Incorporadora Trisul troca comando pela 1ª vez em 4 décadas

O cargo de CEO foi para João Azevedo, na companhia há dois anos, como vice-presidente de operações

Estadão Conteúdo

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Lançamento no eixo da Vila Mariana/
Lançamento no eixo da Vila Mariana/

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A Trisul (TRIS3), uma das incorporadoras mais tradicionais do mercado imobiliário paulistano, fez a sua primeira troca no comando em mais de 40 anos. O fundador e presidente executivo, Jorge Cury, deixou o cargo para assumir a presidência do Conselho de Administração no lugar do seu sócio, Michel Esper Saad Junior, que ficará como vice.

O cargo de CEO foi para João Azevedo, na companhia há dois anos, como vice-presidente de operações.

A Trisul é resultado da fusão entre a Tricury e a Incosul, que ocorreu em 2007. Jorge Cury, fundador e presidente da Tricury, permaneceu na comando das operações.

A troca anunciada na semana passada é resultado de um planejamento iniciado há dois anos, quando Azevedo chegou à empresa com esse intuito, a convite de Cury.

Azevedo trabalha há quase 30 anos no mercado imobiliário, tendo sido C-level (alto executivo) na Gafisa e na Even.

“O João Azevedo assume a liderança com energia e uma geração nova a ser capitaneada por ele”, disse Cury, ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. “É uma mudança administrada, preparada e confirmada hoje.”

“Aqui não tem ruptura. O Jorge Cury não se afasta da empresa. Ele continuará presente. A mensagem aqui é de continuidade, sem solavancos”, complementou Azevedo.

Estratégia

Para a Trisul, continuidade significa dar andamento à estratégia de atuar tanto no segmento econômico – dentro das faixas 3 e 4 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) – quanto no médio e médio-alto padrão, ambos na cidade de São Paulo.

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Há cerca de três anos, a incorporadora voltou a atuar no Minha Casa em virtude do aumento dos juros, que encareceram o crédito para a classe média e esfriaram as vendas. Já no programa habitacional, os financiamentos são subsidiados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que mantém o mercado aquecido.

Ao voltar para o Minha Casa, a Trisul teve que separar as equipes comerciais e de engenharia, já que os imóveis são muito distintos em cada segmento. Hoje metade dos lançamentos da Trisul são no MCMV.

“O grande desafio esteve aí, na preparação da empresa para essas operações. Hoje a empresa está pronta. O novo desafio é continuar operando bem e aproveitando as oportunidades de compras de terrenos”, disse Cury.

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No programa habitacional, a Trisul desenvolve apartamentos de até R$ 600 mil. Já no médio e médio-alto, atua na faixa de R$ 600 mil a R$ 2,25 milhões – porém mais concentrada na parte mais alta desses preços, das famílias de maior poder de compra.

“A classe média típica, que depende mais do financiamento, está hibernando”, observou Cury. “Quando os juros baixarem, queremos voltar a lançar para a classe média, porque é um mercado muito grande. Foi esse segmento que motivou os IPOs de empresas como nós, Eztec, Even e outras lá trás.”

O estoque alto de imóveis na cidade de São Paulo, acrescentou, não é uma preocupação para os incorporadores que têm imóveis considerados mais assertivos em termos de preço, planta e localização.

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