Após resultados

IRB (IRBR3): Credit Suisse corta preço-alvo para ação e reitera recomendação equivalente à venda; papel cai 4,91%

Banco justificou a redução de suas estimativas de forma a refletir dados de subscrição piores do que o esperado e uma posição de capital mais apertada

Por  Equipe InfoMoney -

Revisando as estimativas após o resultado do quarto trimestre de 2021, divulgado na semana passada, o Credit Suisse reduziu o preço-alvo para as ações do IRB (IRBR3) de R$ 5 para R$ 3,35, nove centavos acima do fechamento da véspera (R$ 3,26), ou um potencial de alta de 2,76%. O banco suíço ainda reiterou classificação underperform (desempenho abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para a ação.

Em um dia de queda para o mercado, a ação do IRBR3 fechou com perdas expressivas a sessão desta sexta-feira (4), com baixa de 4,91%, a R$ 3,10.

O banco justificou a redução de suas estimativas de forma a refletir os resultados de subscrição piores do que o esperado e uma posição de capital mais apertada, uma vez que o “re-underwriting” (limpeza do balanço) continua a pesar na lucratividade.

Embora um cenário de Selic mais alta deva levar a receitas financeiras significativamente melhores, a rentabilidade deve continuar a ser impactada no médio prazo, especialmente devido à maior retrocessão para acomodar o excesso de capital mais apertado. A retrocessão ocorre quando a resseguradora transfere parte dos seus riscos absorvidos a outros resseguradores ou até mesmo para seguradoras.

Além disso, os efeitos dos negócios descontinuados (run-off) devem prosseguir até 2023, implicando em sinistralidade acima da média; os analistas ainda citam  comissão acima da média e redução do crescimento de receita decorrente de critérios mais rígidos para novos contratos.

Os analistas do Credit agora projetam prejuízo líquido de R$ 29 milhões em 2022 versus sua última estimativa de lucro líquido de R$ 350 milhões, além de reduzir a estimativa de lucro para 2023 de R$ 570 milhões para R$ 225 milhões, com a estimativa para o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) indo de 14,6% para 6,2%.

“Estamos introduzindo a projeção de R$ 408 milhões de lucro líquido em 2024 (11,0% ROE), implicando em melhores perspectivas; no entanto, definimos o ROE de longo prazo em 14%, 250 pontos-base abaixo das nossas últimas estimativas, além da visibilidade reduzida”, apontam.

Os analistas ressaltam darem “o benefício da dúvida” da companhia não precisar de aumento de capital, como já chegou a ser discutido no mês passado, pois o modelo do banco considera taxas de retrocessão mais altas e venda de ativos para ajudar a resolver a posição de capital mais apertada, o que provavelmente limitará sua capacidade de acelerar o crescimento dos negócios e a capacidade de pagar dividendos no médio prazo.

Cabe ressaltar que os resultados do IRB não foram bem recebidos pelo mercado e as ações caíram 3,16% na sexta-feira (25) após o balanço. Em teleconferência, o CEO Raphael de Carvalho afirmou que o “IRB está no caminho correto”, pois o negócio é “resiliente e já mostra recuperação”, mas analistas ainda estão céticos sobre o papel.

Contudo, enquanto analistas seguem pessimistas,  Luiz Barsi Filho, um dos maiores investidores individuais da Bolsa, afirmou recentemente ao InfoMoney que aproveitou a queda recente das ações do IRB no último dia 4 de fevereiro, quando a cotação chegou a R$ 2,82, para comprar mais ações da empresa. Ele aumentou mais a participação no seu capital – e quase “de graça”, como ele define. Estima-se que tenha desembolsado R$ 4,5 milhões na operação.

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