B3 discute “reforma” do Ibovespa e avalia cobrar pelo uso do índice, diz site

Eventual mudança pode criar uma nova fonte de receitas recorrentes para a B3

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Divulgação)
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A B3 avalia uma ampla revisão da metodologia do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, com o objetivo de torná-lo mais representativo da economia nacional e alinhado às práticas adotadas por índices internacionais, segundo reportagem do Brazil Journal.

Entre as mudanças em estudo estão a inclusão de BDRs ( recibos de ações de empresas estrangeiras negociados na Bolsa brasileira) na carteira teórica do indicador e a cobrança pelo uso do índice como benchmark por gestores de fundos.

Segundo Luiz Masagão, vice-presidente de produtos e clientes da B3, a Bolsa vem realizando estudos comparativos com índices globais para desenvolver uma metodologia mais moderna. As propostas ainda estão em fase de discussão com participantes do mercado e deverão passar por consulta pública antes de qualquer implementação.

Uma das alterações analisadas é a inclusão dos BDRs. Caso a medida avance, o Ibovespa poderia passar a refletir companhias com forte presença no Brasil, mas listadas no exterior, como Nubank (BDR: ROXO34) e Mercado Libre (BDR: MELI34). A proposta, contudo, enfrenta desafios regulatórios, já que fundos de pensão possuem restrições para investir nesses ativos.

As discussões ocorrem em meio a críticas recorrentes sobre a composição do Ibovespa. Atualmente, o índice privilegia critérios de liquidez e valor de mercado do free float, o que resulta em forte concentração em bancos e empresas ligadas a commodities. Juntos, esses setores representam cerca de metade da carteira teórica do indicador.

O Ibovespa passou por sua última grande reformulação em 2014, quando a ponderação das ações passou a considerar o free float e foram excluídas as chamadas penny stocks. Desde então, a metodologia sofreu apenas ajustes pontuais.

Paralelamente, a B3 também avalia ampliar a monetização do índice. Hoje, a Bolsa cobra pelo uso do Ibovespa apenas em ETFs. A ideia em estudo é estender essa cobrança a fundos de investimento que utilizam o indicador como referência de desempenho, prática já adotada por provedores globais de índices como MSCI Inc. e S&P Global.

A eventual mudança pode criar uma nova fonte de receitas recorrentes para a B3, menos dependente dos volumes negociados no mercado, ao mesmo tempo em que busca modernizar o principal termômetro da renda variável brasileira.