Bolsa

Ibovespa retoma o nível pré-Carnaval e fecha semana com alta de 2,9%; dólar cai a R$ 5,12

Mercado termina mais uma sessão no positivo em uma sessão marcada pela valorização das commodities

Painel de ações (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta de 1,3% a 113.750 pontos nesta sexta-feira (4), terminando essa semana marcada pelos cronogramas de vacinação contra a Covid-19 e pela disparada das commodities com ganhos de 2,87%. O volume financeiro negociado foi de R$ 31,55 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial caiu 0,3% a R$ 5,1236 na compra e a R$ 5,1246 na venda, acumulando uma desvalorização de 3,77% na semana. O dólar futuro com vencimento em janeiro de 2021 registrava queda de 0,28%, a R$ 5,167 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu dois pontos-base a 3,07%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de três pontos-base a 4,49%, o DI para janeiro de 2025 recuou seis pontos-base a 6,13% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de oito pontos-base a 6,93%.

Com o avanço de hoje, o principal índice da B3 voltou ao seu maior patamar desde 20 de fevereiro, data em que o Ibovespa fechou a 114.586 pontos.

Ou seja, após muitos pregões rondando este patamar, a Bolsa finalmente superou o fechamento de 21 de fevereiro (quando o benchmark terminou a sessão em 113.681 pontos), a sexta-feira pré-Carnaval em que os investidores inadvertidamente saíram para aproveitar o feriado sem ter ideia do que os esperava na quarta-feira de Cinzas (26).

Depois dos mercados globais sofrerem com o pânico por conta do coronavírus na segunda e na terça, a B3 reabriu na quarta-feira só para desabar 7% a 105.718 pontos, refletindo em uma só sessão tudo aquilo que já tinha ocorrido no exterior.

Aquela sexta-feira foi a última vez no primeiro semestre em que a Bolsa terminou o pregão acima dos 110 mil pontos. Dali em diante foi uma derrocada praticamente em linha reta até os 62 mil pontos. A trajetória está contada ao final desta matéria.

Voltando a esta sexta, as apostas de que a desaceleração no mercado de trabalho dos Estados Unidos pressione os congressistas do país a aprovar as medidas de estímulo fiscal há tanto tempo negociadas animaram as bolsas internacionais. As notícias de vacinas também seguem trazendo otimismo, assim como a alta das commodities.

As ações de Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3) e siderúrgicas puxaram o desempenho do benchmark da B3 hoje.

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Petrobras seguiu a alta de 0,64% a US$ 49,02 do barril do Brent após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+), concordar em aumentar sua produção em apenas 500 mil barris/dia no mês a partir de janeiro de 2021. O pequeno aumento equivale a cerca 0,5% da demanda global pré-pandemia de 100 milhões de barris ao dia (mbpd), o que significa um aumento modesto na oferta global.

Já a Vale acompanhou a disparada do minério de ferro depois do preço à vista subir US$ 7,50 a tonelada para US$ 143,30, no maior nível desde março de 2013. O Itaú BBA ressalta que a alta é resultado da demanda mais forte da China, com os níveis de produção de aço renovando recorde e o aumento menor do que o esperado na oferta em 2021 seguindo o guidance de produção para o próximo ano entre 315 milhões e 335 milhões de toneladas (ante a expectativa de mercado de 340 milhões de toneladas). Para mais destaques de ações clique aqui.

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
CSNA311.9724426
PRIO38.1201655.79
BTOW37.330277.75
USIM56.7887114
LAME46.0887925.09

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
CYRE3-4.0629129.28
MRVE3-3.0067920
WEGE3-2.6782171.95
CPFE3-2.6274130.76
IGTA3-2.4955438.29

Entre os indicadores, EUA registraram a criação de 245 mil vagas em novembro, revelou o Departamento de Trabalho do país. O número veio abaixo da mediana das expectativas dos economistas compilada no consenso Bloomberg, que apontava para a geração de 475 mil postos de trabalho no período.

A expectativa dos economistas já era de que o mercado de trabalho do país se desacelerasse em meio à segunda onda do coronavírus. Já a taxa de desemprego na maior economia do mundo ficou em 6,7%, ante estimativas de que caísse de 6,9% para 6,8%.

Em entrevista à Bloomberg, Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak, disse que o relatório mais fraco pode fazer com que parlamentares americanos “cheguem a um acordo sobre um pacote de estímulos mais cedo ou mais tarde.”

Depois da notícia de que a Pfizer terá que cortar pela metade seu suprimento de vacinas enviadas este ano, a Moderna trouxe algum alívio ao afirmar que espera fornecer 125 milhões de doses da sua própria profilaxia no primeiro trimestre de 2021 globalmente.

No Brasil, em dia de agenda fraca, os investidores monitoraram votação do Supremo Tribunal Federal (STF) que começou esta madrugada e conta com cinco votos a favor da reeleição nas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado.

Os ministros Gilmar Mendes, José Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski, votaram a favor de uma tese que permite tanto a reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), quanto a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Já o ministro Kassio Nunes Marques defendeu uma tese que permite apenas a reeleição de Alcolumbre. O presidente do Senado está em seu primeiro mandato, enquanto Maia está no terceiro.

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No cenário externo, a vacina da Pfizer/BioNTech foi aprovada emergencialmente no Reino Unido na quarta-feira, e deve começar a ser distribuída no país na semana que vem. Espera-se que seja usada para imunizar um terço da população britânica.

As farmacêuticas pretendiam distribuir 100 milhões de doses já em 2020, mas remessas de materiais utilizados para produzir as vacinas não atingiram o padrão desejado. O total de doses previstas para 2020 foi cortado pela metade.

 

A trajetória do Ibovespa desde o Carnaval

O Ibovespa passou todo o início do ano acima dos 100 mil pontos. A perda ocorreu no auge da crise do coronavírus no pregão da sexta-feira, dia 6 de março, quando o benchmark caiu 4,14% a 97.996 pontos.

Quem torceu para o mercado se acalmar e retomar os 100 mil pontos na volta do fim de semana não podia ter ficado mais decepcionado: no dia 9 de março tivemos o primeiro dos seis circuit breakers do ano e o Ibovespa despencou 12,17%, a 86.067 pontos. O motivo para a derrocada foi que além da crise do coronavírus, os investidores ainda tiveram que enfrentar a guerra do petróleo, que estourou no domingo.

A Arábia Saudita – país que mais exporta petróleo no mundo – anunciou que aumentaria substancialmente sua oferta e ofereceria a commodity com até 20% de desconto em alguns mercados, em uma resposta direta à Rússia, que não aceitou reduzir sua produção. Como resultado, o barril do petróleo Brent já abriu em queda de 30% na Ásia enquanto as primeiras bolsas ocidentais levariam ainda mais sete horas para começarem as negociações.

O Ibovespa ensaiou uma recuperação no pregão seguinte, subindo 7,14%, mas o repique só serviu para abrir um espaço maior para quedas. Nos dois pregões subsequentes a Bolsa desabou 7,64% e 14,78%, acionando mais dois circuit breakers. A alta de 13,91% logo em seguida foi apenas a prova de que a racionalidade tinha abandonado de vez o mercado financeiro.

No dia 16 de março o Ibovespa caiu mais 13,92%, com o acionamento de outros dois circuit breakers. Em onze dias o principal índice da B3 saiu de 102.233 pontos para 71.168 pontos. Uma alta de 4,85% no pregão seguinte e mais um circuit breaker e queda de 10,35% no outro levaram o índice aos 66 mil pontos.

A retomada gradual

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O ponto mais baixo foi atingido no dia 23 de março, quando o Ibovespa, na mínima do pregão, bateu 62.161 pontos. Desde então, a tendência virou e a Bolsa passou a subir aos poucos, fazendo valer o famoso ditado do mercado financeiro de que a Bolsa “cai de elevador e sobe de escada”.

As duas maiores altas no período vieram nos pregões do dia 24 de março, em que o benchmark disparou 9,69%, e do dia 25 de março, no qual o índice subiu 7,5%. Os ganhos vieram em meio ao anúncio de que governo e Congresso dos EUA haviam chegado a um acordo para o lançamento de um pacote de US$ 2 trilhões em estímulos.

Já no dia 6 de abril a Bolsa teve alta de 6,52% seguindo o exterior após o presidente americano Donald Trump afirmar que os EUA estavam passando por um “nivelamento” dos casos do coronavírus em algumas das regiões mais afetadas pela pandemia.

Desde então os mercados globais se apoiaram no aumento de liquidez promovidos pelos bancos centrais, que zeraram taxas de juros e se comprometeram com ambiciosos programas de compras de títulos para injetar dinheiro nos bancos privados e os estimularem a emprestar esse capital e fazer a moeda girar na economia.

Maior banco central do mundo, o Federal Reserve dos EUA reduziu no dia 15 de março os juros em 1 ponto percentual para uma faixa entre 0% e 0,25% ao ano em uma reunião extraordinária fora da agenda. O Fed ainda anunciou a compra de US$ 700 bilhões em títulos do Tesouro americano.

No dia 4 de junho, o Banco Central Europeu (BCE), aumentou em 600 bilhões de euros seu programa de compras de títulos para enfrentar a emergência da pandemia, para 1,35 trilhão de euros mensais.

Aqui no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom), cortou a Selic no último dia 17 em 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano.

Com mais dinheiro nas mãos dos investidores e a renda fixa com rendimento próximo de zero ou negativo a solução se torna investir em ações. Para diversos analistas, esse é um dos principais motivos que impulsionaram a recuperação do Ibovespa rumo aos 100 mil pontos.

Além da maior liquidez, o otimismo com a recuperação da economia global também estimulou as compras no mercado de renda variável. Em 5 de junho, o Departamento de Trabalho dos EUA, revelou que o país criou 2,5 milhões de empregos em maio. O número surpreendeu todas as expectativas, com os economistas prevendo destruição de 7,5 milhões de postos de trabalho.

No Ibovespa, isso se traduziu em uma alta de 0,86% na sexta-feira, dia 5, e de 3,18% na segunda-feira, dia 8. Os dois pregões encerraram a maior sequência de altas da Bolsa este ano: foram sete dias consecutivos de ganhos, que começaram no dia 29 de maio.

Na sexta-feira 10 de julho, na reta final do pregão, o índice ganhou força e, após uma leve queda na véspera, fechou em alta de 0,88%, fazendo com que o índice voltasse aos 100 mil pontos. A partir daí, iniciou-se um ciclo longo do Ibovespa ganhar e perder os 100 mil pontos.

A Segunda onda

Em 29 de julho, o benchmark chegou a 105.605 pontos, mas a partir daí, a Bolsa no Brasil não conseguiu mais acompanhar a disparada registrada pelos mercados internacionais.

A grande virada ocorreu no dia 11 de agosto, quando os secretários especiais de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e o de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, pediram demissão do Ministério da Economia.

Colocando mais lenha na fogueira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou em 26 de agosto que a proposta do Ministério da Economia para o programa Renda Brasil estava suspensa. Embora o fim do programa reduza a pressão sobre o Orçamento, surgiram temores acerca do que o governo iria colocar no lugar do Auxílio Emergencial, cujo prazo de validade acaba no fim do ano.

Além disso, a forma como o presidente anunciou o sepultamento da proposta trouxe renovadas especulações a respeito de um enfraquecimento da equipe econômica, que estaria perdendo a queda de braço com a ala militar e desenvolvimentista do Planalto.

Se não bastasse a questão fiscal, o exterior também se tornou foco de preocupação com um sell-off nas ações de empresas de alta tecnologia dos EUA que começou em 3 de setembro. Naquele pregão, o Ibovespa caiu 1,2%. Em Nova York, as ações da Apple despencaram 8,01%, enquanto Netflix, Amazon e Alphabet (controladora do Google), recuaram 5%.

Outro problema vindo de fora foi a segunda onda do coronavírus que atingiu a Europa. Com mais de 300 mil casos no continente em uma semana, os países voltaram a atuar com medidas severas de distanciamento social. Alguns países chegaram a implementar lockdowns novamente.

Essa sucessão de fatores levou o Ibovespa a 93.952 pontos no dia 30 de outubro.

Novembro: o rali das vacinas e dos estrangeiros

Mês passado foi agitado por diversas notícias sobre os resultados das vacinas contra o coronavírus na fase 3 de testes, a última antes da análise pela agência de segurança sanitária de cada país.

Pfizer e a BioNTech trouxeram muito otimismo ao anunciarem no dia 9 de novembro que sua vacina teve 90% de eficácia nos grupos de controle, fazendo o Ibovespa subir 2,57% no pregão daquele dia.

Já na semana seguinte, a Moderna informou que sua vacina experimental foi 94,5% eficaz, de acordo com uma análise preliminar, o que garantiu uma alta de 1,63% no dia 16.

Mas o que realmente chamou a atenção no mês passado foi a forte entrada de capital estrangeiro, na contramão da retirada que ocorreu de janeiro a outubro. O investimento estrangeiro na B3 teve um saldo positivo de R$ 30 bilhões.

A equipe de análise da Levante Ideias de Investimento destaca que esse foi o maior valor mensal de entrada de recursos desde que a Bolsa começou a fazer esse levantamento, em 1995.

Para os analistas da XP, há três fatores que explicam esse fluxo de capital para as ações brasileiras. O primeiro é o fim das incertezas relacionadas às eleições americanas, com a vitória consolidada do democrata Joe Biden e sem um controle absoluto do seu partido sobre o Congresso.

Já o segundo fator foi o avanço no desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus. As taxas de eficácia acima de 90% na fase 3 de testes das profilaxias criadas por Pfizer/BioNTech, Moderna e Oxford/AztraZeneca animaram os investidores para perspectivas de um futuro livre das preocupações com a pandemia.

O terceiro fator que explica os ganhos da B3 foi a rotação do capital para ações de empresas que atuam em setores mais afetados pela crise da Covid-19, como é o caso de instituições financeiras e commodities, que são justamente os segmentos mais pesados na carteira teórica do Ibovespa.

Segundo os analistas da Levante, a melhora do humor global foi duplamente benéfica para o mercado acionário brasileiro.

“Por um lado, os investidores internacionais se aproveitaram de ações cujos preços demoraram para acompanhar a alta iniciada em outubro, como por exemplo os papéis de bancos. Por outro, a melhora global das cotações de commodities como petróleo e minério de ferro beneficia ações importantes, como Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3), que têm grande peso na B3 e influenciam o movimento do mercado como um todo.

Ao fim e ao cabo, o Ibovespa subiu 15,9% em novembro, maior avanço mensal do índice desde março de 2016, quando subiu 17%, e o melhor novembro da Bolsa desde 1999, ano em que o benchmark registrou uma valorização de 17,8% no penúltimo mês.

Os primeiros quatro dias de dezembro mostraram a continuidade desse movimento e a Bolsa já está de volta aos patamares pré-Carnaval, colocando muita expectativa para o que ocorrerá até o fim do ano.

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