Imóvel: venda e lançamento sobem em março, mas trimestre é pior que 2008

Nos três primeiros meses deste ano, foram vendidos 4,8 mil imóveis, enquanto os lançamentos foram de 3,2 mil

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SÃO PAULO – Depois de um forte abalo provocado pela crise global da economia nos primeiros dois meses deste ano, o número de lançamentos e vendas do setor imobiliário na cidade de São Paulo começa a mostrar recuperação no mês de março.

De acordo com pesquisa divulgada nesta quarta-feira (20) pelo Secovi-SP (Sindicato da Habitação), em março, foram comercializados na capital paulista 2.162 imóveis novos, número que havia sido de 1.556 em fevereiro e de 1.113 em janeiro.

Quando analisados os lançamentos, com base em dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio), foram 1.561 unidades em março, ante 1.211 em fevereiro e 382 em janeiro deste ano.

Quadro se inverte

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O economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, disse que o mercado imobiliário agiu como os demais agentes econômicos, retraindo fortemente suas atividades, para avaliar o que ocorreria com a economia (diante da crise), o que ficou claro no movimento dos lançamentos.

A reversão do quadro, de acordo com ele, não tardou a acontecer. “Uma situação que combina estabilidade de preços, taxas de juros se aproximando de um dígito, menor desemprego em relação a outros países e reservas internacionais da ordem de US$ 200 bilhões que proporcionam melhores condições para a travessia da crise”.

Trimestre pior que em 2008

Apesar da retomada do fôlego em março, o fechamento do trimestre deste ano não é tão positivo quando comparado com o de 2008. O total de lançamentos nos três primeiros meses do ano foi de 3,2 mil unidades, ante 7 mil no ano passado.

“É importante ressaltar, porém, que 2007 e 2008 foram anos atípicos, que registraram números excepcionais, muito superiores às médias históricas, o que tem levado o Secovi-SP a usar 2006 como base de comparação. No primeiro trimestre daquele ano, o volume de lançamentos residenciais foi de 2,7 mil unidades, 13% abaixo do resultado dos três primeiros meses de 2009”, explicou Petrucci.

A comercialização de imóveis residenciais novos ultrapassou a marca de 4,8 mil unidades no primeiro trimestre deste ano, mas ainda foi aquém do verificado em 2008, com 8,5 mil imóveis no mesmo período. Uma sondagem feita com empresários mostrou a expectativa de crescimento nas vendas de imóveis novos entre 20% e 25% em abril.

De acordo com o vice-presidente de Tecnologia e Relações de Mercado do Secovi-SP, Alberto Du Plessis, o número de vendas superior ao de lançamentos, no primeiro trimestre deste ano, reflete no saldo de imóveis disponíveis. “Essa tendência já vinha sendo observada desde fevereiro e aumenta a percepção de que o crescimento de estoque registrado nos últimos meses de 2008 começa a ser compensado com as vendas deste ano”.

Fechamento do ano

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O programa Minha Casa, Minha Vida, além da grande disponibilidade de recursos, deve dar ao mercado imobiliário parte do vigor observado em 2008. Com isso, é esperado um lançamento de 28 mil unidades na cidade de São Paulo e a comercialização de 29 mil imóveis até o final do ano.

O ritmo de vendas, medido pelo indicador VSO (Vendas sobre Oferta), deve encerrar 2009 na casa dos 12%, contra os 10,6% de 2007 e os 13,9% de 2008. No primeiro trimestre, esse indicador atingiu a média de 8%, em linha com os 8,1% de 2006.