Ibovespa tem 3ª queda seguida e perde os 100 mil pontos pressionado por bancos; dólar sobe a R$ 5,68

Mercado tem dia de fortes perdas conjugando correção com cenário internacional mais indefinido

Ricardo Bomfim

(scyther5/Getty Images)

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (27), a terceira consecutiva do índice desde que ele bateu 102 mil pontos na última quinta-feira. Hoje, além do exterior houve um movimento forte de venda sobre as ações da da Petrobras (PETR3; PETR4) e de bancos, que subiram forte na semana passada.

No radar das instituições financeiras, o Santander Brasil (SANB11), divulgou seu resultado do terceiro trimestre, com lucro líquido gerencial de R$ 3,9 bilhões. O papel, no entanto, depois de abrir em alta forte, sucumbiu à pressão vendedora durante a tarde. Para mais destaques de ações, clique aqui.

Lá fora, as preocupações com a segunda onda do coronavírus dominaram o pregão. Na Itália, parte da população protestou contra novas restrições, que incluem o fechamento de bares e restaurantes às 18h. E na região de Paris, pacientes com Covid-19 já representam 67% das internações em leitos de tratamento intensivo.

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O Ibovespa teve queda de 1,4%, aos 99.605 pontos com volume financeiro negociado de R$ 24,105 bilhões.

Nos EUA, os índices Dow Jones e S&P 500 caíram 0,8% e 0,3% respectivamente. O Nasdaq se valorizou em 0,64%.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 1,25% a R$ 5,681 na compra e a R$ 5,682 na venda retornando ao seu maior patamar de fechamento desde 20 de maio. O dólar futuro com vencimento em novembro registrava alta de 1,16%, a R$ 5,6592.

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu oito pontos-base a 3,47%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de 13 pontos-base a 4,97%, o DI para janeiro de 2025 avançou 13 pontos-base a 6,70% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de nove pontos-base a 7,52%.

A presidente do Congresso dos Estados Unidos, democrata Nancy Pelosi, acusou republicanos de estarem supostamente “desistindo” de conter a Covid-19, à medida que o número de novos casos no país voltam a bater recordes.

Ela e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, estão tentando chegar a um acordo de um pacote de estímulos antes das eleições que se aproximam, marcada para 3 de novembro, mas ainda sem sucesso.

Alta dos preços

Segundo informações do jornal Valor Econômico, Jair Bolsonaro receberá setor de soja para discutir alta de até 50% no preço do óleo. Entre os representantes da indústria da soja, porém, há quem tenha receio de que o presidente faça cobranças duras sobre o preço sobretudo do óleo de soja nas prateleiras dos supermercados, a exemplo do que tem feito com o arroz.

Bolsonaro já garantiu que não vai interferir nos preços e já tratou do tema com Guedes e Campos Neto. Valor diz que presidente do BC já alertou em conversas com ministros sobre pressão dos alimentos.

Mercado imobiliário

O Estadão estampa como chamada de capa o aquecimento do mercado imobiliário na cidade de São Paulo, que tem vivido aumento de lançamentos e vendas na comparação anual, segundo o Secovi-SP (Sindicato da Habitação). O mercado é impulsionado pelas quedas nas taxas de juros, que tornam os negócios mais em conta. Além disso, incentivam a migração de investimentos que ganham menos com aplicações em renda fixa.

Foram comercializadas 5.147 unidades em setembro, um patamar 18,9% inferior ao de agosto, que teve recorde de vendas, concentrando negócios que foram adiados nos meses de quarentena mais intensa. Mesmo assim, o número é 19,2% maior do que o mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, as vendas foram de 49.715 unidades, um aumento de 12,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, nos primeiros seis meses de 2020, o Brasil registrou queda de investimentos diretos acima da média entre o restante dos países emergentes. As informações estão sendo divulgadas na manhã desta quarta-feira, pela Conferência da ONU para Desenvolvimento e Comércio.

No primeiro semestre, houve queda de 48% nos investimentos no Brasil, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram atraídos, US$ 18 bilhões entre janeiro e junho. Em 2019, o Brasil era o quarto maior destino de investimentos diretos, mas caiu para a sexta posição em 2020, em patamar igual ao do México, e atrás de Cingapura, Irlanda, Alemanha, Estados Unidos e China.

De acordo com a agência da ONU, a interrupção das privatizações e a escala da pandemia no Brasil contribuem para a queda dos investimentos no Brasil.

Mas outras economias tiveram um impacto maior. A média mundial foi de queda de 49% nos investimentos, e alguns países tiveram resultados muito piores. Na Itália, a queda foi de 74%, e nos Estados Unidos, de 61%, para US$ 51 bilhões.

Radar corporativo

O destaque do noticiário corporativo fica para o resultado do Santander Brasil, que reportou lucro líquido gerencial de R$ 3,902 bilhões no terceiro trimestre, alta de 83% na comparação com o segundo trimestre e de 5,3% em relação ao mesmo período de 2019. Já o lucro líquido societário foi de R$ 3,811 bilhões no 3º trimestre deste ano, um salto de 88,2% em relação aos três meses anteriores.

O Bradesco BBI elevou a avaliação da Cteep para outperform (perspectiva de alta acima da média do mercado), com preço-alvo a R$ 32.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
CSAN3 2.81319 70.17
RENT3 2.67133 64.57
GGBR4 2.38508 23.61
GOAU4 2.3369 10.51
RADL3 1.99452 26.08

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
EMBR3 -6.25 6.45
SANB11 -4.72509 33.27
B3SA3 -4.05602 52.75
VVAR3 -3.92657 18.84
COGN3 -3.75 4.62

A Unidas informou lucro recorrente no terceiro trimestre de R$ 124,2 milhões.

A Eletrobras assinou termo de adesão a um acordo de leniência firmado entre União e a empreiteira Camargo Correia. Assim, a empresa terá ressarcimento de cerca de R$ 117 milhões.

A Petrobras afirmou na segunda-feira que a refinaria Refap realizará manutenção por 52 dias. A Guararapes aprovou o início do processo para migrar para o Novo Mercado, maior nível de governança da B3.

A Compass pretende apresentar à Petrobras proposta por fatia da Gaspetro.

A BHP rejeitou a acusação, por parte do Ministério Público Federal, de que estaria realizando um conluio com advogados para restringir os desembolsos feitos a vítimas do desastre de Mariana, de 2015, com desabamento de barragem de minérios da Samarco, joint venture da empresa com a Vale.

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Ricardo Bomfim

Repórter do InfoMoney, faz a cobertura do mercado de ações nacional e internacional, economia e investimentos.