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Ibovespa sobe em dia de vencimento de opções e com expectativa por estímulos nos EUA

Mercado registra ganhos enquanto os investidores esperam por uma resolução no impasse entre democratas e republicanos

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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta segunda-feira (19) puxado pelas ações da Petrobras (PETR3; PETR4) e de bancos, papéis que costumam ter bastante movimento em dias de vencimento de opções como hoje.

No radar macroeconômico, o ministro da Economia, Paulo Guedes, assegurou que o Brasil vai continuar fazendo reformas até o fim e que o presidente da República, Jair Bolsonaro, está do seu lado, enquanto o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ressaltou a necessidade de o país voltar para a disciplina fiscal.

Lá fora, as expectativas ficam por conta das negociações entre democratas e republicanos nos Estados Unidos para um pacote de estímulos contra os impactos econômicos do coronavírus.

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A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, afirmou na noite de sábado que daria 48 horas para a administração do presidente americano, Donald Trump, chegar a um acordo acerca dos estímulos antes das eleições presidenciais do dia 3 de novembro. Hoje, Pelosi volta a se reunir com o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, para conversar sobre os estímulos.

Não obstante a melhora no cenário para um acordo, as bolsas americanas caem, com a cautela dos investidores sobre o caso se misturando aos temores em torno do aumento nos casos de coronavírus.

O recorde de novas infecções no país foi atingido em 16 de julho, com 75.682. Desde então, o registro diário de casos caiu até um mínimo em 7 de setembro, com a marca de 25.166 novas infecções. Este mês, contudo, os dados voltaram a subir, e no dia 16 de outubro, o The New York Times reportou 70.451 infecções da Covid-19 nos EUA, muito perto do recorde de julho.

Também no radar, a China registrou um crescimento de 4,9% no seu Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pelo governo. O patamar está abaixo, no entanto, da projeção de alta de 5,2% para o período.

Às 13h12 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha alta de 1,38%, aos 99.669 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial cai 1,22% a R$ 5,573 na compra e a R$ 5,574 na venda. O dólar futuro com vencimento em novembro registrava queda de 1,25%, a R$ 5,578.

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai 12 pontos-base a 3,26%, o DI para janeiro de 2023 recua 17 pontos-base a 4,62%, o DI para janeiro de 2025 tem queda de 19 pontos-base a 6,43% e o DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de 19 pontos-base a 7,34%.

O câmbio e os DIs chegaram a reduzir perdas depois do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dizer que não se opõe a uma extensão do prazo do Auxílio Emergencial por alguns meses em 2021, desde que o teto de gastos não seja furado. No entanto, os ativos voltaram a cair com força quando Maia negou a informação.

Para analistas ouvidos pela Bloomberg, a declaração gerou incertezas momentâneas, uma vez que Maia fora enfático nas últimas semanas sobre não prorrogar o programa. A nova fala havia sido interpretada como uma mudança no discurso em direção a um comportamento mais permissivo do ponto de vista fiscal.

Sobre o pacote de estímulos nos EUA, democratas e o governo republicano concordaram em alguns pontos como conceder um auxílio de US$ 1.200, mas discordaram em outros temas tais quais o financiamento de auxílio em níveis estadual e local, o seguro desemprego e a seguridade infantil.

Representantes do próprio partido Republicano no Senado também têm ressalvas à oferta, que consideram alta demais. Mesmo assim, os sinais da democrata Nancy Pelosi no domingo animaram os mercados.

Apesar do bom humor nos EUA, o aumento nos novos casos de coronavírus na Europa e a dificuldade do Reino Unido em atingir um acordo comercial com a União Europeia depois do Brexit trazem alguma cautela.

Relatório Focus

Os economistas do mercado financeiro elevaram levemente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020, mostrou nesta segunda-feira (19) o Relatório Focus do Banco Central. De uma queda de 5,03% na semana passada, a mediana das expectativas foi para -5,00% esta semana.

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Já a perspectiva para o PIB em 2021 caiu de um crescimento de 3,50% para 3,47%.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a mediana das projeções subiu de 2,47% para 2,65% em 2020. Para 2021, as estimativas seguem em avanço a 3,02%.

A previsão dos economistas para o dólar, por sua vez, foi elevada de R$ 5,30 para R$ 5,35 ao final de 2020. Para o final de 2021 a expectativa continua para um dólar valendo R$ 5,10.

Por fim, a mediana das expectativas para a taxa básica de juros, Selic, manteve-se em 2,00% ao ano para 2020 e em 2,50% ao ano para 2021.

Falas de Guedes e Maia

Na sexta-feira (16) o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou em videoconferência organizada pela XP investimentos que “é completamente indesculpável usar uma doença em queda para pedir estímulo artificial à economia. Isso é uma fraude. Isso é falso. Isso é ruim. É política ruim. Isso estaria comprometendo futuras gerações por um ato covarde”.

Ele afirmou que o governo está comprometido em honrar as imposições do teto de gastos. E que é preferível manter o programa Bolsa Família do jeito que está, em nome da responsabilidade fiscal. O governo e o Congresso vêm discutindo formas de criar um novo programa de transferência de renda que substitua o Bolsa Família e o auxílio emergencial.

Ele vem sendo chamado provisoriamente de Renda Cidadã, mas há temor de que a medida levaria a descontrole de gastos.

Aos investidores, Guedes afirmou na sexta-feira: “Tudo indica que a doença está perdendo espaço, temos três ou quatro meses mais. Ao final do ano, estamos buscando um pouso suave desses repasses emergenciais. O presidente disse: ‘se você não encontrar espaço sem um movimento populista, voltaremos ao Bolsa Família’. Melhor do que fazer um movimento maluco e fiscalmente irresponsável”.

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No mesmo evento, Rodrigo Maia afirmou no sábado que não há espaço para discutir a prorrogação do estado de calamidade pública ou o Orçamento de Guerra, medidas aprovadas para lidar com a crise da covid.

Ele disse que a pandemia e a estrutura para lidar com ela têm “prazo para acabar, em 31 de dezembro de 2020”. Sob o estado de calamidade, o governo fica desobrigado a observar a meta do resultado primário. Ele afirmou que há espaço para viabilizar um novo programa de renda sem estourar o teto de gastos.

“O nosso problema não está em descobrir receita e sim organizar as despesas. Tem políticas públicas que estão mal alocadas, o abono salarial, o seguro defesa… Tem 17 ou 18 itens onde podemos encontrar os R$ 30 bilhões para completar o que é necessário para construir um novo programa [de renda]”, disse.

O ministro Guedes também afirmou que não desistiu da ideia de criar um novo imposto sobre transações digitais, frequentemente comparado à antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), como forma de viabilizar uma ampla desoneração da folha de pagamentos.

Radar corporativo

A CCR reportou queda de tráfego na semana iniciada em 9 de outubro, com queda de 4% na mesma semana do ano anterior. O tráfego de passageiros na mobilidade urbana e em concessões de aeroportos caiu 55%.

O Credit Suisse afirmou que espera que os resultados dos bancos brasileiros melhorem no terceiro trimestre de 2020, em comparação com um primeiro trimestre fraco.

Mas afirmou que espera que a Vivo tenha um terceiro trimestre mais fraco, com queda de 4% do lucro Ebitda em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O Bradesco BBI manteve recomendação para ações de Localiza, Unidas e Movida em outperform (com performance acima da média do mercado). O Itaú BBA afirmou que a performance da indústria de aço se manteve forte em setembro.

O jornal Valor traz como reportagem de capa a informação de que, depois de 6 meses, o BNDES ainda não liberou nenhum valor relativo ao pacote de R$ 6 bilhões prometidos às companhias aéreas brasileiras.

Latam, Gol e Azul poderiam ficar cada uma com R$ 2 bilhões de empréstimo, que seria financiado em até 60% por meio do BNDES. Outros 10% viriam de bancos comerciais, e o restante por meio de investidores, com a compra de debêntures e bônus de subscrição.

De acordo com o jornal, o BNDES não pretendia autorizar o uso do dinheiro para pagar dívidas ou comprar aviões, exigências que desagradaram as companhias aéreas. Desde então, as companhias lidaram com a crise sem acessar o valor prometido pelo BNDES.

Gol e Azul ajustaram despesas e formaram caixa para lidar com a crise. E a Latam pediu recuperação judicial nos Estados Unidos.

A oferta de crédito foi anunciada no final de março, quando a pandemia do novo coronavírus se intensificou no Brasil, e seu prazo vai até dezembro. Segundo o jornal, o modelo do acordo de empréstimo é considerado pouco atraente pelo mercado, o que torna a operação para financiá-lo “inexequível”.

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