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Magazine Luiza (MGLU3) deve apresentar mais um prejuízo, com pressão negativa de eletrônicos e macro desafiador

Mesmo focando em rentabilidade, a varejista deve sofrer com a menor demanda por produtos de “ticket” mais alto, com inflação e juros galopantes

Por  Mitchel Diniz

Após o pregão desta segunda-feira (16), o Magazine Luiza (MGLU3) divulgará os resultados do primeiro trimestre de 2021 e as casas que acompanham o papel preveem mais um prejuízo para a varejista. A trajetória de queda de uma das queridinhas da Bolsa reflete a diminuição do poder de compra da população, com inflação e juros de dois dígitos. Exatamente um ano atrás, MGLU3 era negociada na casa dos R$ 18. Hoje, se mantém com dificuldades no patamar de R$ 4.

Para o Credit Suisse, o resultado da companhia deve seguir penalizado por categorias centrais, com um trimestre de transição “aparentemente difícil”. Primeiro porque Magazine Luiza começou o ano com um estoque R$ 1 bilhão acima do normal e isso se soma a um ambiente ainda bastante desafiador para venda de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, culminando em uma dinâmica “sem brilho” para a empresa, de baixa rentabilidade.

O banco suíço destaca que, por outro lado, as lojas físicas da Magalu começaram a apresentar sinais de melhora, principalmente na segunda metade do trimestre. Logo, é esperado um crescimento de 3% no indicador “vendas mesmas lojas” (SSS, na sigla em inglês). Já as vendas no comércio on-line foram desafiadas por uma base de comparação mais forte (março de 2021) e o foco da empresa em aumento de rentabilidade.

O Morgan Stanley destaca que as vendas nominais de eletrônicos, móveis e eletrodomésticos no Brasil sofreram uma queda de 0,2% nos dois primeiros meses deste ano. Ainda que Magazine Luiza, assim como Via (VIIA3) e Americanas (AMER3) venham ampliando suas categorias de produtos, os eletroeletrônicos ainda têm papel-chave para o negócio.  Nesse sentido, o cenário é mais favorável à Americanas, que tem menor exposição à categoria. Para Magazine Luiza, o Morgan Stanley esperar por uma contração de 2% nas vendas das lojas.

O Credit prevê um crescimento de volume bruta de vendas (GMV) da ordem de 5% do próprio estoque (1P), incluindo a incorporação da Kabum!, e de 45% do market place (3P). A expectativa para margem Ebitda é um crescimento para 4,3%, “o que ainda é um nível baixo para Magalu”. A última linha do balanço deve permanecer negativa, prejudicada pelo desempenho financeiro da companhia.

“A notícia positiva sobre as margens é que esperamos ver uma melhora gradual a partir do 2T22, uma vez que o foco da companhia mudou para lucratividade, em detrimento do crescimento”, dia a análise do Credit. O banco também prevê receita líquida da ordem de R$ 9 bilhões, crescimento de 9,4%, lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de R$ 386 milhões, e prejuízo líquido de R$ 105 milhões.

A XP também espera um trimestre ainda fraco para Magalu, com o cenário macro desafiador para a demanda de bens duráveis e eletrônicos. A casa estima crescimento de 13% no GMV total da companhia, na comparação anual, ainda sustentado por uma alta de 17% nos volumes do segmento online. “Enquanto isso, o varejo físico deve apresentar uma queda de vendas mesma lojas em 5% ano a ano, por conta do macro mais desafiador, enquanto a base mais fácil de março oferece algum alívio”, dizem os analistas.

A XP prevê ainda um aumento de 1,6 ponto percentual na margem bruta da companhia, como resultado de uma redução de incentivos de frete e aumento de preços durante o trimestre. “Entretanto, a margem Ebitda deve cair 0,9 ponto percentual (para 4,2%) por conta da desalavancagem operacional das lojas e pressões inflacionária”. Por fim, a casa espera um prejuízo líquido de R$ 132 milhões.

A Ágora, por sua vez, projeta um crescimento de 8% na receita líquida da Magazine Luiza no primeiro trimestre, para R$ 8,911 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da companhia, por sua vez, deve sofrer uma retração de 14,2%, para R$ 366 milhões – a margem Ebitda [Ebitda sobre receita líquida], pelos cálculos da Ágora, cai de 5,2% (do 1T22) para 4,1%.  Sendo assim, Magalu deve apresentar um prejuízo líquido de R$ 139 milhões.

“As categorias de ticket alto permanecem sob pressão; esperamos que o crescimento do comércio eletrônico diminua, mas também esperamos ver sinais de recuperação de margem – particularmente na Magalu e na Via – uma vez que a administração das companhias fez ajustes para se adequar à realidade de um ambiente de demanda mais fraco”, diz a análise.

A Ágora tem recomendação de compra para o papel MGLU3 e preço-alvo de R$ 9.

O Credit Suisse avalia que o primeiro trimestre do ano foi um período difícil, com uma performance ainda pobre de eletroeletrônicos, diante do cenário macroeconômico desafiador. Os analistas também lembram do ataque cibernético que tirou o site de Americanas do ar por alguns dias, afetando o crescimento de vendas da empresa.

“Assim, devemos ver os resultados do e-commerce ainda abaixo dos níveis ideais. A perspectiva relativamente mais favorável permanece para a Americanas, que deve mostrar bom desempenho em seu canal físico, aliado a vendas online decentes, apesar dos problemas técnicos”, escreveu a equipe do Credit. Também não deve ser um trimestre de grandes movimentações de estoque para as empresas de varejo no geral.

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