Shoppings centers

Iguatemi (IGTI11) espera momento oportuno para participar do movimento de fusões e aquisições, diz CEO

Em entrevista ao InfoMoney, Cristina Betts disse que não vê ameaça em fusão de BrMalls e Aliansce Sonae

Por  André Cabette Fábio -

Nem mesmo o avanço da fusão entre BrMalls (BRML3) e Aliansce Sonae (ALSO3) deve acelerar o processo decisório da Iguatemi (IGTI11) dentro do jogo de consolidação que está acontecendo agora no setor de shoppings centers.

Em entrevista ao InfoMoney, a CEO da Iguatemi, Cristina Betts, disse que a empresa pretende participar do movimento de consolidação, mas “quando for oportuno”, por avaliar que o cenário atual é “instável” e “desafiador”, com juros altos e inflação.

Segundo ela, a recente reestruturação societária do grupo visa exatamente a consolidação de mercado, a exemplo da união entre BrMalls e Aliansce Sonae, anunciada no final de abril, que ainda depende de aprovação de acionistas e do Cade.

No jargão empresarial, “consolidação de mercado” significa a concentração de um setor em um número menor de empresas, criando companhias resultantes de maior porte.

Iguatemi e Brookfield

O grupo canadense Brookfield vem sondando o setor sobre a venda de seu portfólio de shoppings, e tem parceria com o Iguatemi no Shopping Pátio Higienópolis. Mas, segundo Betts, na terça-feira o Brookfield anunciou que está “retirando o time de campo”, “exatamente porque o cenário é incerto” e “é difícil dizer o que é preço”.

Novas conversas dependem “mais da Brookfield do que da gente”, afirmou a executiva. Mais cedo, na teleconferência sobre a divulgação de resultados da Iguatemi, Betts já havia afirmado que as condições pioraram neste primeiro trimestre, e que a empresa pretende retomar fusões e aquisições em momentos mais propícios.

Na entrevista, ela reforçou que não vê uma “ameaça muito grande” na fusão entre BrMalls e Aliansce Sonae, à medida que a Iguatemi tem um portfólio distinto, mais focado em público médio e alto.

“Continuaremos atraindo porque temos um público de altíssima qualidade”, disse. Assim, empresas que querem se posicionar no Brasil são muitas vezes atraídas a vitrines em espaços geridos pela Iguatemi.

Impacto Infracommerce

A Iguatemi teve prejuízo líquido de R$ 16,4 milhões no primeiro trimestre de 2022, revertendo lucro de um ano antes. O resultado foi pressionado pela desvalorização da fatia da companhia na Infracommerce (IFCM3), cujo preço das ações está se desvalorizando.

Excluindo o efeito da queda no valor das ações da empresa de infraestrutura de software para comércio eletrônico, a Iguatemi teria lucro líquido de R$ 40,9 milhões de janeiro a março.

Ao InfoMoney, Betts disse que, atualmente, a Iguatemi tem posição de cerca de 11% na Infracommerce – em abril de 2021, antes da IPO, eram 16%.

No entanto, disse que, pelo preço do momento da aquisição da participação, realizada por meio de um fundo de investimentos, a Iguatemi ainda tem um resultado “bastante positivo”, e que a companhia continua vendo o investimento como “interessante”. “É um investimento sólido, mas uma indústria volátil.”

Ela defendeu que os resultados da Infracommerce são consistentes, com melhora significativa de receitas, e afirmou que não há planos para se desfazer dos ativos, que disse ver como excessivamente descontados.

Recuperação dos aluguéis

Ao InfoMoney, Guido Barbosa de Oliveira, CFO e diretor de relações com investidores da Iguatemi, afirmou que a empresa obteve um ajuste médio de 48,7% nos aluguéis no primeiro trimestre de 2022 frente ao mesmo período de 2019, antes dos efeitos da pandemia.

O ajuste ainda fica abaixo dos índices de inflação aplicados pela empresa, de cerca de 50% no período. Em abril, o ajuste ficou levemente acima da inflação frente a 2019, afirmou a CEO Cristina Betts.

Conforme ela, os aluguéis são calculados a partir de um preço mínimo somado ao percentual sobre as vendas, com subtração de descontos oferecidos pela Iguatemi aos lojistas. Quanto melhor o desempenho de vendas, acima do mínimo necessário para pagar pelo piso, maiores os aluguéis pagos.

De acordo com Oliveira, a Iguatemi já suspendeu os descontos fornecidos à maioria dos lojistas durante a pandemia. Mas alguns setores continuam a se beneficiar, como determinadas alamedas de serviços e cinemas, “que ainda não voltaram 100%”.

Em análise divulgada mais cedo, a XP ressaltou que a receita de locação acelerou, atingindo R$ 198 milhões (alta de 42,8% ante 2019), impulsionada pela redução de descontos para os lojistas, mantendo uma inadimplência líquida saudável de 5,3% (queda de 6 pontos versus o 1T21).

Segundo Betts, no primeiro trimestre, a empresa viu alta de 15% nas vendas frente a 2019, e em abril, avanço de 31%. A CEO afirmou que os clientes frequentadores de seus shoppings, de renda média e alta, são “mais inelásticos”, de forma que a companhia tem um desempenho contracíclico. “Temos um cenário mais difícil, mas o cliente continua mais resiliente”.

Tanto na teleconferência quanto na entrevista, a CEO afirmou que há uma mudança no comportamento do consumidor. Segundo a executiva, após as restrições de deslocamento por conta da pandemia, os clientes da Iguatemi constataram que não há necessidade de se deslocar para Europa ou Estados Unidos para adquirirem de grandes marcas.

Quase todas estão presentes no Brasil, e já não há atraso na mudança de coleções, reforçou ela. “Quem viajar para Nova York verá o mesmo produto” que no Brasil pelo mesmo preço, mas no mercado local há possibilidade de “parcelar em dez vezes”, defendeu Betts.

Ela disse que uma parcela maior dos gastos desse público com trânsito internacional começou a ser capturada durante a pandemia, quando esses clientes continuaram a gastar nos shoppings, apesar de permanecerem períodos menores circulando.

Recuperação do fluxo

Segundo o CFO da Iguatemi, após o fim de medidas como exigência de uso de máscaras e medição de temperatura, o fluxo de pessoas nos shoppings voltou ao patamar de 2019. O de veículos, no entanto, continua menor, e o faturamento com estacionamentos está 7% abaixo, na mesma base de comparação. Apesar disso, ele afirmou que espera que o faturamento com estacionamentos supere aquele de 2019 no segundo trimestre.

A CEO Cristina Betts disse que, no médio e no longo prazo, no entanto, a empresa espera queda do fluxo de veículos por conta do uso de outros modais, como aplicativos de veículos, bicicleta e patinete.

Aplicativo

Na entrevista, Bett afirmou que, 50% das vendas do e-commerce Iguatemi 365, ocorrem em locais onde a empresa não possui shoppings, como Manaus, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Ela afirmou que a Iguatemi não lançou um aplicativo até o momento porque haveria “um caminhão de coisas para consertar”.

Isso poderia trazer dificuldades, já que seria necessário que os consumidores atualizassem as ferramentas para que as mudanças fossem implementadas.

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