Combinação de negócios

Fusão de brMalls (BRML3) e Aliansce (ALSO3) destrava valor para ações e reduz desconto em relação a concorrentes, dizem analistas

Nova empresa bate as demais em termos de área bruta de locação, mas valor de mercado da Multiplan ainda é superior

Por  Mitchel Diniz

Depois de três tentativas de combinação de negócios, o conselho de administração da brMalls (BRML3) cedeu às investidas da Aliansce Sonae (ALSO3), recomendando aos acionistas aprovar a fusão entre as duas companhias. A proposta aprovada representa um aumento de 17,2% em relação à oferta feita originalmente pela Aliansce, em janeiro deste ano.

A operação resultará na incorporação, pela Aliansce Sonae, da totalidade das ações da brMalls. Em contrapartida, os acionistas da brMalls vão receber 326,34 milhões de novas ações ordinárias da Aliansce, equivalente a 55,13%, e parcela em dinheiro de R$ 1,25 bilhão, correspondentes a R$ 1,509163 por ação.

Os presidentes das duas companhias participaram de uma breve teleconferência hoje à tarde, fechada para perguntas, e afirmaram que a fusão deve destravar valor para ambas. No último dia 30 de março, em teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre, a Aliansce Sonae apresentou projeções de R$ 210 milhões em sinergias com a fusão. Após a aprovação do conselho, a combinação de negócios também precisa do aval dos acionistas das duas empresas em assembleias até o dia 9 de junho.

Para Flávio Conde, head de renda variável da Levante Ideia de Investimentos, apesar das negativas da brMalls, era só uma questão de tempo para que as empresas se unissem. Para ele, o negócio faz todo o sentido para os dois grupos e, em termos de ações, a operação reduz o desconto da nova companhia em relação às concorrentes listadas em Bolsa, que têm maior prêmio sobre valor patrimonial: Multiplan e Iguatemi.

“Além disso, a ação da nova companhia vai ter mais liquidez, o que aumenta o interesse do investidor estrangeiro, que é quem faz preço na Bolsa. Com isso, a tendência é que haja uma menor diferença entre o preço do papel da nova empresa e as concorrentes”, afirma Conde.

Para Priscila Cardanha, sócia da Fortezza Partners, a fusão forma uma “companhia muito forte geograficamente”, com atuação em praticamente todos os Estados do país. A área bruta locável (ABL) das empresas combinadas será de 1.627 mil metros quadrados: mais que o dobro da Multiplan e quase quatro vezes a do Iguatemi.

“A combinação resulta no maior operador de shoppings no Brasil, com maior poder de negociação com lojistas, ganho de escala e sinergia de custos”, diz Priscila. A especialista calcula que a transação aceita pela brMalls movimente pouco mais de R$ 8 bilhões, considerando o o preço do papel da Aliansce em 18 de abril (R$ 21,02) e um prêmio de 12,07% sobre a ação da brMalls.

Ainda que o valor patrimonial da nova companhia (R$ 17,2 bilhões) ultrapasse com folga o das concorrentes, o valor de mercado da Multiplan, hoje acima de R$ 14 bilhões, seria maior. A combinação de Aliansce Sonae e brMalls, por sua vez, resulta em uma empresa com valor de mercado de R$ 13,6 bilhões.

“Multiplan e Iguatemi têm mais shoppings de alta renda em suas carteiras. São lojistas mais voltados para a classe A, que lidem com menos inadimplência e são mais resilientes a crises”, explica Priscila.

Quem acompanhou as tentativas anteriores de fusão entre Aliansce e brMalls sabe que o processo foi conturbado. A brMalls chegou a tentar a barrar a Aliansce, sua acionista, no conselho e o Cade limitou o poder de voto da empresa. Mas agora, o clima conturbado precisa ficar para trás.

“De uma certa forma é comum você ter desacordos até chegar em uma transação que agrade a ambos. Mas uma boa parte do valor do negócio depende de implementação de sinergias rápidas e isso depende de uma relação fluida entre as duas partes”, conclui Priscila.

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