Imobiliárias caem mais de 14% na semana e lideram perdas do Ibovespa

Cenário macroeconômico pressiona e cria aparente boa oportunidade para papéis; IMOB recuou 10,4%, enquanto Ibovespa caiu 7%

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SÃO PAULO – As ações do setor imobiliário destacaram-se na ponta perdedora do Ibovespa na semana que se estendeu de 19 a 23 de setembro, com cinco empresas do setor figurando entre as seis maiores quedas do índice no período.

No último lugar, aparecem os papéis da Brookfield (BISA3), com queda de 18,10%, cotados a R$ 5,52. Gafisa (GFSA3; -17,48%, R$ 5,95) e Rossi Residencial (RSID3; -17,35%, R$ 9,43) aparecem logo depois com quedas de mais de 17%, enquanto que Cyrela (CYRE3) e MRV (MRVE3) recuaram 14,27%, e 14,22%, respectivamente, com a ação valendo R$ 12,20 e R$ 10,50, nessa ordem. A única exceção dentre as maiores quedas do Ibovespa ficou com a Marfrig (MRFG3), que viu seus papéis terem a quarta pior performance do índice na semana (-17,28%), cotados a R$ 6,51.

Vale mencionar que o IMOB, índice de ações que acompanha as empresas do setor imobiliário, recuou 10,4% na semana, desemepnho bem pior que o do benchmark da bolsa brasileira, que recuou 6,96% nos últimos cinco pregões.

Volatilidade do setor
Os temores com a situação da dívida europeia e em relação a uma possível recessão nos Estados Unidos levaram a uma crescente preocupação, fazendo investidores migrarem de ativos mais inseguros, como o mercado acionário, para aqueles tidos como mais seguros, como o dólar. O setor imobiliário, como um dos mais voláteis e dependentes de bons momentos econômicos, é um dos primeiros a sofrer.

Alguns dos papéis dessas empresas chegaram a atingir suas mínimas anuais na quinta-feira (22), fator que pode ter gerado uma boa oportunidade de entrada nesse tipo de investimento, visto que esse tipo de ativo agora opera abaixo das sua médias históricas. “Acredito que o setor esta subprecificado, esse movimento de curto prazo é mais de reajuste de posição”, afirma Renato Campos, analista da Técnica Assessoria de Mercado de Capitais.

Tendo esse cenário como pano de fundo, o Goldman Sachs aumentou a sua recomendação para o setor imobiliário, para “overweight” (exposição acima da média), destacando os valuations atrativos e os fortes fundamentos dessas companhias. “Nós continuamos a acreditar que as perspectivas de longo prazo para crescimento, o suporte político e os múltiplos descontados justifiquem o investimento em empresas do setor”, afirma o banco.

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Inflação e dólar em alta também prejudicam
Mesmo com a boa sessão na sexta-feira, esses papéis continuaram a se situar entre as maiores quedas semanais. Além do dólar em patamares muito altos – o que acaba beneficiando empresas voltadas à exportação -, o setor também sentiu os efeitos negativos do avanço maior que o esperado do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) divulgado na semana passada, o que aumentou ainda mais a incerteza do mercado acerca da inflação brasileira.

Uma aceleração no ritmo do avanço de preços traz preocupação aos investidores, já que visto um ambiente de descontrole inflacionário, as projeções de margens das construtoras ficam mais difíceis de serem calculadas, aumentando os níveis de incerteza em relação aos seus resultados e, consequentemente, ao desempenho das ações.