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O JPMorgan revisou sua estratégia para a América Latina no segundo semestre de 2026 e reduziu sua recomendação para o mercado brasileiro de overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para neutra.
Apesar da postura mais cautelosa com o Brasil, o banco segue enxergando oportunidades em diversas ações da B3, especialmente em companhias consideradas de maior qualidade, exportadoras e menos dependentes do ciclo doméstico.
Na visão da equipe liderada por Rodolfo Angele e Emy Shayo Cherman, o cenário global ficou mais favorável para a região em comparação ao observado no meio do ano. O JPMorgan destaca que a perspectiva para o dólar ficou menos negativa, as expectativas para a trajetória dos juros nos Estados Unidos foram suavizadas e as commodities encontram suporte maior com revisões para cima do crescimento global.
Ainda assim, o banco acredita que fatores locais tendem a ganhar importância nos próximos meses. E, nesse contexto, o Brasil perde atratividade diante da combinação de crescimento mais fraco, deterioração do crédito, juros elevados por mais tempo e aumento da volatilidade em função das eleições presidenciais de outubro.
“O ciclo de afrouxamento monetário está chegando ao fim, o crescimento desacelera e o ciclo de crédito piora”, afirmam os estrategistas. O JPMorgan projeta um último corte de 25 pontos-base da Selic em setembro, seguido de uma pausa prolongada até o segundo trimestre de 2027.
O banco também reduziu sua projeção para o Ibovespa ao final de 2026 de 190 mil para 185 mil pontos, equivalente a potencial de alta de cerca de 5,4% frente aos níveis atuais.
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Brasil ainda concentra metade das ações favoritas
Apesar do rebaixamento do país, o Brasil continua dominando a lista de ações preferidas do JPMorgan para a América Latina. Das 20 top picks da casa para o segundo semestre, 12 estão listadas na B3.
As escolhidas são:
3tentos (TTEN3)
Bradsaúde (SAUD3)
BTG Pactual (BPAC11)
Embraer (EMBJ3)
Motiva (MOTV3)
Multiplan (MULT3)
RD Saúde (RADL3)
Suzano (SUZB3)
Tenda (TEND3)
Vale (VALE3)
Vibra Energia (VBBR3)
WEG (WEGE3)
Yduqs (YDUQ3)
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Segundo o banco, a característica comum da maior parte dessas empresas é a capacidade de entregar resultados mais previsíveis em um ambiente de maior incerteza macroeconômica. “A maioria das escolhas são companhias de alta qualidade, mais estabelecidas e com maior visibilidade de lucros”, destaca o relatório.
Exportadoras e qualidade ganham espaço
A preferência do JPMorgan reflete a visão de que exportadoras e empresas menos expostas ao consumo doméstico podem navegar melhor no ambiente atual.
Nesse sentido, Embraer (EMBJ3), WEG (WEGE3), Suzano (SUZB3) e Vale (VALE3) aparecem entre os destaques. O banco afirma que gosta da exposição internacional e da proteção oferecida por essas companhias diante da volatilidade política brasileira.
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Para a Embraer, os principais catalisadores incluem novas encomendas, expansão de margens e potenciais contratos na Índia. Já para a WEG, as apostas estão ligadas ao avanço dos investimentos globais em transmissão e distribuição de energia, mobilidade elétrica e armazenamento de energia.
No setor de mineração e siderurgia, a Vale segue como a principal recomendação. O JPMorgan avalia que os preços do minério de ferro permanecem sustentados entre US$ 95 e US$ 100 por tonelada, enquanto a demanda chinesa continua resiliente.
No consumo doméstico, o banco mantém postura cautelosa, avaliando que os brasileiros enfrentam pressão de juros altos, maior endividamento, inflação de alimentos e avanço das apostas esportivas sobre a renda disponível.
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Mesmo nesse cenário, a RD Saúde (RADL3) aparece entre as ações preferidas. A tese está ligada à resiliência estrutural do setor farmacêutico e ao potencial de crescimento impulsionado pelos medicamentos genéricos baseados em GLP-1. O JPMorgan vê a ação como uma oportunidade após forte desempenho inferior ao Ibovespa neste ano.
Outra aposta relevante é a Bradsaúde (SAUD3), beneficiada por melhora da rentabilidade das operadoras de saúde, maior controle de sinistralidade e potencial de entrega consistente de resultados.
As ações domésticas que seguem entre as favoritas do JPMorgan são principalmente aquelas com teses específicas.
No setor imobiliário, a preferência recai sobre Tenda (TEND3), beneficiada pela exposição ao segmento de baixa renda e pelos programas habitacionais. O banco vê espaço para revisões positivas de resultados e destaca a assimetria ligada à subsidiária Alea.
Já entre os shopping centers, a recomendação segue para Multiplan (MULT3). O JPMorgan argumenta que o setor ainda negocia com desconto relevante em relação aos níveis históricos e pode se beneficiar caso os juros reais se normalizem ao longo do tempo.
No setor financeiro, a principal escolha brasileira é o BTG Pactual (BPAC11). O banco destaca a capacidade da instituição de atravessar diferentes cenários econômicos, além do potencial de crescimento nos negócios de wealth management, banco de investimento e crédito corporativo.
Já a Vibra Energia (VBBR3) tornou-se a principal aposta do JPMorgan no segmento de petróleo e gás da América Latina. A tese é sustentada por margens estruturalmente mais fortes na distribuição de combustíveis e por um ambiente competitivo considerado mais racional.
Na área de infraestrutura e transportes, a preferência é pela Motiva (MOTV3), impulsionada por potenciais ganhos com reequilíbrios contratuais em concessões rodoviárias e características defensivas em um ambiente macroeconômico mais desafiador.


