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Ibovespa tem nova queda após recordes e acumula perdas de 2,55% na semana

Cenário de incerteza no Oriente Médio endossando mais uma semana de correção na bolsa paulista, após recordes renovados em meados de abril

Reuters

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Painel de cotações da B3, em São Paulo 19/10/2021 REUTERS/Amanda Perobelli/Arquivo
Painel de cotações da B3, em São Paulo 19/10/2021 REUTERS/Amanda Perobelli/Arquivo

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O Ibovespa fechou em queda nesta sexta‑feira, com o cenário de incerteza no Oriente Médio endossando mais uma semana de correção na bolsa paulista, após recordes renovados em meados de abril.

As ações da Brava Energia (BRAV3) figuraram entre as maiores quedas do dia em meio à repercussão da oferta da colombiana Ecopetrol, chegando a perder quase 8% na mínima, enquanto Usiminas (USIM5) abriu a temporada de balanços de empresas do Ibovespa com um lucro de quase R$ 900 milhões no primeiro trimestre, o que fez suas ações dispararem mais de 10% no melhor momento.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,33%, a 190.745,02 pontos, acumulando um declínio de 2,55% na semana. Na máxima do dia, marcou 191.390,33 pontos. Na mínima, chegou a 189.962,93 pontos. O volume financeiro somou R$ 25,38 bilhões.

Tal desempenho distancia um pouco mais o Ibovespa da marca inédita dos 200 mil pontos, que chegou a avistar em meados do mês, quando superou pela primeira vez os 199 mil pontos na máxima do dia 14.

A fraqueza recente na bolsa paulista é acompanhada por alguma saída de capital externo, embora o saldo no mês permaneça positivo, em R$ 11 bilhões, considerando dados até o dia 22. Até o dia 15, porém, a B3 registrava uma entrada líquida de R$ 14,6 bilhões em abril.

Investidores permanecem atentos à guerra no Oriente Médio, com o barril do petróleo chegando ao patamar de US$ 107 nesta sexta‑feira antes de reduzir o fôlego e fechar com acréscimo de 0,25%, a US$ 105,33, no caso do contrato Brent.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, era esperado na capital paquistanesa, Islamabad, nesta sexta‑feira, para discutir propostas para reiniciar as negociações de paz com os Estados Unidos, mas fontes paquistanesas disseram que ele não deveria se encontrar com os negociadores norte‑americanos no local.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, por sua vez, disse a jornalistas que o presidente dos EUA, Donald Trump, planeja mandar os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner para negociações com Araqchi em Islamabad, com a dupla partindo na manhã de sábado.

Na expectativa de algum avanço, o S&P 50, uma das referências do mercado acionário norte‑americano, subiu 0,8%, apoiado principalmente por ações de empresas de tecnologia.
De acordo com o advisor e sócio da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, além dos eventos no cenário externo, há também cautela em relação à decisão de política monetária do Banco Central na próxima semana, com a maioria do mercado prevendo uma queda de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14,75%.

DESTAQUES
Brava Energia (BRAV3) recuou 5,75%, ainda sob efeito do anúncio da véspera dos planos da Ecopetrol (ECOPETROL) de assumir o controle da petrolífera brasileira. A estatal colombiana assinou acordo para comprar uma participação equivalente a 26% do capital da empresa dos acionistas Somah Printemps Quantum Group, Jive Group e Yellowstone, e pretende lançar uma oferta pública de aquisição de ações a R$ 23 por papel para atingir uma fatia de 51%. No pior momento, os papéis caíram 7,93%.

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Usiminas (USIM5) avançou 5,55%, após reportar lucro líquido de R$ 896 milhões no primeiro trimestre, citando melhora do resultado operacional e efeitos cambiais e tributários. A siderúrgica também estimou estabilidade no Ebitda ajustado para o segundo trimestre. Executivos afirmaram que a empresa deve registrar impactos de aumento de custos no período por causa dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre insumos. No melhor momento, as ações saltaram 10,68%.

Petrobras (PETR4) caiu 1,28%, com os preços do petróleo reduzindo o fôlego no exterior. No setor, PetroReconcavo (RECV3) cedeu 1,25% e PRIO (PRIO3) perdeu 0,14%.

Vale (VALE3) recuou 0,12%, tendo como pano de fundo a variação modesta dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado em Dalian subiu 0,19%, para 786,5 iuans (US$ 115,05) a tonelada. Ainda no setor, CSN (CSNA3) avançou 0,63% e Gerdau (GGBR4) subiu 0,42%.

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Hapvida (HAPV3) avançou 5,94%, no quarto dia seguido de alta. A valorização em abril soma 39,5%. A companhia informou que seus controladores ampliaram novamente a participação, agora em 55,4% do capital — ou 58,6% excluindo ações em tesouraria. Também está no radar a assembleia de acionistas, marcada para o dia 30.

Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,3%, com agentes financeiros ainda cautelosos em relação aos resultados do banco, um dia após evento no qual a presidente‑executiva, Tarciana Medeiros, afirmou que 2026 será um ano de reestruturação e retomada do crescimento, mas com um primeiro semestre ainda “apertado”.

Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,43%, enquanto Bradesco (BBDC4) recuou 0,25% e Santander Brasil (SANB11) fechou em queda de 0,6%.

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