Leite voltará a ficar mais caro ainda em 2007, diz ABLV

De acordo com a associação, valorização não deve ser tão forte quanto à iniciada em junho deste ano

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SÃO PAULO – O preço do leite reverterá a atual tendência de queda e voltará a apresentar altas. A previsão foi feita nesta quinta-feira (25) pela ABLV (Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida). A entidade, contudo, não acredita que a valorização atinja – pelo menos até o final deste ano – proporções sentidas em meados de 2007.

“O mercado está com pouco estoque e o aumento dos valores no mercado mundial acaba refletindo também por aqui. Por enquanto a alta está discreta, não tão intensa”, afirmou o diretor-executivo da ABLV, Nilson Muniz.

Entressafra

Por conta de um período de entressafra iniciado em junho, que durou cerca de três meses, assomado à falta do produto no mercado internacional, a bebida acumula encarecimento de aproximadamente 40% até setembro deste ano, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Foi durante o nono mês deste ano que o item Leite e derivados passou a mostrar queda, com uma retração de 1,20% nos preços médios. O destaque daquele mês foi para a bebida pasteurizada, com queda de 4,9% no preço. Em outubro, a tendência ainda deve ser mantida.

Comportamento dos preços
Item Variação em setembro Acumulado do ano
Leite pasteurizado -4,86% 46,47%
Leite condensado 6,37% 30%
Leite em pó 8,12% 46,88%
Queijo 2,02% 17,27%
Creme de leite 4,83% 12,83%

Fonte: IPCA/IBGE

“Dessa vez não há ligação com entressafra, mas é uma resposta à dinâmica do próprio mercado”, resumiu Muniz, adicionando que o litro do leite tipo longa vida custa, em comércios paulistanos, de R$ 1,30 a R$ 1,70.

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Suspeita de fraude

A acusação feita pela Polícia Federal contra duas processadoras de leite longa vida, a Coopervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande) e a Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de adulteração da bebida, não deve trazer impactos ao consumidor.

De acordo com o diretor executivo da ABLV, as duas cooperativas, que são fornecedoras da Parmalat e da Nestlé, representam um número restrito de empresas do setor. “Isso é um grão de areia no universo do leite. Mas é uma pena, lamentamos profundamente que um caso isolado tenha um impacto na indústria geral”, afirmou.

A produção anual brasileira está na casa dos 5,2 bilhões de litros anuais.