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SÃO PAULO – O investidor posicionado no fundo ETF (Exchange Traded Fund) de dividendo – que temia corrosão de seus ganhos no mês devido às abruptas quedas das ações de energia elétrica – já pode ter um alívio: o benchmark apresentou leve alta de 0,66% no mês, impulsionado pelo avanço de ações dos setores financeiros, de mineração e siderúrgico, que detêm as maiores fatias de participação. No ano, o índice de dividendos acumula alta de 10,15%. Já o IEE (Índice de Energia Elétrica) caiu 8,27% no mês e 7,73% desde janeiro.
Durante o acumulado do mês, esses setores se destacaram entre as valorizações mais expressivas do Ibovespa, neutralizando o impacto negativo das elétricas. No saldo anual, o índice que acompanha as ações consideradas boas pagadoras de dividendos marca alta de 11,76%, enquanto o Ibovespa subiu 5,57% no mês e 6,14% no ano.
Segundo definição da BM&FBovespa, o Índice de Dividendo é composto pelas empresas listadas na Bolsa que apresentaram os maiores “dividend yields” nos últimos 24 meses anteriores a seleção da carteira.
De acordo com a Bolsa, são selecionados os seguintes critérios para a criação do portfólio de proventos: ações cujos índices de negociabilidade somados representem 99% do valor acumulado de todos os índices individuais e participação em termos de presença em pregão igual ou superior a 95% no período. A mesma empresa pode ter mais de uma ação participando da carteira, desde que cada ação atenda isoladamente aos critérios de inclusão.
A forte participação de empresas não-elétricas justifica esse movimento. Apenas a Vale detém cerca de 20%, distribuida em suas ações preferenciais classe A (VALE5), de maior peso, e ordinários (VALE3). Outras empresas que têm grande participação no índice são: Banco do Brasil (BBAS3; 8,183%), BM&FBovespa (BVMF3; 8,973%), CSN (CSNA3; 3,059%), Natura (NATU3; 3,43%) e Santander (SANB11; 5,082%). A mineradora, líder de participação no benchmark, terminou setembro com valorização de 9,18% em suas ações ordinárias e de 8,05% em seus papéis preferenciais.
Os pacotes de investimento anunciados nos Estados Unidos, China e Japão animaram os investidores com ações da Vale, por acreditarem que o minério de ferro poderá ter apreciação no médio prazo. O mercado ainda enxergou os papéis como pechinchas em relação às demais companhias do setor. Siderúrgicas seguiram o otimismo com expectativa de maior demanda pelo aço.
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O Índice de Energia Elétrica, por outro lado, recua 7,62% no mês. Desde que a presidente Dilma Rousseff anunciou o novo pacote para o setor, algumas das ações vêm aprofundando perdas. É o caso de Cesp (CESP6), Transmissão Paulista (TRPL4) e Cemig (CMIG4), cujos papéis recuaram 42,61%, 35,69% e 34,56% no mês, nesta ordem.
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Boas oportunidades fora do setor elétrico
Logo após as declarações do governo, o BTG Pactual listou ações atraentes fora do setor elétrico, incluindo além dos setores já mencionados, ações de telefonia e de saúde. “Com tanta coisa acontecendo no setor, tem crescido as incertezas sobre fortes pagadores de dividendo, mas ainda vemos bom potencial para empresas atreladas a setores de utilidade, que serão, porém, menos afetadas com as mudanças divulgadas”, disseram os analistas do banco de André Esteves, na época.
Segundo a instituição, a Vale, que tem yield de 6,5%, deve pagar US$ 6 bilhões em dividendos no ano que vem – montante igual ao distribuído neste ano, apesar de realçarem que o caixa da companhia será pressionado pelo preço mais baixo do minério de ferro neste ano. Além disso, o banco destaca Cielo (CIEL3), que pagará 5,8% de dividendo yield, e a BM&FBovespa (BVMF3), a qual eles esperam pagamento de 4,9% em 2013. Bancos médios e construtoras também devem ter pagamentos interessantes, avalia o banco.
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O time de análise do Bank of America Merrill Lynch também apontou oportunidades fora do mundo das elétricas. “Tendo em vista que a perspectiva de queda da taxa básica de juros, os investidores devem buscar empresas que sejam boas pagadoras de dividendos ou que tenham estabilidade de fluxo de caixa como alternativa”, recomendaram os analistas Felipe Hirai, Renato Onishi e Marina Valle, em relatório publicado na segunda metade de setembro. Sabesp (SBSP3), CCR (CCRO3), Ultrapar (UGPA3), Souza Cruz (CRUZ3) e Ambev (AMBV4) estão entre as citadas pelo BofA
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