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SÃO PAULO – Por conta de impostos e contribuições que incidem sobre a importação e comercialização, fora as taxas de transporte marítimo, o Tata Nano, modelo de baixíssimo-custo lançado pela indiana Tata Motors, seria encontrado no Brasil a cerca de US$ 7 mil, contra US$ 2,5 mil em seu país de origem. A estimativa foi feita com base nas alíquotas que incidem sobre comércio exterior desses produtos, conforme tabela da Abeiva (Associação Brasileira das importadoras de veículos automotores).
O preço em potencial – exatamente aquele da década de 1990, quando o Governo criou incentivos fiscais para a produção de carros populares no Brasil – corresponderia a cerca de R$ 12 mil, com o dólar comercial valendo R$ 1,74. O modelo mais barato comercializado no mercado nacional, atualmente, é o Mille, da Fiat, saindo por algo em torno de R$ 22 mil.
Chegada distante
A chegada do Nano ao País parece estar distante da realidade. Em entrevista ao jornal Economic Times, Ratan Tata, presidente da montadora, afirmou que o Brasil é um dos países mais óbvios para receber um modelo de baixíssimo-custo. Para a chegada do auto ao Brasil, seria necessária uma parceria estratégica com a italiana Fiat. O negócio não foi confirmado pela empresa com operações no País.
“Ainda não há acordo. Mas acredito que as duas companhias têm a consciência de que, no lugar em que uma for forte, a outra tentará ser alavancada por essa força”, afirmou o presidente da Tata Motors, Ratan Tata. Outros mercados “além-mar” apontados pela indiana como consumidores em potencial são países africanos, Argentina, Malásia, Indonésia, entre outros. “Existem pessoas que acreditam na aceitação do produto na Europa, mas não é um mercado que me estimula”, completou o executivo.
Carga tributária
O presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Sérgio Reze, acredita que não é impossível a chegada
de um modelo extremamente barato ao mercado automobilístico brasileiro. Contudo, é preciso avaliar sua aceitação em potencial, bem como as características básicas do modelo.
De acordo com pesquisa do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), a carga tributária sobre a fabricação de um Chevrolet Celta, por exemplo, fica em torno de 40% do valor final. Na opinião de especialistas do setor, exatamente a alta cobrança de impostos é um desestimulante a preços menores no mercado.