ICV-Dieese: veja como ele é calculado e como pode ser usado

O índice analisa a evolução de preços na cidade de São Paulo de acordo com o peso de cada gasto no orçamento das famílias

Flavia Furlan

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SÃO PAULO – Todos os meses o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) publica o Índice de Custo de Vida para a cidade de São Paulo. Se isso não é novidade para muitos, talvez a forma de cálculo do indicador de preços ao consumidor possa ser.

O ICV é baseado em uma pesquisa de orçamentos familiares que foi concluída pelo Dieese em julho de 1996, a primeira disponível no Brasil desde o início do Plano Real. Nela, avaliou-se a estrutura das finanças das famílias, com dados de consumo de bens e serviços e o tipo de despesas, além de registrar informações de renda, ocupação, educação e condições de moradia.

“Para fazê-la, nós realizamos uma pesquisa entre 1994 e 1995 para saber como as famílias faziam os seus gastos no período de um ano”, contou a coordenadora do ICV, Cornélia Nogueira Porto.

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Depois de coletados os dados, o que se fez foi avaliar o peso de cada gasto – com alimentação, transporte, habitação, educação e leitura, vestuário e saúde – no orçamento total das famílias e acompanhar os preços dos itens que fazem parte de cada gasto, para ver qual o movimento deles e como tem afetado o bolso dos paulistanos.

Estratos de renda
Mas o ICV vai além do cálculo geral do custo de vida na cidade de São Paulo. Ele separa a população paulistana em três estratos de renda, para analisar como é que a inflação tem afetado as diferentes classes sociais da cidade.

O primeiro tercil tem renda média familiar de R$ 377,40, enquanto o segundo tem renda média de R$ 934,17 e o terceiro, de R$ 2.782,90. 

Confira, abaixo, os dados sobre a pesquisa na qual se baseia o ICV-Dieese
Item Pesquisa
Período  Pesquisa mensal – dezembro de 1994 a novembro de 1995
Amostra e abrangência geográfica
  • 1.536 domicílios do município de São Paulo
  • Amostra estratificada em três faixas de renda, correspondo cada uma a um terço dos domicílios pesquisados 
Instrumental de coleta das informações
  • Questionários para caracterização da família e do domicílio, renda e situação ocupacional, das despesas com moradia, serviços, manutenção do domicílio, bens duráveis e semi duráveis, educação e cultura, saúde, veículo próprio, calçados e vestuário, transporte coletivo, lazer, serviços pessoais e etc. 
  • Cadernetas para anotação dos gastos coletivos preenchidas pelas próprias famílias e cadernetas individuais para anotação diária das despesas pessoais fora do domicílio, ambas durante um mês. 
Renda Renda média por tercil de renda e total: R$ 377,40 (1º tercil), R$ 934,17 (2º tercil), R$ 2.782,90 (3º tercil) e R$ 1.365,48 (total)
Período e coleta de preços Definição semanal dos endereços dos estabelecimentos comerciais, o que permite o cálculo quadrissemanal dos índices com os preços coletados mensalmente, do primeiro ao último dia de cada mês
Números de bens e serviços  763 bens e serviços representando mais de 90% das despesas das famílias, com aproximadamente 50 mil cotações mensais de preços. 
Base da série do ICV Base: junho de 1996 = 100 

O ICV
De acordo com Cornélia, o índice é usado para determinação de reajuste de salários, já que fornece informações sobre o poder de compra das famílias. O problema é que, como a pesquisa que o baseia é de 1996, há defasagens.

“Pode haver alguns problemas com produtos que entraram na cesta dos paulistanos, como o telefone celular e informática em geral, e que não apuramos”, afirmou ela, dizendo que por enquanto o Dieese não tem condições de fazer outra pesquisa de orçamento familiar.