Idec critica reajuste dos convênios médicos: alíquota ainda é maior que inflação

O aumento autorizado nesta sexta-feira pela ANS foi de 5,76% – contra 9% estimados por vários setores da sociedade

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – De um lado, a Agência Nacional de Saúde Suplementar comemora que o reajuste autorizado nesta sexta-feira (08) para os planos de saúde, fixado em 5,76%, é o menor dos últimos seis anos. Do outro o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) criticou o aumento, lembrando que, apesar de estar abaixo dos 9% estimados, ainda é o dobro da inflação do período, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (2,58%).

“É importante, na hora de analisar o aumento, não levar em consideração os índices absolutos, mas o que significam na realidade da economia. E estamos em uma situação de desaceleração da inflação”, afirmou Daniela Trettel, advogada do Idec.

Alíquota

A alíquota será empregada aos planos individuais novos, que representam 15% da carteira total de clientes (45,6 milhões de pessoas). Os 75% restantes correspondem a contratos antigos (anteriores a 1999) e a coletivos.

“Levando em consideração que no ano passado a inflação foi de 4,6% e o reajuste de 8,89%, este ano, em proporção, o aumento foi maior”, adicionou Daniela. “O Idec entende que a metodologia da ANS é inadequada porque continua a aplicar aos individuais a média dos contratos coletivos”, disse.

Segundo o órgão de defesa do consumidor existe um histórico de encarecimento dos convênios médicos acima da inflação: enquanto de 2000 a 2006 a variação acumulada do IPCA foi de 70,7%, os contratos novos de planos de saúde ficaram 86,17% mais caros.

Orçamento e preço

É importante lembrar que os gastos com convênio médico representam, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 10% do orçamento familiar.

Levando em consideração que a média das mensalidades dos planos é de R$ 82,95, com a alíquota o preço cobrado passará a ser de pouco mais de R$ 87.

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