, em meio à notícia de que o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que o governo revisará “contrato por contrato” os benefícios do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para evitar reajustes abusivos nas mensalidades dos cursos bancados pelo programa.

De acordo com o ministro, as instituições devem respeitar o limite de reajuste de até 6,4% que equivale à inflação medida pelo IPCA, em 2014. A regra foi instituída este ano e criou embates com as instituições de ensino. Destaque para as ações de Kroton (KROT3, R$ 10,86, +0,18%), Estácio (ESTC3, R$ 18,06, -0,44%), Anima (ANIM3, R$ 160,05, -1,23%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 11,50, -1,71%).

Brasil Pharma (BPHA3, R$ 0,76, -6,17%)
Em resposta às especulações sobre troca de comando, a Brasil Pharma confirmou na véspera, por meio de comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que existem movimentações nesse sentido, mas que não houve, até o momento, formalização sobre tais assuntos. Uma reportagem do Valor de ontem apontava que a empresa iria contratar a consultoria do ex-presidente do Pão de Açúcar, Enéas Pestana, para trabalhar no processo de reestruturação da companhia, assim como deveria anunciar a saída de seu presidente José Ricardo da Silva. Sobre a contratação da consultoria, a Brasil Pharma não se pronunciou. 

TIM (TIMP3, R$ 11,31, -0,53%)
A TIM teve sua recomendação rebaixada de overweight (exposição acima da média) para manutenção pelo HSBC.  

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BM&FBovespa (BVMF3, R$ 10,94, -2,67%)
Depois da semana passada bem positiva na Bolsa (+18,45%), quando figurou como a maior alta do Ibovespa no período, as ações da BM&FBovespa fecharam em seu segundo pregão seguido de perdas. O movimento positivo do papel foi acentuado após romper uma importante região gráfica dos R$ 10, destravando posições compradas, ressaltaram analistas na semana passada. 

Copel (CPLE6, R$ 34,06, -1,70%)
A Copel planeja ampliar a termelétrica a gás de Araucária em 200 megawatts e está em vias de fechar um acordo de fornecimento de gás de longo prazo com a distribuidora Compagas, afirmaram executivos da companhia paranaense de energia, na segunda-feira. A empresa, que encerrou 2014 com alta de 21,3% no lucro líquido, “não tem nenhuma dúvida” que vai conseguir obter a renovação de sua concessão de distribuição de eletricidade. 

Abril Educação (ABRE3, R$ 12,18, +0,66%)
A Abril Educação encerrou o quarto trimestre com receita líquida de R$ 511,3 milhões, crescimento de 9% em relação ao mesmo período de 2013, acumulando R$ 1,27 bilhão em 12 meses. O lucro líquido ficou em R$ 56,2 milhões, contra R$ 63,3 milhões no mesmo período de 2013. Segundo o Itaú BBA, o resultado veio em linha, com grandes avanços em estratégia de sistema de aprendizagem.  

Saraiva (SLED4, R$ 5,88, +6,91%)
As ações da Saraiva fecharam em alta pelo terceiro pregão seguido depois que a empresa anunciou que fará um estudo de reestruturação da unidade de negócios varejo, que será conduzido por um time de consultores, liderados por Enéas Pestana, em conjunto com executivos da Saraiva. No período, a alta é de 36%. Além disso, a empresa reportou na última quinta-feira lucro líquido de R$ 22,9 milhões no quarto trimestre de 2014, alta de 91% sobre o mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2014, o lucro líquido somou R$ 5,754 milhões, recuo de 56% na comparação com 2013.