Bolsa

Ibovespa sobe 1% puxado pelos desempenhos de Vale e bancos; dólar volta a subir e bate R$ 5,39

Mercado registra movimento errático na esteira de protestos e respostas radicais de governantes

ações promissoras
(alexsl/Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa registra alta depois de um começo de pregão em queda nesta segunda-feira (1). A virada veio com desempenhos positivos das ações de Vale e bancos, que respondem juntas por mais de 20% da carteira teórica do índice. Para analistas, os investidores estão procurando por setores que possam ser os primeiros a se beneficiarem com a retomada da economia passado o período de isolamento social.

Com isso, a Bolsa aqui performa melhor que os mercados lá fora, que registram quase estabilidade depois dos índices Dow Jones e S&P 500 apresentarem dois meses consecutivos de ganhos. Mais cedo, o mercado americano teve um leve alento com a divulgação de que os gastos com construção nos EUA caíram 2,9% em abril, ante expectativa de queda de 7%.

Do lado político, causa incerteza a intensificação de protestos em todo o mundo. Nos Estados Unidos, o presidente americano declarou no domingo pelo Twitter que o movimento antifa seria, para ele, uma organização terrorista após manifestações contra a morte do homem negro George Floyd, que estava desarmado, por policiais. Os protestos chegaram até proximidades da Casa Branca.

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No Brasil, houve confrontos entre torcidas organizadas e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Mais protestos de movimentos antifascistas foram convocados para os próximos fins de semana.

Às 12h32 (horário de Brasília) o Ibovespa subia 1,03% a 88.285 pontos.

Fora as perspectivas para o cenário macroeconômico, o setor financeiro reflete notícias específicas como a afirmação do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que considera difícil qualquer tipo de aumento na carga tributária para compensar a queda de receita pública por causa da pandemia de coronavírus. Existem atualmente projetos no Senado para aumentar o imposto corporativo de bancos, como alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

“A fala é positiva para bancos, uma vez que tais aumentos impactam diretamente o valor dos mesmo. Um aumento de 5% a 20% na CSLL poderia diminuir o valuation dos bancos em até 27%”, destaca a XP Investimentos.

Já o dólar comercial subia 0,94%, a R$ 5,3887 na compra e R$ 5,3904 na venda. O dólar futuro para julho avança 0,86% a R$ 5,389.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 tem alta de um ponto-base a 3,14%, o DI para janeiro de 2023 cai dois pontos-base a 4,21% e o DI para janeiro de 2025 recua um ponto-base a 5,96%.

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Entre os indicadores, a projeção do PIB de 2020 passa de queda de 5,89% para baixa de 6,25%, apontou o Relatório Focus. Para 2021, a estimativa de crescimento de 3,50% para o PIB foi mantida.

A expectativa dos economistas é de que, ao final de 2020, a Selic seja de 2,25% ao ano, mesma projeção da semana passada.

As projeções para a inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), caíram de 1,57% para 1,55% em 2020. Para 2021, a projeção caiu de 3,14% para 3,10%.

Já a projeção para o dólar foi mantida em R$ 5,40. Para o ano que vem, a estimativa foi de R$ 5,03 para R$ 5,08.

Também no radar dos mercados, está a tensão entre EUA e China: autoridades chinesas disseram a empresas para interromperem a importação de alguns produtos agrícolas americanos, aumentando o risco de ampliar as tensões entre os dois países.

Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom duro contra a China, mas não mencionou a fase 1 do acordo comercial, o que deu alívio aos mercados.

Panorama político

A atenção política em Brasília se divide entre o avanço das investigações do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura fake news, o aumento das manifestações e o avanço do coronavírus no país.

No final de semana, diversas cidades fizeram manifestações defendendo a democracia após ataques do presidente Jair Bolsonaro às instituições. Por outro lado, no domingo, o presidente esteve presente em uma manifestação, em Brasília, em que parte dos integrantes atacava o STF. O inquérito das fake news levou a uma série de buscas e apreensões que atingiram aliados bolsonaristas.

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Em meio a essa tensão política, o novo coronavírus segue avançando no país. O Brasil já contabiliza 514.849 casos e 29.314 mortes causadas pela Covid-19.

Noticiário corporativo

As restrições de mobilidade causadas pela pandemia do coronavírus se intensificaram em meados de março, o que atingiu o resultado das empresas do setor aéreo.

A fabricante de aeronaves Embraer registrou um prejuízo líquido de R$ 1,276 bilhão no primeiro trimestre do ano, ante R$ 160,8 milhões em igual período do ano passado. Já o prejuízo ajustado foi de R$ 433,6 milhões, ante R$ 229,9 milhões entre janeiro e março de 2019.

O Ebitda ficou negativo em R$ 209,1 milhões, ante negativo em R$ 53,7 milhões no comparativo anual.

A companhia também negocia com BNDES e bancos privados um financiamento de R$ 3,3 bilhões, segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”. Os recursos, que podem ser liberados ainda em junho, serão usados para atender demanda de jatos executivos e comerciais da empresa para os próximos meses.

Por sua vez, a Latam, que entrou com pedido de proteção contra falência nos Estados Unidos na semana passada, anunciou que registrou um prejuízo líquido de US$ 2,12 bilhões no primeiro trimestre do ano, o equivalente a R$ 11,5 bilhões. Em igual período de 2019, o prejuízo foi de US$ 60 milhões.

A maior parte desse prejuízo, segundo a empresa, foi causado por um ajuste na conta de ganhos de capital da empresa. A mudança está relacionada às perdas causadas pelo coronavírus e possuem efeito apenas contábil. A empresa não possui ações negociadas no Brasil.

Já a Cosan registrou no primeiro trimestre do ano um lucro líquido de R$ 102,2 milhões, queda de 74,2% na comparação com igual período do ano passado.

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O Ebitda no período foi de R$ 1,98 bilhão, alta de 36,7%.

Fora dos balanços, a Petrobras levantou R$ 676,8 milhões com a venda de sua participação em sete campos terrestres de petróleo no Rio Grande do Norte (RN). A venda foi feita à 3R Petroleum.

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