Perspectivas

IPCA de março, ata do Fomc e greve no Banco Central: o que acompanhar na semana

Tudo o que o investidor precisa saber antes de operar na semana

Por  Mitchel Diniz -

Na primeira semana cheia de abril, o Ibovespa terá o desafio de manter o ritmo de alta no qual embarcou ao longo dos três primeiros meses do ano. Até a última sexta-feira, o índice acumulava quase 16% de valorização em 2022. Mas os próximos dias podem revelar um cenário inflacionário mais grave do que se imagina, com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), referente a março.  O dado é o principal destaque na agenda desta semana e está previsto para sexta-feira (8).

O Itaú espera que o índice venha com uma variação positiva de 1,33% em relação a fevereiro, levando a taxa de 12 meses a 10,98%. “A leitura será pressionada por preços regulados, refletindo, principalmente, os ajustes anunciados pela Petrobras em meados de março”, diz análise do Itaú. Na visão do banco, itens fora do núcleo da inflação, como alimentação em casa e veículos novos e usados também podem seguir pressionados. Já o núcleo da inflação, de bens e serviços, devem se manter em níveis elevados, “sem mostrar sinais de desaceleração”.

“É importante notar que essa leitura está sujeita a um alto grau de incerteza, por conta de aumentos nos preços dos combustíveis e a dificuldade de avaliar repasses das refinarias para os consumidores finais”, avalia o banco. Na quarta-feira (6) sai o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), da Fundação Getúlio Vargas, e o Itaú prevê uma crescimento de 2,4% mensal em março, levando o índice de 12 meses para 15,6%. “A leitura será pressionada por preços agrícolas no atacado e por combustíveis, como gasolina e diesel”.

Também na sexta-feira saem os dados de produção agrícola pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os números de março da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O mercado também acompanha o andamento da greve de servidores do Banco Central, que começou na última sexta-feira. O Relatório Focus, com previsões dos economistas, não será divulgado na segunda-feira (4). Outros dados também não serão divulgados nas datas previstas. O mesmo vale para o Indeco (Indicadores Econômicos) e o Relatório de Poupança. “Oportunamente, informaremos as datas de suas respectivas publicações. O aviso sobre as novas datas será dado com pelo menos 24 horas de antecedência”, disse o comunicado do BC.

Política e internacional

Na seara política, atenção total para as próximas pesquisas eleitorais. Depois que o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro deixou o o Podemos para ingressar no União Brasil, a corrida presidencial ficou mais movimentada. A última semana também foi marcada pela renúncia de João Dória ao governo de São Paulo para concorrer ao cargo de presidente da República, na votação de outubro.

No exterior, a agenda de indicadores é relativamente fraca. Nos Estados Unidos, o destaque é a ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Banco Central americano (Fomc, na sigla em inglês). A divulgação da minuta está prevista para quarta-feira. “A ata do Fomc provavelmente vai incluir detalhes conclusivos sobre o aperto quantitativo, preparando terreno para um anúncio na reunião de maio”, diz Ethan Harris, economista do Bank of America, em relatório.

Após a divulgação dos principais dados do mercado de trabalho americano, investidores acompanham dados sobre estoques de petróleo no país, que virão a público na terça-feira (5) e na quarta-feira (6). Também será divulgada uma série de PMIs (índices de gerentes de compras), nos EUA, Europa e Ásia. A União europeia reporta números do varejo na quarta-feira.

O mercado também vai seguir monitorando o andamento dos conflitos na Ucrânia e as possibilidades de negociação sobre um cessar-fogo com a Rússia. Além disso, o avanço da Covid-19 na China e a possibilidade de novas medidas restritivas também estão no radar.

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