Números de fechamento

Ibovespa oscila até o último minuto, mas fecha em alta de 0,58%; na semana, Bolsa subiu 2,6%

Índice conseguiu se descolar das Bolsas em Nova York, que fecharam em baixa com perspectiva de alta de juros

Por  Mitchel Diniz -

O Ibovespa oscilou entre perdas e ganhos até o último minuto de negociações e terminou a sexta-feira em alta. A Bolsa brasileira, que chegou a subir mais de 2% no período da manhã e se aproximou dos 107 mil pontos, virou acompanhando os índices em Nova York e por duas vezes operou no terreno negativo. Nos Estados Unidos, as Bolsas despencaram com a perspectiva de retirada de estímulos e aumento de juros, no momento em que dados do mercado de trabalho decepcionam.

“A Bolsa brasileira já estava bem para trás da média mundial. De maneira geral, os preços estão bons e estamos em uma zona compradora. O investidor estrangeiro está entrando, enquanto o local vende com a aversão ao risco, indo para a renda fixa. Ainda que o cenário seja bem incerto e desafiador, a Bolsa brasileira tem boas oportunidades de empresas que dão lucro e estão baratas”, afirma Danilo Luna, da consultor de investimentos da Ivest Consultoria.

Apesar da volatilidade da sessão de hoje, o Ibovespa acumulou ganhos na semana, impulsionado pela maior alta diária do ano, de 3,6%, registrada na sessão de ontem.

A fala do presidente do Federal Reserve de Saint Louis, James Bullard, chegou a impactar os negócios. Ele defendeu endurecer a política monetária nos Estados Unidos, citando a inflação alta, além do “forte” crescimento econômico e geração de empregos com tendência a se fortalecer.

Apesar dessa perspectiva, os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos trouxeram números piores que o esperado. O país criou 210 mil empregos em outubro, de acordo com o payroll, divulgado nesta sexta-feira. A mediana da pesquisa da Refinitiv com economistas projetava criação de 550 mil vagas.  A taxa de desemprego, por sua vez, recuou para 4,2%.

“Tais dados sugerem que o mercado de trabalho segue apertado, embora haja um progresso pior no retorno da folha de pagamento ao nível anterior à pandemia”, afirma Alexsandro Nishimura, economista da BRA.

Por aqui, o destaque foi a produção industrial do mês de outubro, que também frustrou expectativas. O indicador caiu 0,6% em outubro frente setembro, no quinto resultado negativo consecutivo, e registrou queda de 7,8% na comparação com outubro de 2020. A expectativa de analistas ouvidos pela Refinitiv era de leve alta 0,6% na comparação mensal, e de queda de 5% na comparação anual.

O investidor continua monitorando notícias sobre a variante ômicron do coronavírus e, por aqui, vai acompanhar a PEC dos Precatórios que foi aprovada no Senado e agora volta para Câmara, já que o texto sofreu alterações.

Segundo a consultoria Arko Device, a promulgação parcial da PEC pode obrigar o governo a pagar precatórios na totalidade em 2022. Os senadores redigiram a PEC de modo a atrelar o novo espaço fiscal aos gastos sociais. Do jeito que foi escrita, a Câmara, como deseja seu presidente, Arthur Lira (PP-AL), terá dificuldades para desmembramentos.

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A PEC seria promulgada sem a previsão de um limite para pagamento das dívidas judiciais, que são os precatórios, e o governo teria a obrigação de paga-los em sua totalidade já em 2022 – justamente o motivo original da PEC.

Ainda que tenha passado pelo Senado, a discussão do assunto na Câmara promete mexer com o mercado na próxima semana.

O Ibovespa terminou o dia em alta de 0,58% aos 105.069 pontos. O volume negociado na sessão de hoje foi de R$ 33,5 bilhões. Na semana, o índice acumulou alta de 2,6%. O Ibovespa futuro para dezembro operava em alta de 0,91% aos 105.730 pontos.

O dólar comercial fechou em alta de 0,35%, a R$ 5,679 na compra e R$ 5,680 na venda. Na semana, a moeda americana acumulou alta de 1,48%. O dólar futuro com vencimento em janeiro de 2022 operava em alta de 0,09% a R$ 5,685, nos últimos negócios do dia.

Na sessão estendida do mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2023 caiu 24 pontos-base para 11,30%; DI para janeiro de 2025 recuou 29 pontos-base a 10,89%; e o DI para janeiro de 2027 caiu 21 pontos-base a 10,94%.

Em Nova York, as Bolsas começaram o dia em alta e inverteram sinal, recuando forte. O Dow Jones fechou em queda de 0,17% a 34.579 pontos; o S&P teve queda de 0,85% a 4.538 pontos; e a Nasdaq fechou em baixa de 1,92% a 15.085 pontos.

Na Europa, as Bolsas também viraram e fecharam em baixa. O índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, recuou 0,57%.

Os preços do petróleo também viraram. O Barril WTI recuava 0,72%, a US$ 66,04, na sessão estendida. O Brent opera estável, em ligeira queda de 0,01%, a US$ 69,66.

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