Lojas Renner (LREN3) cai 11% em duas sessões: oportunidade ou melhor ficar longe?

Para JPMorgan, queda foi exacerbada pela preocupações dos investidores com as tendências de receita em meio as enchentes no estado do RS

Felipe Moreira

(Crédito editorial: rafapress / Shutterstock.com)
(Crédito editorial: rafapress / Shutterstock.com)

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Dias depois da XP Investimentos rebaixar a ação da Lojas Renner (LREN3) de compra para neutra, uma vez que o clima e o macro serão obstáculos para o crescimento e expansão de margem da varejista, o JPMorgan reiterou recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para o papel, apenas promovendo um ligeiro corte de preço-alvo de R$ 17 para R$ 16,50.

Segundo o banco, a queda de cerca 11% nos últimos dois dias (entre os dias 21 e 22), desempenho inferior ao do Ibovespa em cerca de 9%, foi exacerbada pela preocupações dos investidores com as tendências de receita em meio as enchentes no estado do Rio Grande do Sul, e um clima atipicamente quente, que representa obstáculos para a coleção de inverno e pode levar a novas decepções na receita e na margem.

Embora a visibilidade dos impactos de longo prazo ainda seja incerta, o JPMorgan destaca que a principal região de vendas da Renner é o Sudeste, que abriga cerca de 50% das lojas, onde as temperaturas devem se normalizar nas próximas semanas, enquanto Rio Grande do Sul representa apenas 11% do total de lojas.

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Analistas ainda comentam que os estoques estão bem ajustados e com uma estrutura logística mais eficiente, provavelmente não resultando em erosão da margem bruta, já que os volumes de liquidação devem ser limitados.

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O JPMorgan também comenta que a Renner tem sido diligente em manter os preços abaixo da inflação ao longo do último ano, com uma melhor execução nas lojas para destacar sua proposta de valor e melhorar a percepção de preço, enquanto implementou várias iniciativas de eficiência e provavelmente será menos restritiva no crédito, potencialmente apoiando as vendas.

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Além disso, o banco americano destaca que as vendas de junho ainda são cruciais para o trimestre e a atividade de vendas deve melhorar com um clima potencialmente mais frio.

Olhando para frente, o JPMorgan revisou o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado para baixo em 7% e 5% para 2024 e 2025.

Por fim, analistas do banco americano veem a relação risco-retorno da Lojas Renner inclinada para o lado positivo, com a análise de sensibilidade sugerindo que, aos preços atuais, as operações do Rio Grande do Sul foram descartadas pela empresa.

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Por outro lado, a XP Investimentos vê a rentabilidade da Lojas Renner em risco, pois a varejista já começou a remarcar SKUs (código para identificar produtos) de inverno, o que, juntamente com um mix de produtos inclinado para SKUs mais leves e mais baratos, deve limitar a expansão de margem bruta. Na visão da corretora, a margem Ebitda (Ebitda sobre receita) também deve ser pressionada pelo desempenho mais fraco da receita.

Além disso, os analistas da casa pontuam que a dinâmica macro também não está contribuindo para as vendas no varejo. Nos últimos meses, o cenário macroeconômico no Brasil se deteriorou, com a nova perspectiva apontando para um ciclo mais lento de corte de juros, aumento da inflação de alimentos e um dólar mais forte. Como resultado, a XP está mais cautelosa com relação a uma recuperação mais robusta do consumo no segundo semestre de 2024.

Com base nisso, apesar do valuation descontado em relação às médias históricas, a XP tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 18.