Lojas Renner (LREN3): Goldman vê sell-off como oportunidade e reforça visão positiva; ação sobe 4%

Banco manteve visão positiva, apesar de revisar alguns números de operações para baixo; na sexta, outras instituições elevaram projeções para ações

Lara Rizério

(Crédito editorial: casa.da.photo / Shutterstock.com)
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Em queda no acumulado do ano e com baixa de 35% nos últimos três meses (ante baixa de 4% do Ibovespa no período), as ações da Lojas Renner (LREN3) estão em um ponto de entrada “atrativo”, segundo o Goldman Sachs. O banco tem recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo para doze meses de R$ 33, o que configura um potencial de valorização de 65% em relação ao fechamento da véspera. Em alta durante toda a sessão, as ações fecharam com ganhos de 4%, a R$ 20,82, destoando do dia não tão positivo para o setor de varejo.

A queda recente dos ativos LREN3, apontam os analistas Irma Sgarz, Felipe Rached e Gustavo Fratini, ocorre devido ao ajuste das expectativas dos investidores para vendas de curto prazo e para os resultados de serviços financeiros à luz de um cenário macroeconômico de desaceleração, além de fatores adversos não recorrentes por conta da Copa do Mundo e fatores climáticos.

“Reconhecemos que as revisões consecutivas para baixo dos lucros prejudicaram a confiança do investidor, mas esperamos que as revisões dos lucros se estabilizem a partir daqui”, avalia a equipe de análise do banco, que ainda vê espaço para crescimento no lucro por ação de 8% ano a ano em 2023, impulsionado por crescimento de receita de 10% e expansão de margem. A projeção é de uma normalização nas pressões de custo de insumos e diluição de despesas fixas, ligeiramente compensados por maiores despesas financeiras e maior alíquota efetiva.

Os primeiros três meses de 2023 (1T23) podem ser mistos ainda, mas os analistas acreditam que os sinais de que a varejista está sendo bem-sucedida em lidar com o excesso de estoques e continua a superar seus pares podem ser bem recebidos pelos investidores. Os agentes do mercado financeiro, aponta o Goldman, têm demonstrado níveis crescentes de interesse nos papéis levando em conta o valuation atual das ações, com um múltiplo de 14 vezes o preço sobre o lucro esperado para 2023, ante média histórica de 23 vezes e pares globais operando a 19 vezes.

Além disso, os analistas apontam que as checagens de canais sustentam as expectativas de crescimento de vendas no 4T22. Em 4 de janeiro, a operadora de shoppings Multiplan (MULT3) informou que as lojas âncoras de vestuário em seus shoppings tiveram crescimento das vendas nas mesmas lojas (SSS) em 25% versus o 4T19 (+8% na base anual). No 1T22 ao 3T22, o crescimento do SSS (versus 2019) foi em média 500 pontos-base acima do SSS geral da Renner, diferença que os analistas explicam pela composição do tráfego dos shoppings da Multiplan.

Supondo que a diferença permaneça em um nível semelhante no 4T22, isso implicaria um crescimento de SSS de mais de 20% para a Renner versus o 4T19, em linha com a expectativa do banco. “Observamos que as lojas da Renner nos shoppings da Multiplan representam cerca de 7% da área total de vendas da varejista”, apontam os analistas.

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Combinado com o crescimento da área, isso implicaria um crescimento de vendas de 26% versus o 4T19, em linha com as projeções atuais do banco. Isso marca uma redução das sinalizações anteriores da gestão da empresa de que as vendas poderiam crescer em linha com a taxa do 3T22 (+35% versus o 3T19). “No entanto, com base em conversas recentes com investidores, acreditamos que as expectativas de um crescimento mais lento das vendas no 4T22 agora estão amplamente incorporadas nas estimativas”, avaliam.

Como os investidores ajustaram suas expectativas, uma pergunta recorrente é até que ponto o desempenho de vendas mais fraco do que o inicialmente esperado foi impulsionado por fatores externos e não específicos da empresa, destaca a equipe de análise. “Acreditamos que os principais impulsionadores foram temperaturas adversas, mudanças no tráfego nas lojas por conta da Copa do Mundo e níveis ainda elevados de alavancagem do consumidor, limitando o espaço para gastos discricionários”, afirmam.

O risco de estoque elevado existe – mas é muito cedo para ter uma grande preocupação, aponta o Goldman. O banco avalia que a qualidade desse estoque é relativamente forte, pois é recente e adequada para coleções de verão. Dito isso, os analistas atualizaram para baixo a projeção de margem bruta para o 1T23 em 150 pontos-base ante sua estimativa anterior, dado o excesso de estoque que esperam vender no trimestre.

Além disso, a equipe de análise ajustou os números para o braço financeiro Realize, reduzindo ainda mais sua contribuição para o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) consolidado para 12% em 2023. “Embora nossa perspectiva de receita para 2023 permaneça, nossas estimativas de Ebitda e lucro líquido caíram 4%”, afirma.

Por outro lado, continua vendo espaço para mais ganhos de participação devido ao impulso da Renner em cidades menores e crescimento online à frente dos pares, principalmente em um momento em que concorrentes menores apresentam um balanço mais frágil.

Mais visões positivas

Cabe ressaltar que, na última sexta-feira, o Morgan Stanley revisou o setor de varejo e elevou a recomendação de Renner (LREN3) de underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para equalweight (equivalente à neutro), levando em conta o valuation considerado baixo e a margem relativa ante pares.

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No mesmo dia, analistas do Citi revisaram projeções para a varejistas e cortaram o preço-alvo das ações de R$ 35 para R$ 30, mas mantiveram recomendação de compra. O potencial de valorização ainda é de 50% frente o fechamento da véspera.

Para a equipe de analistas, os papéis já precificam um cenário mais conservador, com expectativa menos otimista para vendas de curto prazo e ceticismo de investidores sobre o braço financeiro Realize, que enfrenta inadimplência crescente desde 2022.

“Apesar dos ventos contrários, acreditamos que a Renner tem as ferramentas certas para enfrentar esses tempos mais desafiadores em 2023”, afirmaram, destacando o caixa líquido de cerca de R$ 1 bilhão, que deve preservar os planos de expansão, mesmo que o cenário macro se deteriore ainda mais.

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Os analistas cortaram a previsão para o lucro líquido neste ano para R$ 1,489 bilhão, de estimativa anterior de R$ 1,753 bilhão, enquanto a projeção para a receita líquida passou de R$ 15,403 bilhões para R$ 14,792 bilhões. A expectativa de margem bruta foi reduzida de 60,2% para 59,3%.

(com Reuters)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.