Publicidade
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) do Brasil divulgou nesta semana seus dados de abril sobre o ajuizamento de ações no sistema privado de saúde.
Os números continuam sendo revisados para cima, aponta o Bradesco BBI, com novas ações em primeira instância e em varas cíveis especiais apresentando um forte crescimento de 25% em relação ao ano anterior (contra alta de 21% no primeiro trimestre de 2026), com espaço para novas revisões para cima.
Para os analistas do BBI, o impacto é ligeiramente negativo para as operadoras de planos de saúde, como Hapvida (HAPV3) e SulAmérica, da Rede D’Or (RDOR3). Isso visto que as provisões para contingências cíveis provavelmente continuarão a impactar os resultados de curto prazo.
No último resultado apresentado, em 11 de maio, a judicialização voltou a ser apontada como um dos principais desafios para a Hapvida no trimestre.
Segundo o diretor-presidente, Lucas Adib, as “ferramentas antigas” deixaram de ser suficientes para conter o avanço das ações judiciais, levando a empresa a revisar sua estratégia de atuação. A companhia pretende ampliar o relacionamento com médicos da rede própria e credenciada para tentar reduzir litígios ainda na ponta assistencial, além de reforçar o uso de automação, análises quantitativas e novas teses jurídicas.
No trimestre, a Hapvida registrou aumento de R$ 37 milhões em novos bloqueios líquidos judiciais, em meio ao crescimento do volume de liminares. As despesas com contingências e tributos representaram 3,6% da receita líquida do período.
Continua depois da publicidade
Apesar das pressões, a percepção predominante entre os analistas foi de melhora operacional inicial. Os dados do 1T apresentados pela empresa foram marcados, segundo analistas de mercado, também pela redução sequencial da sinistralidade e avanço do tíquete médio. Por outro lado, além da judicialização, a continuidade da pressão sobre lucro e perda de beneficiários nos planos de saúde foram apontados como fatores de pressão.
Colocando tudo na balança, apesar do cenário ainda desafiador, analistas avaliaram que os números vieram acima das expectativas do mercado, especialmente no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado.
O Ebitda ajustado totalizou R$ 803 milhões no trimestre, queda anual de 20%, mas acima das projeções de bancos e corretoras. A margem Ebitda ajustada avançou cerca de 3 pontos porcentuais ante o trimestre anterior, movimento atribuído principalmente à melhora da sinistralidade.
Já o lucro líquido ajustado somou R$ 244 milhões, recuo de 41,4% na comparação anual. No critério contábil, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 154,3 milhões, ante lucro de R$ 54,3 milhões um ano antes. Analistas destacaram que o principal vetor positivo do trimestre foi o controle da inflação médica e dos custos assistenciais. O Bradesco BBI, em relatório assinado por Marcio Osako, Rafael Elage e Henrique Spavieri, classificou o resultado como positivo e ressaltou que o Ebitda veio 14% acima das estimativas do banco.
Reclamações
Vale ressaltar que a Agência Nacional de Saúde (ANS) divulgou dados na semana passada sobre reclamações relatadas por beneficiários às suas operadoras de planos de saúde.
Essas reclamações podem estar relacionadas à insatisfação com a assistência médica, desentendimentos contratuais, cobranças indevidas, problemas com reembolsos, prazos de carência e outras preocupações.
Continua depois da publicidade
Em abril de 2026, o IGR (Índice Geral de Reclamações) da ANS do setor, que mede o número de reclamações sobre planos de saúde por 100.000 beneficiários, aumentou 19% em relação ao ano anterior, em comparação com um crescimento de 23% em março. Para a Hapvida Assistência Médica, que opera principalmente nas regiões Nordeste e Norte, foi observado um aumento anual.
Ela registrou um IGR de 44,9, marcando um aumento de 24% em relação ao ano anterior. Em relação à NDI Saúde, observou um índice de 68,3, o que representa uma queda de 10% em relação ao ano anterior.
“Continuaremos monitorando de perto as tendências da NDI Saúde, pois acreditamos que a integração de sistemas é um dos principais riscos para a tese de investimento da Hapvida e um foco primordial para investidores”, avalia.
Continua depois da publicidade
O BBA também nota um aumento no índice das operações da empresa na região Sul, especificamente no Centro Clínico Gaúcho, cujo IGR aumentou 93% em abril, e no Clinipam, cujo IGR aumentou 48% em relação ao ano anterior neste mês. Para a SulAmérica, foi observado um IGR de 93,7 em abril de 2026, o que implica um aumento de 17% em relação ao ano anterior.
