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Ibovespa opera de lado entre tentativa de correção e risco fiscal; DIs curtos caem após ata do Copom

Mercado registra desempenho errático depois de uma forte baixa no dia anterior

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SÃO PAULO – O Ibovespa até chegou a engatar alta nesta terça-feira (22), puxado pelas ações da Petrobras (PETR3; PETR4) e de bancos, mas depois de subir 0,7%, o índice voltou a zerar ganhos em pregão volátil e opera de lado desde o fim da manhã.

O clima de aversão a risco com preocupações a respeito da capacidade do Tesouro de honrar compromissos fiscais limita a recuperação posterior à forte baixa da véspera.

Lá fora, bolsas internacionais têm leves ganhos refletindo as falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, de que o banco central americano irá apoiar a economia do país por quanto tempo for necessário. Ele discursou no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos EUA, o primeiro de três dias de depoimentos ao Congresso nesta semana.

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No Brasil, os investidores repercutem a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta manhã. No documento, o Copom reiterou que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para corte de juros, se houver, deve ser pequeno.

Segundo análise da XP Macro, a ata do Copom foi neutra, repetindo em grande parte a comunicação anterior. “No parágrafo 16 o Comitê eliminou a parte em que discutia a limitação do forward guidance (FG) em emergentes, reforçando a confiança no mecanismo”, ressaltaram os analistas da corretora. Para a XP, o foco a partir de agora será o risco de mudança no regime fiscal.

O mercado também ficou atento ao discurso do presidente Jair Bolsonaro na 75ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Bolsonaro defendeu a postura adotada por seu governo no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus e rebateu críticas internacionais à política ambiental brasileira.

Às 14h12 (horário de Brasília) o Ibovespa tinha leve variação negativa de 0,16%, aos 96.837 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial sobe 1,54% a R$ 5,4818 na compra e a R$ 5,4833 na venda. O dólar futuro para outubro, por sua vez, cai 1,26%, a R$ 5,484.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai três pontos-base a 2,94%, o DI para janeiro de 2023 perde dois pontos-base a 4,37%, o DI para janeiro de 2025 vira para alta de um ponto-base a 6,33% e o DI para janeiro de 2027 varia positivamente dois pontos-base a 7,31%.

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Com o reforço da mensagem mais dovish (favorável a manter a política monetária afrouxada para estimular a economia) da ata do Copom, as apostas em elevações de juros nas próximas reuniões se esvaziaram, provocando um ajuste na curva dos juros futuros.

Também no cenário doméstico, foi noticiado que o reforço para o Renda Brasil poderá vir de cortes na máquina pública. Segundo o Estado de S.Paulo, o presidente Jair Bolsonaro tem sido aconselhado pela sua equipe a rever os custos com servidores ou condicionar o programa à aprovação de novas iniciativas. Entre elas, estaria a criação de um novo imposto.

De olho no exterior

O mercado segue acompanhando hoje o cenário externo, que ontem trouxe um forte movimento de aversão ao risco, levando o Ibovespa ao menor nível desde o início de julho. Depois da revelação de que alguns dos maiores bancos do mundo estariam envolvidos em transações suspeitas envolvendo US$ 2 trilhões, os analistas avaliam que a inspeção sobre o setor deve aumentar no curto prazo.

No entanto, segundo o Estado de S.Paulo, não deve haver uma nova rodada de aperto regulatório. Além disso, os especialistas avaliam que o Brasil deve sentir o efeito via mercado, ou seja, no efeito sobre os preços das ações, somente devido à maior aversão a risco. Isso porque a legislação brasileira já é mais rígida.

Outro assunto no radar internacional é o avanço do coronavírus na Europa, onde foram registrados 300 mil casos na última semana. A segunda onda de contaminação, na França, Espanha, Alemanha e Reino Unido pode levar a região de volta ao lockdown, indicando que o continente vive a fase mais delicada da epidemia desde meados de maio.

Discurso do presidente

Os investidores também vão ficar atentos hoje ao discurso do presidente Jair Bolsonaro na 75ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que será exibido em vídeo. Segundo o G1, existe uma expectativa de que ele trate da questão ambiental, já que o país sofre críticas internacionais pelo aumento das queimadas na Amazônia e no Pantanal.

Na véspera, Bolsonaro comemorou a ampliação da cota de açúcar que o Brasil poderá exportar a mais para os Estados Unidos. No entanto, segundo a Folha de S.Paulo, o aumento da cota já era esperado desde abril.

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O setor sucroalcooleiro não celebrou a medida. Em nota, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única) afirmou que a medida tem sido praxe e não representa “qualquer avanço estrutural para um maior acesso do açúcar brasileiro àquele país”, segundo o Estado de S.Paulo.

No noticiário nacional, também chama atenção a informação de que o Brasil é um dos países que mais sentem a inflação da Covid. Segundo a Folha de S.Paulo, um estudo do economista argentino Alberto Cavallo, professor da escola de negócios da Universidade Harvard, comparou a inflação causada pela crise sanitária com a variação capturada pelos índices de preços ao consumidor.

Entre 18 países analisados, o Brasil mostrou a maior disparidade entre a inflação da Covid e o IPCA. O Brasil aparece no topo da lista porque apresentou uma combinação entre alta forte nos preços de alimentos (9% anuais em maio) e queda no custo de transporte (de 2,5%).

Radar corporativo

No noticiário de empresas, um dos destaques foi a declaração da Totvs de que o comitê especial independente da Linx tem trabalhado para retardar, ou mesmo impedir, a análise da proposta da Totvs para unir as empresas, com o objetivo de favorecer a proposta feita pela Stone. Além disso, a Ultrapar Participações e a Cosan confirmaram que estão disputando a compra da Refinaria Presidente Getúlio Vargas da Petrobras, no Paraná.

Outro destaque é a notícia de que a Petrobras deve adiar a oferta dos 37,5% ainda detidos pela petroleira na BR Distribuidora até que haja uma melhoria das condições do mercado de capitais, de acordo com o Valor Econômico. Ao mesmo tempo, a B2W homologou um aumento de capital de R$ 4 bilhões, enquanto a B3 anunciou pagamento de proventos.

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