Julho pode ter um dos menores volumes da B3 desde a pandemia: o que isso sinaliza?

Período aparece pela terceira vez entre os dez meses de menor liquidez desde 2020

Erick Souza

Painel da Bolsa de Valores/B3 (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)
Painel da Bolsa de Valores/B3 (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Publicidade

O volume financeiro médio diário do mercado à vista soma R$ 16,95 bilhões em julho, até o dia 20. Com esse desempenho, o mês fica posicionado como o 6º com menor volume mensal na B3 desde janeiro de 2020.

Neste ano, além do período de férias, o mês de julho também marcou a realização da Copa do Mundo de 2026.

Para a Elos Ayta, que organizou o levantamento, esse fator pode ter contribuído para reduzir a participação dos investidores. Ainda assim, a casa acredita que ainda é cedo para estabelecer uma relação direta de causalidade.

Para os analistas, esse movimento reflete, principalmente, o desempenho da taxa de juros no país. De acordo com Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o mês de julho está causando esse contraste forte no volume, por que o primeiro semestre teve resultados ótimos para a bolsa brasileira.

Segundo o diretor, o principal fator que levou a esse número tão baixo é o atual ganho de amplitude da curva de juros. “Além de enterrar o nosso ciclo de cortes, [os juros] ainda precificam alta no médio prazo”, comenta, o que afeta a atratividade das ações brasileiras.

Danilo Coelho, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, reforça o argumento. Para ele, o interesse na Bolsa, especialmente de investidores internacionais, tem sido impactado pelo mesmo movimento.

Segundo Coelho, a bolsa americana, que tem demonstrado um bom desempenho recente puxado pelo setor de tecnologia, tem sugado muito a liquidez de ativos de risco.

Além disso, o especialista explica que toda a parte de renda fixa, seja título público, seja crédito privado ou títulos bancários, tem absorvido muito a liquidez. “São taxas historicamente muito altas. E carregadas a longo prazo, tendem a entregar um resultado enorme para o investidor com um nível de risco baixíssimo”, afirma.

Efeito recorrente

O levantamento da Elos Ayta mostra que julho aparece pela terceira vez entre os dez meses de menor liquidez desde 2020. Os dados compilados da B3 mostram que três entre os dez menores registros desde o início da pandemia ocorreram justamente em julho, nos anos de 2024, 2025 e 2026.

Continua depois da publicidade

Para a casa, a repetição reforça a hipótese de que as férias de inverno exercem influência sobre a liquidez do mercado brasileiro.

O volume do mês também está abaixo do registrado em alguns meses marcados por forte aversão ao risco, como setembro e outubro de 2024. Para a Elos Ayta, isso sugere um mercado com menor participação dos investidores, aguardando novos catalisadores econômicos e corporativos.