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Ibovespa recua 2%, com cautela em Wall Street e preocupação por China; dólar sobe 2% e vai a R$ 5,37

Mercado brasileiro acompanha temor visto nos EUA e é impactado por perspectiva de novas restrições na China por Covid-19

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa fechou em queda de 2,07% nesta segunda-feira (11), aos 98.212 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira recuou seguindo a baixa dos benchmarks americanos, mas caindo um pouco mais do que a média desses.

Nos Estados Unidos, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq tiveram baixas de, respectivamente, 0,52%, 1,15% e 2,26%.

“Teremos uma semana movimentada nos EUA, com a publicação do CPI [Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês] e o início da temporada de balanços, com bancos trazendo resultados. É provável que tenhamos empresas trazendo em seus documentos temores com a recessão e com alta de preços”, comenta Henrique Esteter, especialista de mercados do InfoMoney.

Segundo Esteter, é normal que investidores se posicionem com cautela em períodos marcados por uma maior divulgação de dados.

O índice VIX, conhecido como índice do medo, avançou 6,17%, aos 26,16 pontos, indicando que o mercado está adotando uma postura de alerta.

Além disso, os principais índices dos EUA, principalmente a Nasdaq, vinham de uma sequência de altas, o que justifica certa realização de lucros.

Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, pontua que o mercado como um todo ainda foi muito impactado pelas novas notícias provindas da China, que identificou uma nova variante da Covid-19. O país começou uma nova fase de testagem em massa, o que normalmente antecede lockdowns – e novas medidas de restrição diminuiriam consideravelmente as chances de a economia mundial crescer em 2022.

O preço da tonelada do minério de ferro no porto de Dalian recuou 3,36%, a US$ 107,02. Já no mercado de petróleo, o preço do barril WTI caiu 1,19%, a US$ 103,56; já o brent fechou com leve alta de 0,07%, a US$ 107,10 o barril.

Commodities pesam no Ibovespa

“Com tudo isso, todo o mercado abriu para baixo e o Brasil é muito impactado pelo fato de ser muito exposto às commodities”, explica Velloni. “O aumento do risco, com a perspectiva de menor crescimento global, levou o índice Dólar (DXY) a chegar a patamares históricos, com fluxo para os Estados Unidos. Temos todo um cenário que faz investidores entrarem em holding”.

O DXY, índice que mede a força do dólar frente outras divisas, subiu 1,12%, aos 108,20 pontos, maior patamar desde junho de 2002. A moeda americana subiu 1,96% frente ao real, negociada a R$ 5,37 na compra e a R$ 5,371 na venda.

Dan Kawa, gestor da TAG Investimentos, menciona que há ainda uma tensão crescente para a relação entre o dólar e o euro. “A crise na Europa, com a Guerra na Ucrânia, está levando a uma redução de fluxo de gás da Rússia para o restante do continente”, avalia. “Isso é ruim para as economias do países da região, uma vez que eles são dependentes do gás russo. Se houver redução do gás, ou até um fechamento do fluxo, podemos ter crescimento para baixo e preços para cima”.

O fluxo de capital para os Estados Unidos, com investidores procurando segurança, fez os treasuries yields caírem 11 pontos-base, com menor necessidade de o Tesouro manter as taxas mais altas em meio a uma maior procura orgânica por títulos.

No Brasil, no entanto, o dia foi de forte de alta dos juros, com pressão do dólar e da incerteza fiscal – os DIs para 2023 e 2025 viram suas taxas subirem 10 e 25 pontos-base, para 13,88% e 13,22%; o DI para 2027, por sua vez, teve seu rendimento avançando 21 pontos, para 13,08%, e o para 2029 teve seu yield ganhando 17 pontos, para 13,20%.

“O mercado brasileiro está internalizando os problemas externos e os maiores riscos fiscais no radar, com eleições se aproximando e os candidatos (até agora os 2 favoritos) sem demonstrar compromissos mais claros sobe a trajetória fiscal do país”, diz Rafael Cota Maciel, gestor de renda variável da Inter Asset.

Entre as maiores quedas do Ibovespa, companhias ligadas ao dólar e à curva de juros.

As ações PN da Gol (GOLL4) e da Azul (AZUL4) recuaram, respectivamente, 11,79% e 7,55%. Companhias aéreas, normalmente, sofrem pela alta do dólar, e são ainda mais impactadas pela preocupação do encontro de uma nova variante da Covid-19. As ações ON da Méliuz (CASH3), por sua vez, caíram 8%, com impacto dos juros.

Por peso, os papéis ordinários da Vale (VALE3), que acompanharam a baixa do minério, foram destaques entre os recuos, caindo 3,41%, bem como os da CSN (CSNA3), com menos 5,05%.

Entre as poucas altas do índice, companhias consideradas defensivas: as ações de Vivo (VIVT3) e do Assaí (ASAI3) subiram, respectivamente, 0,80% e 0,46%.

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