JPMorgan corta preço-alvo da Rumo, mas vê saída da Cosan como possível catalisador

Analistas acreditam que a operação tende a ser positiva para os papéis, especialmente se ocorrer com prêmio em relação ao preço atual

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O JPMorgan reduziu o preço-alvo da Rumo (RAIL3) de R$ 20 para R$ 19,50, mantendo a recomendação neutra. Apesar do corte, o banco incluiu a ação no radar de catalisadores positivos, diante da provável venda da participação da Cosan (CSAN3) na companhia.

O banco acredita que a operação tende a ser positiva para os papéis, especialmente se ocorrer com prêmio em relação ao preço atual, além de sinalizar uma mudança na estratégia de alocação de capital da Cosan.

A Cosan pretende vender uma participação de 20% na Rumo, ou 30% considerando operações com derivativos. Inicialmente, a Ultrapar (UGPA3) era apontada como principal interessada, mas as negociações também envolvem empresas como Grupo México, Inpasa, Bunge e Cofco. O prazo para apresentação das propostas finais, inicialmente previsto para agosto, teria sido adiado para setembro.

O JPMorgan destaca, porém, que a reação das ações dependerá do preço e do perfil do comprador. A Rumo possui uma poison pill de 15%, que exige uma oferta pelas ações restantes com prêmio de 25% caso um acionista ultrapasse esse limite. Se a Cosan vender toda sua participação, os minoritários precisariam abrir mão da cláusula para evitar o acionamento da oferta obrigatória.

Entre os possíveis cenários, o banco considera mais favorável a entrada de um investidor estratégico, enquanto uma aquisição por uma empresa de trading poderia gerar conflitos de interesse. Outra possibilidade seria uma oferta pela participação da Cosan e também pelas ações dos minoritários.

Apesar do potencial catalisador positivo no curto prazo, o JPMorgan vê riscos para a Rumo em 2027, principalmente relacionados ao El Niño, que pode afetar a comercialização de fretes em um ambiente já pressionado por juros elevados, custos de insumos e maior concorrência do etanol de milho.

O banco também considera que o espaço para uma reprecificação sustentada é limitado, apesar da Rumo negociar a 5,6 vezes o EV/EBITDA (Valor da Firma sobre EBITDA) estimado para 2027, abaixo da faixa histórica de 5 a 10 vezes.

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Felipe Moreira
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