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A possível reformulação do Ibovespa pode transformar o principal índice da Bolsa brasileira em um benchmark mais diversificado, com maior exposição a empresas de tecnologia e crescimento, de acordo com relatório de estrategistas do Bradesco BBI chamado “O índice mais barato do mundo torna-se mais inteligente”.
A B3 estuda duas mudanças estruturais: a modernização da metodologia do índice — incluindo BDRs (recibos de ações de empresas negociadas no exterior) de companhias com forte presença no Brasil — e a ampliação da cobrança de taxas de licenciamento para fundos que utilizam seus índices como referência.
De acordo com o banco, sete BDRs seriam elegíveis sob os novos critérios, entre eles Nubank (ROXO34), Mercado Livre (MELI34), XP (XPBR31) e JBS (JBSS32). A inclusão desses papéis poderia alterar significativamente a composição do índice, hoje concentrado em setores como financeiro e energia.
“O Ibovespa não passa por mudanças relevantes desde 2014, e a distância em relação à economia real só cresceu desde então”, apontam Pedro Grimaldi e equipe, que assinam o relatório.
Menor concentração e mais tecnologia
Pelos cálculos dos estrategistas do BBI, a entrada dos novos papéis geraria uma diluição ampla, mas controlada. Nenhuma empresa perderia mais do que 2,5 pontos percentuais de participação.
Ainda assim, nomes relevantes veriam redução de peso, como Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e Itaú Unibanco (ITUB4). A VALE3 passaria de uma participação de cerca de 11,7% para 9,1%, a PETR4 de 7,1% para 5,6% e a ITUB4 de 8,8% para 6,9%; os cerca de 11 p.p. de nova participação no índice são obtidos predominantemente pela compressão da categoria “Outros” e por uma diluição pequena e amplamente distribuída entre todos os nomes já existentes — a economia dessa reforma parece consideravelmente melhor do que a de ciclos anteriores de reformulação do Ibovespa, justamente porque nenhuma empresa atual enfrenta uma redução drástica e disruptiva de peso.
A principal mudança, no entanto, viria da inclusão do Mercado Livre. Sem a empresa, o índice ficaria ainda mais concentrado em instituições financeiras. Com ela, haveria maior equilíbrio setorial, com aumento da participação de consumo discricionário.
A reforma também poderia destravar fluxos relevantes. Considerando cerca de R$ 300 bilhões em ativos atrelados ao Ibovespa, o BBI estima uma demanda adicional de aproximadamente R$ 13 bilhões em compras, especialmente concentradas em Nubank e Mercado Livre.
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O movimento, porém, tende a ser gradual. Isso porque fundos de pensão — importantes investidores no mercado local — têm restrições regulatórias que limitam a exposição a BDRs.
De “value” para “growth”
Outro efeito relevante seria a mudança no perfil do índice. Hoje negociado a cerca de 8,5 vezes lucro futuro, o Ibovespa é considerado o índice mais barato entre os principais mercados globais. Com a inclusão dos novos papéis, esse múltiplo poderia subir para até 14 vezes, refletindo o peso maior de empresas de tecnologia e crescimento.
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Ao mesmo tempo, o retorno via dividendos cairia de cerca de 6% para próximo de 2%, em linha com companhias que reinvestem mais seu caixa.
Na avaliação da equipe de estrategistas do BBI, o índice passaria a ter características mais próximas de um portfólio “growth e quality” (crescimento e qualidade), deixando de ser predominantemente “value”.
Apesar das mudanças, o impacto financeiro direto para a B3 tende a ser modesto. A ampliação das taxas de licenciamento poderia adicionar cerca de R$ 72 milhões à receita anual, o equivalente a cerca de 1% do faturamento projetado. O principal risco, segundo o relatório, seria a migração de gestores para índices alternativos caso os custos aumentem rapidamente.
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