Ir ao cinema é caro; pirataria aumenta ainda mais os preços

Para ir ao cinema com a esposa e dois filhos, trabalhador brasileiro gasta em média 5,6% de sua renda mensal

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Ir ao cinema deixou de ser uma atividade de lazer barata. Em uma das principais redes de cinema do País, o ingresso custa entre R$ 13 e R$ 18, o que faz a meia-entrada custar entre R$ 7,50 e R$ 9.

Além disso, quando somados os valores do estacionamento (R$ 5 por 4 horas) – já que grande parte dos cinemas estão dentro de shoppings – e a tradicional pipoca com refrigerante (R$ 10 na mesma rede de cinema), levar dois filhos ao cinema custa aos pais R$ 63 (dois ingressos inteiros, duas meia-entradas, duas pipocas com refrigerante e o estacionamento), no mínimo. O valor representa 5,6% do rendimento médio real do trabalhador brasileiro, de acordo com o IBGE.

Para o coordenador de antipirataria na internet, Ygor Valério, o preço alto é atribuído em grande parte à pirataria. “Se não houvesse pirataria, com certeza, os preços seriam reduzidos. Muita gente fala que compra pirata porque o preço é alto, mas acontece que sem público, o cinema é obrigado a aumentar seus preços para cobrir os custos. Sem pirataria, as pessoas iriam mais ao cinema e os preços seriam menores. Para se ter uma idéia, a cada 10 lançamentos da indústria cinematográfica, apenas quatro realmente se pagam por completo”.

Meia-entrada

O direito à meia-entrada, garantido a todos os estudantes do País, também é usado para fraudar o faturamento do cinema no Brasil. “É sabido que muitas carteirinhas são falsificadas, e isso prejudica o mercado de exibição no Brasil e, conseqüentemente, diminui oportunidades de investimento do setor. No Brasil, apenas oito por cento dos municípios possuem salas de cinema, ou seja, há uma enorme oportunidade de crescimento que fica prejudicada pela pirataria e pela falsificação das carteiras de estudante”, conta o coordenador.

De acordo com Valério, que é integrante da APCM (Associação Anti-pirataria Cinema e Música), o cinema nacional perde anualmente US$ 198 milhões com a pirataria. “Para se ter uma idéia, Tropa de Elite, vendeu cerca de 1 milhão de cópias piratas, o que pode significar que 1 milhão de pessoas deixaram de ir ao cinema ver a produção”.

Cinema de graça

Para incentivar a ida ao cinema, principalmente em produções nacionais, a rede Cinemark realiza o Projeta
Brasil nesta segunda-feira (5), data em que se comemora o “Dia do Cinema Brasileiro”. Na ocasião, a rede dedica um dia inteiro ao cinema nacional, exibindo em todas as suas salas recentes produções do País com ingressos a R$ 2.

A programação será exibida em 358 salas dos 43 complexos da rede, com filmes lançados entre novembro de 2006 e outubro de 2007. Toda a verba será revertida para projetos de incentivo ao cinema.

De acordo com o presidente da Cinemark, Marcelo Bertini, o projeto – que acontece há 7 anos – é uma forma da empresa renovar o compromisso assumido pela empresa para apoiar o cinema brasileiro.

Estudante não paga

Já o governo de São Paulo está incentivando o cinema nacional e o acesso de estudantes às salas de projeção por meio do programa Vá ao Cinema, que está funcionando em 15 cidades paulista.

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Por meio dessa ação, o Governo Estadual distribuíra 300 mil vale-ingressos que possibilitarão aos alunos o acesso, sem nenhum custo, às produções cinematográficas brasileiras. “Os benefícios são culturais para as crianças, que terão ampliado seu acesso ao cinema. Por outro lado, o cinema nacional é beneficiado, na medida em que amplia seu público”, disse o governador José Serra.

Os exibidores, com participação no programa, serão obrigados a transmitir o filme pelo menos duas vezes ao dia, nos períodos da tarde e da noite. Cada exibidor será reembolsado em R$ 3 por vale recebido na bilheteria do cinema.

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