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O Itaú BBA avalia que a temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) para o setor financeiro no Brasil deve ser marcada por forte divergência de desempenho entre as instituições, com destaques positivos para B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11), Bradesco (BBDC4) e possivelmente Nubank (BDR: ROXO34), enquanto Banco do Brasil (BBAS3), BB Seguridade (BBSE3) e Stone (BDR: STOC34) devem enfrentar um trimestre mais desafiador.
No segmento de seguros, Itaú BBA rebaixou a recomendação da BB Seguridade para underperform (desempenho abaixo da média do mercado, equivalente à venda), com preço-alvo reduzido de R$ 35 para R$ 32, e da Caixa Seguridade para market perform (desempenho em linha com a média do mercado, equivalente à neutra), elevando o preço-alvo de R$ 17 para R$ 18. A casa avalia que o setor de seguros deve ter um início de ano mais fraco em termos operacionais, enquanto o segmento de previdência apresenta dinâmica mais resiliente.
Por volta das 10h05 (horário de Brasília) desta quarta-feira (15), as ações da BB Seguridade caíam R$ 2,32%, a R$ 34,90, enquanto CXSE3 recuava 2,38%, a R$ 19,29.
No caso da BB Seguridade, o relatório aponta intensificação dos desafios operacionais, com expectativa de queda de 1,5% nos prêmios emitidos em 2026, para cerca de R$ 16 bilhões, no piso das projeções. O desempenho é pressionado principalmente por seguros agrícolas, que recuam 29% nos primeiros dois meses de 2026, e por seguro de vida crédito, que cai 7% no mesmo período, impactado por juros elevados. Além disso, o ambiente mais desafiador no campo, com margens agrícolas mais fracas, crédito mais restrito e alta de custos de insumos e transporte, adiciona pressão ao setor.
O Itaú BBA projeta ainda que os lucros da BB Seguridade devem cair 6% em 2026, com recuperação modesta de 2% em 2027. Apesar do dividend yield (rendimento de dividendos) estimado em torno de 11%, o banco avalia que isso não é suficiente para compensar o período mais prolongado de fraqueza dos resultados.
Já a Caixa Seguridade apresenta tendências operacionais mais positivas, com crescimento de 13% na carteira de crédito imobiliário em janeiro e expansão de 16% na previdência. Ainda assim, o segmento de seguro de vida crédito segue pressionado, com queda de 38% em 2M26. O Itaú BBA espera lucro líquido de R$ 4,6 bilhões em 2026, alta de 8% em relação ao ano anterior.
Para o 1T26, a expectativa é de resultados mais fracos na comparação sequencial, com lucro estimado de R$ 1,1 bilhão para a Caixa Seguridade e R$ 2 bilhões para a BB Seguridade, ainda com controle adequado de sinistralidade.
Bradesco, Santander e Banco do Brasil
No caso do Bradesco (BBDC4), o Itaú BBA projeta continuidade da melhora consistente dos resultados, com lucro de R$ 6,7 bilhões no trimestre, alta de 14% na comparação anual e retorno sobre o patrimônio (ROE) de 15,4%. O banco deve manter expansão da carteira de crédito e avanço da margem financeira, ainda que com leve alta nas provisões por efeitos sazonais e casos específicos.
Já o Santander Brasil (SANB11) deve apresentar um trimestre mais fraco sequencialmente, com lucro estimado de R$ 4 bilhões e ROE de 16,6%.
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O destaque negativo entre os grandes bancos fica com o Banco do Brasil (BBAS3), que deve enfrentar o trimestre mais desafiador do setor, segundo o relatório. O lucro projetado é de R$ 3,6 bilhões, com ROE de 7,5%, pressionado por forte aumento de provisões e deterioração de carteiras, especialmente no agronegócio e crédito corporativo.
Nubank e Inter
Entre as fintechs, o BBA avalia que o Nubank deve apresentar crescimento forte de receita e carteira de crédito, mas com aumento relevante de investimentos e despesas operacionais, o que deve limitar o resultado final. Ainda assim, o banco segue com perspectiva positiva estrutural no médio prazo. O Banco Inter (BDR: INBR32) também deve avançar gradualmente em rentabilidade, com crescimento moderado da margem financeira e melhora de eficiência.
