Liquidez do Bitcoin despenca e afasta traders que movimentam grandes volumes

Preço do Bitcoin começou a ficar sensível demais a transações maiores, desagradando as chamadas "baleias"

CoinDesk

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As “baleias” (investidores com grande quantidade de criptomoedas) estão ficando à margem do mercado de Bitcoin (BTC) porque a pouca liquidez está dificultando as transações sem impactar o preço da criptomoeda.

Em sinais de aumento do apetite por risco, as ações ganharam espaço enquanto o dólar americano foi derrotado por causa do otimismo em relação à reabertura da China e porque o Federal Reserve (FED, o Banco Central dos EUA) pode estar perto de encerrar seu ciclo de aperto de liquidez.

No setor cripto, no entanto, a profundidade do mercado – uma medida da resiliência do preço de um ativo a grandes ordens de compra ou venda – está relativamente baixa e acaba desencorajando usuários que movimentam grandes volumes.

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“A profundidade agregada do mercado de 2% do BTC caiu quase pela metade – de 14.000 BTC para cerca de 8.000 BTC – no final de outubro”, escreveram analistas da Bitfinex, uma das 10 principais exchanges centralizadas de criptomoedas, em relatório publicado na segunda-feira (9).

“Em outras palavras, uma grande ordem [de compra ou venda] do mesmo valor ou tamanho em dólares feito hoje terá mais que o dobro do impacto no preço em comparação com dois meses atrás”, disseram os analistas da corretora.

Especialistas em cripto geralmente acompanham a profundidade de mercado de 2% para avaliar as condições de liquidez. O medidor representa uma coleção de ordens de compra e venda dentro em um intervalo de 2% do preço médio – a média da oferta e os preços de oferta/venda cotados em um determinado momento.

“Isso é muito desanimador para as baleias e grandes empresas de trading que negociam cripto apenas como um mercado alternativo de capital aberto”, disseram os analistas.

Um gráfico da provedora de dados de blockchain francesa Kaiko Research mostra que a profundidade de mercado de 2% do BTC nas principais corretoras, incluindo a Bitfinex, caiu de cerca de 11.000 de BTC para cerca de 6.000 BTC após a falência da FTX, que já foi uma das maiores exchanges do mundo, e de sua empresa-irmã Alameda Research.

Desde então, a profundidade permaneceu abaixo de 10.000 BTC.

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“A Alameda Research foi um dos maiores formadores de mercado do mercado cripto, fornecendo bilhões de dólares em liquidez para tokens de alta e baixa capitalização. Agora sabemos que toda a operação de negociação foi financiada por recursos desviados diretamente dos clientes da FTX”, disseram os analistas da Kaiko em relatório trimestral.

Outros market makers proeminentes, como Wintermute, Genesis e Amber Group, também tiveram exposição à exchange FTX e foram afetados negativamente pela falência da empresa.

A relutância das baleias em participar do mercado devido à falta de liquidez é evidente pela diminuição dos volumes diários de negociação nas bolsas centralizadas.

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“Embora o volume diário das exchanges sempre tenha flutuado, o período entre 25 de novembro e 25 de dezembro teve o menor volume diário agregado de negociações em um período de 30 dias (descontando o período de férias para evitar distorções nos dados)”, disseram analistas da Bitfinex, citando dados da Kaiko.

Bitcoin, a criptomoeda mais líquida

Mesmo diante do cenário atual, o Bitcoin, o maior ativo digital do mundo por capitalização de mercado, continua sendo a criptomoeda mais líquida. As baleias, portanto, provavelmente preferirão o ativo, e não as altcoins, quando retornarem ao mercado cripto.

Segundo a Kaiko, na comparação das 28 principais criptos por valor de mercado segundo suas classificações de liquidez, calculadas usando profundidades de mercado, spreads de compra e venda e volumes de negociação, as melhores posicionadas foram Dogecoin (DOGE), Polygon (MATIC) e Chainlink (LINK).

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