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J&F tem “vitória” com acordo final de leniência; JBS venderá 3 frigoríficos para Minerva e mais 11 notícias

Confira os destaques do noticiário corporativo desta terça-feira (6)

SÃO PAULO – Enquanto os olhos do mercado se voltam para o julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no TSE, o noticiário corporativo segue movimentado, com atenção para revisões e início de cobertura de ações, caso de BRF, Azul e BR Malls, além da confirmação do acordo de leniência da J&F. Veja mais destaques desta terça-feira (6):

JBS (JBSS3)
A JBS comunicou que, diretamente e por meio de sua controlada JBS Handels GmbH, celebrou um acordo para venda da totalidade das ações de suas subsidiárias detentoras das operações de carne bovina na Argentina, Paraguai e Uruguai para sociedades controladas pela Minerva (Pul Argentina, Frigomerc e Pulsa) pelo preço total de US$300 milhões.

“O preço está sujeito a um ajuste em valor equivalente à diferença entre o capital circulante líquido e o endividamento de longo prazo das sociedades na data de fechamento, cujo valor estimado em 31 de março de 2017 era positivo em aproximadamente US$ 40 milhões”, destaca o comunicado. A transação foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração da JBS e está  condicionada a condições precedentes usuais em operações dessa natureza, incluindo a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica. A JBS informa que pretende utilizar os recursos obtidos com a transação para diminuir sua alavancagem financeira. A administração da JBS manterá o mercado informado sobre a conclusão da transação.

Destaque ainda para a notícia sobre o acordo de leniência da J&F. Depois do acerto, há uma semana, das bases do acordo, os advogados da holding J&F, controladora do frigorífico JBS, conseguiram aliviar ainda mais nos últimos dias o esforço financeiro a ser feito pelo grupo para fazer frente à multa de R$ 10,3 bilhões aplicada pelo Ministério Público Federal (MPF), destaca o Estadão. 

Nas negociações em torno dos termos finais do acordo, os procuradores acabaram aceitando o pedido da empresa por redução das primeiras prestações da multa, o que deixou as parcelas mais pesadas para 2020 adiante. A vitória dos negociadores escalados pela holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, de um lado atenua o impacto da sanção nos próximos dois anos e, de outro, ameniza o montante que precisará ser reservado pelo grupo ao pagamento do passivo.

Antes disso, já tinham conseguido trocar o indexador da multa – da Selic para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – e um desconto de quase R$ 900 milhões em relação ao cobrado no início das negociações: R$ 11,17 bilhões.

Assinada ontem, a versão final do acordo estabelece um fluxo de pagamento que começa com cinco parcelas semestrais, sendo a primeira em dezembro. A partir de 2020, a J&F passa a ser cobrada em prestações anuais. As parcelas semestrais serão, contudo, menores – da ordem de R$ 50 milhões cada -, enquanto que nas prestações anuais a cifra amortizada sobe para valores constantes de R$ 456,8 milhões.

Ao mesmo tempo em que reduz o impacto financeiro no início do pagamento, esse fluxo diminuiu, na prática, o montante que a empresa terá que separar do caixa para pagar a dívida. Com o dinheiro rendendo por mais tempo em títulos do Tesouro – um investimento seguro -, a J&F não só consegue pagar a correção de sua nova dívida, como aufere ganhos financeiros que diminuem a multa a valor presente.

Vale destacar ainda que o empresário Joesley Batista ficará afastado de qualquer cargo de direção ou assento nos conselhos de companhias do grupo J&F, entre elas a JBS, pelo prazo de cinco anos. A medida é uma das contrapartidas ao acordo de leniência. O acerto ainda prevê que o grupo entregará uma lista com o nome de autoridades com foro privilegiado que receberam propina das empresas da J&F.

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Minerva (BEEF3)

Além do comunicado sobre o acordo de compra de ativos da JBS, a Minerva informou estimativa de R$ 13 bilhões a R$ 14,4 bilhões para a receita líquida nos próximos doze meses. A projeção é para receita líquida consolidada de julho de 2017 a junho de 2018, segundo comunicado da Minerva.
A estimativa tem como base as seguintes premissas: *taxa de câmbio (US$/R$) 3,20; *crescimento orgânico das operações correntes da companhia e *consolidação da recente aquisição anunciada no Mercosul (incluindo a aprovação do CADE).

Vale (VALE3;VALE5)

A prefeitura de Santa Bárbara obteve na noite de segunda-feira decisão favorável do STF ao pedido de suspensão da decisão do TJMG para emissão de Carta de Conformidade, ou não, no prazo de 10 dias, segundo comunicado do executivo municipal da cidade mineira.

Em 11 de maio, o juiz de Minas Gerais deu ao prefeito de Santa Bárbara, Leris Braga, dez dias para decidir se a Samarco, joint venture entre BHP e Vale, pode usar água da cidade para realizar suas atividades de mineração, de acordo com o site do tribunal. Em sua decisão, o desembargador do TJMG havia determinado o cumprimento do prazo de 10 dias para a emissão, ou não, da Carta de Conformidade para fins de licenciamento ambiental, independentemente de qualquer análise técnica, solicitação de dados ou estudos complementares, diz o comunicado da Prefeitura deste segunda-feira. Fato este, um dos motivos do pedido de suspensão feito pelo município, por ser capaz de causar lesão gravíssima à ordem e economia públicas.

Embraer (EMBR3)

A AirBaltic quer comprar pelo menos 14 novos aviões com mais de 100 assentos para substituir modelos turboélice, com a Embraer e a canadense Bombardier na disputa pelo contrato, informou o presidente-executivo da aérea letã na segunda-feira. A AirBaltic está buscando ampliar sua rede e planeja aumentar o número de passageiros de esperados 3,2 milhões neste ano para 4,2 milhões em 2021.

“Pedimos às partes interessadas para que viessem e nos fizessem uma oferta. Isso está acontecendo agora”, disse Martin Gauss à Reuters em um encontro da indústria aérea no México. A encomenda seria por 14 aeronaves, com entrega para 2020, possivelmente com opções por mais unidades à medida que a companhia aérea busca crescer, disse Gauss.

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Embraer e Bombardier são as duas fabricantes que fazem o tipo de aeronave no qual a AirBaltic está interessada, segundo o executivo. A decisão será tomada neste ano.

Azul (AZUL4)

A Azul teve a cobertura iniciada como ‘compra’ pelo Santander com preço-alvo para 2018 de R$ 30,00.

“Estamos iniciando a cobertura da Azul com recomendação de compra pois acreditamos que a companhia aérea: (i) enfrenta concorrência menor em comparação com os seus principais pares (único fornecedor de serviços em cerca de 70% de suas rotas); (ii) tem uma forte posição de caixa (cerca de R$ 1,8 bilhão após o IPO em abril); (iii) valuation barato (de cerca de 8 vezes a relação entre o EV e o EBITDAR em linha com a média do setor, enquanto acreditamos que mereça um prêmio)”, apontam os analistas. Além disso, o Santander destaca a equipe de gestão de alto nível e a capacidade de identificar oportunidades (no mercado regional) que os concorrentes não têm perseguido, sendo que muitos deles estão no mercado há muito tempo.

BRF (BRFS3)

A BRF teve a cobertura iniciada com recomendação equalweight e preço-alvo de R$ 14,00. 

BR Malls (BRML3) e Aliansce (ALSC3)

A BR Malls negou notícias de que estuda fusão com a Aliansce. No domingo, a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, informou no que há conversas iniciais de fusão entre as gigantes do setor de shoppings BR Malls, que possui 44 shoppings, e a Aliansce, que tem em seu portfólio 22 shoppings, informou esta que foi divulgada hoje pelo jornal Valor Econômico. Segundo a publicação, o Itaú BBA foi contratado para assessorar a BRMalls no processo, após conversas iniciadas entre as partes no começo do ano. 

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Ainda sobre a BR Malls, o Morgan Stanley elevou a recomendação para overweight, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 14 para R$ 15.

BB Seguridade (BBSE3) e WIZ (WIZS3)

Conforme aponta o Bradesco BBI, os dados da SUSEP mostram números fracos para BB Seguridade e robustos para a WIZ e fraqueza contínua no segmento automotivo (atenção para SulAmérica e Porto Seguro). Destaques por empresa: 

Sobre a BB Seguridade, apesar do sólido resultado em crédito e seguro rurais, a companhia apresentou um desempenho frágil nas contribuições dos planos de previdência, destaca o Bradesco BBI. Os prêmios dos seguros de vida aumentaram alta de 2% na base de comparação anual, enquanto o seguro de crédito apresentou uma leitura positiva para as unidades, avançando 7%. O segmento rural, que parecia ter começado o ano com uma sazonalidade um pouco diferente do ano anterior, manteve-se em alta de 10% na base anual. O resultado final de BBSE mostrou uma leitura fraca em queda de 13% na base anual, provavelmente devido a receita financeira (IGP-M no mês atingiu -1,1%).

Já sobre a Wiz Soluções, os prêmios de vida aumentaram novamente, para alta de 19% em abril, e o seguro de crédito saltou 119% em relação ao ano anterior. Os prêmios de seguro hipotecário também apresentaram um crescimento saudável (alta de 10% na base anual).

Prumo (PRML3)
Segundo o Valor, o grupo gaúcho Bolognesi está em negociações avançadas com a Prumo – agora controlada pelo fundo americano EIG Global Energy Partners – para a venda do projeto da termelétrica Novo Tempo (PE), de 1,2 gigawatts (GW) de potência, e do terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) que faz parte do projeto. 

Itaú Unibanco (ITUB4)

O Itaú Unibanco informou ter recomprado 28,4 milhões de ações preferenciais em 2017, incluindo maio.

Contax (CTAX3)

Os debenturistas da Contax aprovaram adiar vencimento de juros da 1ª emissão, que era em 15 de junho, disse a companhia em fato relevante; a nova data não foi informada.

O pagamento está sujeito a aprovação dos juros vincendos em 15 de junho de 2017 da 3ª emissão de debêntures da companhia pelos debenturistas de tal emissão, disse a Contax. A companhia disse que permanecerá avaliando e negociando com seus principais credores financeiros alternativas para fortalecer sua estrutura de capital e o alongamento de seu endividamento. 

Eletrobras (ELET6)

A Eletrosul concordou em transferir projetos à SPTDE. A Shanghai Electric Power Transmission and Distribution Engineering, subsidiária da chinesa Shanghai Electric, fez acordo preliminar com Eletrosul para transferir totalidade do conjunto de projetos que compõem o Lote A do Leilão Aneel nº 004/2014, disse a Eletrobras em comunicado.

A transferência refere-se à implementação e operação de projetos de transmissão de energia no Rio Grande do Sul. O investimento total foi orçado em R$ 3,27 bilhões para viabilizar a construção de 1.900 km de linhas de transmissão, 7 novas subestações e a ampliação de 16 subestações existentes. A próxima etapa das negociações estabelecerá as condições detalhadas do negócio, por meio de um acordo vinculativo, incluindo questões relacionadas ao cronograma de implementação e operação. 

(Com Reuters, Bloomberg e Agência Estado)