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Ibovespa sobe 1% e dólar cai a R$ 4,11 na semana; acordo EUA-China anima, mas não traz euforia

Mais de um ano depois do início da guerra comercial, as duas maiores potências do mundo finalmente chegaram a um consenso

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (13) e subiu 1,3% na semana, que foi marcada pelo acordo comercial entre EUA e China, atingido mais de um ano depois do início da guerra comercial entre os dois países. O dólar, na semana, caiu 0,95%.

Apesar da assinatura do acordo ser um evento muito positivo para o mercado, hoje não foi um dia de euforia nas bolsas, uma vez que houve uma combinação de fatores como o “sobe no boato, cai no fato”, que ocorre quando os mercados se antecipam tanto a uma notícia que os investidores aproveitam para realizar ganhos quando ela se concretiza, somado a uma leitura mais detalhada dos termos que foram assinados.

O acordo comercial de hoje tem nove capítulos. Entre eles, está escrito que a maior economia da Ásia concorda em implementar um aumento das importações de produtos agrícolas dos EUA e de outros países assim que possível. Também se fala no aumento da cooperação dos americanos com os chineses em combustíveis e energia.

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Por outro lado, Trump destacou que as tarifas de 25% sobre mercadorias da China se mantém. As tarifas adicionais de 15% que entrariam em vigor neste domingo (15), nos EUA, foram canceladas.

Segundo os analistas Michael Zezas, Chetan Ahya, Meredith Pickett e Derrick Kam, do Morgan Stanley, o acordo superou modestamente o que o banco esperava, mas ficou abaixo das altas expectativas geradas pelo que circulou na mídia nos últimos dias.

A equipe do Morgan Stanley destacou que era amplamente esperado o cancelamento das tarifas que entrariam em vigor neste domingo (15), mas surpreendeu os analistas a redução de 15% para 7,5% nas taxas que foram impostas no dia 1º de setembro. As outras tarifas se mantiveram inalteradas, em linha com as projeções do banco, mas abaixo do que se noticiou na imprensa americana.

Por outro lado, foi visto como negativo a ambiguidade em torno do quanto a China terá de comprar de produtos agrícolas dos EUA. Para os analistas, isso se torna um foco de incertezas junto com a dificuldade maior de se acertar uma fase 2 do acordo, que focará em temas mais polêmicos, como a propriedade intelectual na China.

Nesta sexta, o Ibovespa teve leve alta de 0,33%, a 112.564 pontos com volume financeiro negociado de R$ 25,785 bilhões.

Já o dólar comercial subiu 0,49% a R$ 4,1096 na compra e a R$ 4,1116 na venda. O dólar futuro com vencimento em janeiro de 2020 registrava ganhos de 0,43%, a R$ 4,11.

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 caiu três pontos-base a 4,52% e o DI para janeiro de 2023 recuou um ponto a 5,75%.

Também animou o mercado a vitória do Partido Conservador de Boris Johnson nas eleições gerais do Parlamento Britânico, o que permitirá que o Reino Unido deixe a União Europeia em 31 de janeiro de 2020 com acordo.

Entre os indicadores, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,17% em outubro na comparação mensal, quase em linha com a estimativa mediana dos economistas compilada no consenso Bloomberg, que era de crescimento de 0,2%.

Na base anual, o crescimento da economia foi de 2,13% naquele mês, acima das expectativas do mercado, que apontavam para avanço de 2%. O IBC-Br é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é o medidor oficial do desempenho da economia do País.

Brexit

No Reino Unido, o Partido Conservador de Boris Johnson obteve uma vitória maior que a projetada pela boca-de-urna. A contagem de votos indica que Johnson obteve 364 cadeiras, bem acima das 326 necessárias para formar a maioria de governo.

O Partido Trabalhista de Jeremy Corbin perdeu 42 cadeiras e conquistou 203 postos na Câmara dos Comuns. A participação foi de 67% do eleitorado. As bolsas da Ásia fecharam em forte alta e as bolsas europeias avançam em um rali, com o índice FTSE de Londres subindo acima de 1,50%.

Noticiário corporativo

A operadora de telecomunicações Oi S.A. comunicou ontem (12) à CVM que seu novo diretor-presidente será Rodrigo Modesto de Abreu. Ele deverá assumir o cargo em 31 de janeiro de 2020, um dia após o atual diretor-presidente, Eurico Teles Neto, deixar o cargo.

Já a Suzano vendeu para a Klabin 14 mil hectares de florestas plantadas de eucalipto, árvore usada como matéria-prima pelas indústrias de celulose. Em comunicado, a Suzano afirma que embolsará R$ 400 milhões com a venda das florestas de eucalipto à Klabin.

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
VVAR37.910.79
MRVE35.46522
YDUQ34.8655947.2
GOAU44.814818.49
CIEL34.285718.76

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
PETR3-4.6851231.33
BRFS3-4.3931333.95
PETR4-3.1966429.98
IRBR3-2.2908936.68
RAIL3-1.8160725.41

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A Eletrobras e a Petrobras informaram que o seu rating foi alterado de estável para positivo pela agência americana Standard & Poor’s, que nesta semana melhorou a perspectiva da nota brasileira também de estável para positiva.

Atenção ainda para a Via Varejo: a companhia anunciou no final do pregão de quinta-feira que a investigação interna que conduziu após receber em novembro denúncias anônimas encontrou indícios de fraude contábil que deve impactar o resultado em até R$ 1,4 bilhão. Com isso, as ações passaram de alta de 8% para queda de 3%.

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