JPMorgan eleva recomendação de ações do Brasil para compra após 1º turno das eleições

Banco coloca país novamente em overweight após primeiro turno e vê espaço para reprecificação das ações; papéis mais sensíveis aos juros estão entre os preferidos

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Pouco menos de dois meses após rebaixar o Brasil, a equipe de estratégia do JPMorgan elevou a recomendação para as ações brasileiras de neutra para overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) após o resultado do primeiro turno das eleições.

Na avaliação do banco, o novo cenário aumenta significativamente o potencial de valorização da Bolsa brasileira em relação aos demais mercados da América Latina.

A estimativa é que o MSCI Brazil possa avançar cerca de 12% no curtíssimo prazo e, posteriormente, ampliar os ganhos para 20%. Para os estrategistas, esse potencial supera atualmente o oferecido por qualquer outro mercado latino-americano, justificando a mudança de recomendação.

Em meados de agosto, quando rebaixou a recomendação para o Brasil, o JPMorgan citava quatro razões principais: a expectativa de volatilidade antes das eleições e a baixa visibilidade sobre o resultado; a desaceleração da economia brasileira e a deterioração do crédito, com possíveis efeitos negativos sobre lucros; um cenário externo mais adverso; e a pouca visibilidade sobre novos cortes de juros no país.

Parte dessas preocupações continua presente, uma vez que o crescimento brasileiro segue desacelerando e a perspectiva para os lucros permanece pressionada, enquanto o ambiente internacional também continua adverso, segundo o relatório. Ainda assim, o resultado eleitoral alterou de forma suficiente a relação entre risco e retorno para fazer o banco voltar a recomendar exposição acima da média ao país.

Dólar mais baixo pode abrir espaço para cortes da Selic

A visão mais otimista envolve o câmbio e seus possíveis reflexos sobre a política monetária, com o JPMorgan avaliando que uma apreciação do real poderia abrir espaço para mais cortes da Selic e em ritmo mais acelerado. O banco observa que a redução promovida pelo Copom em setembro já havia ocorrido antes do que previa anteriormente e afirma que um novo movimento em novembro está em discussão.

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O segundo canal é a própria reprecificação da Bolsa diante da possibilidade de uma política macroeconômica considerada mais favorável à disciplina fiscal. Atualmente, segundo o banco, o mercado brasileiro negocia a 8,9 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, nível muito próximo da média do segundo quartil dos múltiplos dos últimos dez anos. Com uma redução da percepção de risco, o múltiplo poderia avançar rapidamente para cerca de 10,9 vezes, correspondente ao terceiro quartil da distribuição histórica.

Os estrategistas do banco acreditam que pelo menos metade dessa reprecificação pode ocorrer no curtíssimo prazo. É justamente esse movimento que sustenta a expectativa de alta inicial de aproximadamente 12% para o MSCI Brazil.

Cenário mais otimista levaria múltiplo a 13 vezes

Há ainda um cenário mais favorável, caso surja um entendimento político acompanhado da adoção de uma agenda de reformas estruturais, o Brasil poderia alcançar o quarto quartil histórico de avaliação, correspondente a aproximadamente 13 vezes o lucro esperado para 12 meses, em dinâmica semelhante à observada em 2016.

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Esse cenário exigiria mais do que uma mudança da percepção doméstica. O banco afirma que seria necessário também um ambiente externo benigno, incluindo um Federal Reserve mais acomodatício e estabilidade do índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de moedas.

Quais ações o JPMorgan prefere agora?

Dentro da Bolsa, a conclusão do J.P. Morgan é direta: as ações mais sensíveis à queda dos juros são as preferidas neste momento. O banco detalha diferentes recomendações setoriais para capturar uma possível continuidade da reprecificação do mercado brasileiro.

No setor financeiro, Yuri Fernandes mantém preferência pelas empresas ligadas ao mercado de capitais, incluindo BTG Pactual (BPAC11) e XP. Ao mesmo tempo, avalia que bancos digitais como Nubank e Inter podem ter semanas favoráveis, assim como empresas de meios de pagamento. As seguradoras aparecem entre os nomes menos favorecidos nessa estratégia.

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Entre as construtoras, Marcelo Motta prefere as companhias voltadas à alta renda Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3). As duas tiveram suas recomendações elevadas para overweight em relatório separado divulgado nesta segunda-feira. [JPM_LatAm_…05_5475269 | PDF]
No segmento de transportes, Guilherme Mendes destaca Localiza (RENT3), Movida (MOVI3), Vamos (VAMO3), Simpar (SIMH3), Azul (AZUL3) e Ecorodovias (ECOR3) entre suas preferências.

Já no setor de petróleo, Petrobras (PETR4) continua sendo o nome preferido de Milene Carvalho. A analista também cita PRIO (PRIO3), Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) como ações utilizadas para financiar essa posição.

Varejo, saúde e utilities

Para varejo e saúde, Joseph Giordano recomenda exposição ao chamado “beta”, ou seja, ações com maior sensibilidade aos movimentos do mercado, por meio de Assaí (ASAI3), Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3).

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Entre as ações de maior duration, cuja avaliação tende a ser mais sensível às taxas de juros, aparecem RD Saúde (RADL3) e Smart Fit (SMFT3). Na ponta vendida da estratégia, o analista recomenda Fleury (FLRY3), considerado um nome de menor beta, e Bradesco Saúde (SAUD3).

Em utilities, Arthur Pereira recomenda exposição comprada em Sabesp (SBSP3), pela característica de duration; Energisa (ENGI11), pela sensibilidade aos juros; e Eneva (ENEV3), pela opcionalidade. Do outro lado, Engie Brasil (EGIE3) e Isa Energia (ISAE4) aparecem nas posições vendidas citadas no relatório.

Brasil passa a oferecer maior potencial na região
A melhora da visão para o Brasil também provocou uma mudança na alocação regional do banco uma vez que, enquanto elevou exposição em Brasil, reduziu a recomendação para o Chile de overweight para neutra.

Embora continue construtivo com o Chile no médio prazo, o banco considera o cenário de curto prazo mais difícil do que esperava, citando petróleo próximo de US$ 100 por barril, desemprego elevado e queda dos preços do lítio para menos de US$ 20 mil por tonelada, fator que pesa sobre a SQM.

Na nova alocação latino-americana Brasil e Peru ficam em overweight; México e Chile, em neutro; e Colômbia, em underweight.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.