Fechamento

Ibovespa sobe 1,37%, seguindo exterior em meio à temporada de balanços; dólar cai 0,10%

Resultados de companhias americanas ajudaram a diminuir, ao menos momentaneamente, aversão ao risco

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa fechou em alta de 1,37% nesta terça-feira (19), aos 98.244 pontos, seguindo a performance dos principais índices americanos.

Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram, respectivamente, 2,43%, 2,76% e 3,11%. Segundo especialistas, o dia, lá fora, foi marcado pela repercussão de resultados de companhias, bem como pela expectativa dos que estão para sair.

“Dentre os fatores que se destacam como justificativa para a alta do dia estão as expectativas para os resultados das companhias de tecnologia, com as ações avançando, mostrando otimismo”, comenta Milena Araújo, especialista em renda variável da Nexgen Capital.

A  Netflix (NFLX34), após o fechamento do mercado, trouxe seus resultados acima das expectativas – com lucro de US$ 3,20 por ação, ante consenso de US$ 2,95, e perda de 970 mil assinantes na base trimestral, menos do que os dois milhões antecipados.

Antes da abertura do mercado, a Johnson & Johnson (JNJB34) trouxe, por sua vez, tanto lucro quanto receitas melhores do que o esperado.

Com companhias americanas tendo um desempenho acima do consenso, o mercado registrou um recuo da aversão ao risco, pelo enfraquecimento da perspectiva de recessão em 2022. Fortaleceu esse movimento a notícia de que a Rússia irá reabrir o fluxo de gás para a Europa pelo Nord Stream 1 na data combinada.

As commodities repercutiram bem a expectativa de maior crescimento – o petróleo Brent para setembro avançou 1,03%, a US$ 107,36 o barril. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3;PETR4) avançaram, respectivamente, 1,12% e 2,03%.

A menor aversão ao risco derrubou o dólar no mundo. O DXY, que mede a força da moeda americana frente a outras divisas, recuou 0,60%, aos 106,72. O dólar comercial caiu 0,10% frente ao real, a R$ 5,420 na compra e na venda.

Do outro lado, porém, o otimismo também pressionou as curvas de juros, uma vez que puxou o preço dos produtos não manufaturados. Nos EUA, os divends yields dos títulos de dez anos subiram 6,3 pontos-base, para 3,023%. Por aqui, os DIs para 2025 e 2027 tiveram suas taxas subindo nove e 12 pontos, respectivamente, para 13,49% e 13,39%. Os rendimentos dos DIs para 2029 e 2032 subiram, ambos, 13 pontos, para 13,51% e 13,56%.

“As commodities foram destaques, após sofrerem nos últimos dias, e os papéis que vinham avançando tiveram um movimento inverso”, diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. “O Ibovespa teve seu terceiro fechamento positivo consecutivo e vimos uma retomada dos papéis que mais sofreram nos últimos dias. Não tivemos hoje muitos catalisadores novos”.

Os bancos também foram destaque entre as altas, repercutindo, segundo comentários, os resultados das instituições financeiras americanas. As ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) subiram 2,70%. As preferenciais do Bradesco (BBDC4) e do Itaú (ITUB4), 2,70% e 3,37%, respectivamente. As unitárias do Santander (SANB11) avançaram 3,64%.

Entre as altas percentuais, destaque para as preferenciais da Alpargatas (ALPA4), com mais 8,35%. Logo atrás, vieram as ações ordinárias da Marfrig (MRFG3) e da Embraer (EMBR3), subindo 8,23% e 7,70%.

Do lado das quedas, as maiores ficaram para os papéis ordinários da Yduqs (YDUQ3), da Cogna (COGN3) e da Light (LIGT3).

“O varejo e outros setores ligados à economia interna estão entre os mais fracos hoje muito por conta da questão dos juros, que estão subindo hoje”, contextualiza Victor Paganini, analista CNPI da Quantzed.

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