M. Dias Branco reporta resultados fortes e acima das expectativas; ação sobe 2,12%

Companhia divulgou seus resultados trimestrais na noite da última sexta-feira (23)

Felipe Moreira

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A M.Dias Branco (MDIA3) registrou na última sexta-feira (23) um lucro líquido de R$ 341,9 milhões no quarto trimestre de 2023. O resultado é 22 vezes superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

O JPMorgan avalia que os números foram bons e superiores às expectativas, com um lucro antes de juros impostos, depreciação, amortização e depreciação (Ebitda) de R$ 442 milhões, um aumento de 265% em relação ao ano anterior, ficando 3% acima das projeções do JPMorgan e 4% acima do consenso. As margens também ficaram ligeiramente acima das expectativas, atingindo 16%, em comparação com os 4,4% do ano anterior, e mantiveram-se estáveis trimestre a trimestre, apesar da sazonalidade.

A ação chegou a ter volatilidade durante a manhã, mas firmou alta durante a tarde e fechou com ganhos de 2,12%, a R$ 40,98.

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Analistas do JPMorgan ainda destacaram que o volume de vendas foi robusto, alcançando 479,5 mil toneladas (um aumento de 9% em relação ao ano anterior), pois a empresa decidiu seguir o mercado com cortes de preços pontuais. “Eles também aumentaram o volume em novas marcas exclusivas para pagamento à vista, a fim de enfrentar um mercado promocional”, diz o relatório. “Como resultado, a participação de mercado se recuperou em 20-40 pontos base.”

O lucro líquido de R$ 342 milhões superou as projeções do JP Morgan em 28%, “devido a receitas financeiras melhores do que o esperado”, explicam analistas. A geração de fluxo de caixa melhorou (o FCF operacional chegou a R$584 milhões), levando a empresa a uma posição de caixa líquido de R$ 73 milhões.

O JPMorgan apontou, em relatório antes da abertura, que esperava uma reação positiva das ações aos resultados, com alguma melhoria marginal nas estimativas do consenso.

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Assim como o banco americano, o Itaú BBA considera os resultados como fortes e acima do esperado. Na visão do BBA, os resultados do 4T23 reforçaram o impulso construtivo da companhia no curto prazo à medida que recupera tanto a rentabilidade em termos absolutos quanto a participação de mercado sequencialmente.

Segundo relatório do BBA, a M. Dias parece estar a utilizar alavancas de preços para reconstruir o seu domínio de participação de mercado, enquanto os preços da indústria parecem ser racionais. “Os volumes estão crescendo à medida que os estoques no espaço de varejo estão se normalizando, o que no 4T23 compensou a fraqueza sazonal típica de um quarto trimestre.”

Olhando para o futuro, o Itaú BBA acredita a sólida posição do balanço da M. Dias Branco deverá abrir espaço para procurar oportunidades de fusões e aquisições.

Na mesma linha que os outros dois bancos, a XP disse que os resultados foram sólidos em todos os setores. O LPA (Lucro por Ação) ficou em R$ 1,06, 54% acima de suas projeções e 37% acima do Consenso Bloomberg, com resultados financeiros melhores do que o esperado, principalmente após a desalavancagem da companhia (caixa líquido em 2023), mas também devido a um benefício de R$ 31,7 milhões em juros sobre créditos fiscais (sem efeito caixa).

Com relação aos volumes fortes, a XP comenta que foram liderados “(i) pela estratégia de gestão de receita da companhia (preços 4,8% na base trimestral); (ii) melhores números operacionais; e (iii) a recuperação da demanda de varejo (estoques de varejo de volta aos níveis do 4T22)”. A instituição financeira ainda comenta que “se sustentado, o desempenho de volume é um importante risco de upside para 2024”. Em suma, os resultados do 4T23 devem trazer de volta o momentum das ações, na opinição da corretora.

Já a Genial destaca que a M. Dias Branco entregou um trimestre forte e em linha com suas expectativas, com destaque positivo para (i) a relevante expansão da margem Ebitda(+4,3 p.p. a/a), impulsionada pela melhora no mix de marcas e queda nos preços do trigo e do óleo de palma; (ii) a forte geração de caixa operacional, contribuindo para que a companhia encerrasse 2023 com geração de caixa operacional recorde, de R$ 2,1 bilhões; (iii) crescimento no volume de vendas; (iv) a queda sequencial na alavancagem, que encerrou o 4T23 em 0,1x Dívida Líquida/Ebitda, patamar bastante saudável de saúde financeira e (v) a companhia encerrando 2023 apresentando um crescimento relevante de receita de uma de suas principais marcas premium, a Piraquê, que atingiu faturamento de R$ 1,2 bilhão no ano (+17% na base anual).

Já do lado negativo, segundo a Genial, os principais destaques negativos foram o recuo no preço médio (-7,8% ano a ano), em virtude de uma queda sequencial nos preços de itens de menor valor agregado, como farinha de trio e margarinas e gorduras, os quais acompanharam a queda das commodities e uma recuperação sequencial de market share um pouco mais tímida do que esperado em biscoitos e massas.

A XP Investimentos reitera recomendação de compra com base no valuation atraente e no desempenho operacional/lucrativo encorajador. A Genial e o JPMorgan também mantiveram recomendação de compra e preço-alvo de, respectivamente R$ 50 e R$ 48. O Itaú BBA, por sua vez, mantém recomendação marketperform (equivalente à neutro) e preço-alvo de R$ 46.