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Ibovespa muito além dos 155 mil? “Brasil pode viver segunda pernada de valorização”

Visão é da Ágora Investimentos, que ressalta olhar do estrangeiro e expectativa por início da queda dos juros em 2026

Lara Rizério

Painel de cotações (Shutterstock)
Painel de cotações (Shutterstock)

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O Ibovespa não para de renovar máximas históricas de fechamento – na última sexta-feira, ultrapassou os 154 mil pontos e atingiu uma série de 13 altas. Com tal desempenho, o Ibovespa registrou a maior sequência de ganhos desde a série de 15 altas entre maio e junho de 1994. A expectativa ainda é de novos ganhos para o benchmark da Bolsa nesta semana, em meio ao ânimo global com um possível fim do shutdown (paralisação do governo dos EUA).

Para os especialistas de mercado, há espaço para ainda mais: já olhando para 2026, a XP Investimentos projeta o Ibovespa a 170 mil pontos. Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, ressalta a alta de 28,25% do índice no ano e mais de 45% em dólares, e aponta que este é o “bull market” (ciclo de alta de preços das ações com duração razoavelmente longa) “mais silencioso de todos os tempos”. A visão é não esperar os juros caírem – Selic está atualmente a 15% ao ano, com expectativa de início do ciclo de cortes em 2025 – para tomar mais risco.

A equipe de research da Genial Investimentos ressalta que, apesar da sequência de recordes no Ibovespa, o cenário segue positivo para os ativos brasileiros.

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“No dia 16 de outubro, o investimento estrangeiro teve saldo positivo de R$ 1,35 bilhão, indicando retomada do interesse por ativos locais. O ambiente internacional também favorece os mercados emergentes, incluindo o Brasil. (…) A discussão não gira mais em torno de quando começa, mas sim de quanto a taxa básica pode cair até o fim do ciclo. Hoje, a aposta mais forte é de que a Selic termine 2026 abaixo de 12%”, aponta a Genial.

Há uma semana, o mercado estimava o CDI de 2026 em cerca de 13,5%, mas essa projeção caiu para 12,5%, movimento que reforça o potencial de valorização dos ativos locais, aponta a Genial. O consenso atual aponta para o início dos cortes em janeiro de 2026, com redução total de 250 pontos-base.

No campo doméstico, ressalta, os dados econômicos têm vindo mistos. As vendas no varejo subiram 0,9% em agosto, mas o núcleo do setor cresceu apenas 0,2%, abaixo das projeções. Já o setor de serviços avançou 0,1%, alinhado às expectativas, sugerindo um crescimento moderado, sem sinais claros de desaceleração forte.

“Diante desse cenário, mantemos posição comprada tanto em bolsa americana quanto brasileira, e enxergamos grande oportunidade nos títulos de inflação de longo prazo (IPCA+)”, reforça a Genial.

A Ágora Investimentos aponta que, quando o estrangeiro olha para o Brasil, não vê apenas 150 mil pontos no Ibovespa. Ele traduz isso para sua moeda: aproximadamente 30 mil pontos em dólares (USD), um nível que ainda carrega desconto frente às máximas históricas.

“Em 12 meses, a alta foi de aproximadamente 30%, impulsionada pelo câmbio e pelo apetite global por risco. Mas, para quem compara com S&P 500 ou MSCI Emergentes, o Brasil continua sendo aquele jogador subestimado – com espaço para correr mais”, avalia a equipe de análise.

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Conforme destaca a Ágora, o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) projetado do Ibovespa é de aproximadamente 8,6x (vezes), bem abaixo da média histórica (10x) e com desconto gritante frente ao S&P 500 (22x). “Para o estrangeiro, isso soa como uma oportunidade interessante de comprar qualidade a preço de liquidação”, reforça.

A Ágora pondera que há “poréns” para o investimento em Brasil: Selic alta e risco fiscal. Enquanto o Fed já reduziu juros para o intervalo de 3,75% a 4%, o Brasil segue com 15%, e o primeiro corte não deve vir antes de janeiro de 2026.

Há um dilema do estrangeiro: “entrar agora, apostando na reavaliação dos múltiplos, ou esperar o sinal claro do Banco Central [de corte de juros]?”

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Para os analistas, o arco da narrativa aponta para um desfecho promissor: quando a Selic começar a cair, o Brasil pode viver sua segunda pernada de valorização.

“O investidor global sabe disso —e por isso o fluxo estrangeiro já soma R$ 24 bilhões no ano”, avalia. A Ágora avalia que o Brasil se destaca com baixo P/L e alto retorno, uma combinação pouco comum no cenário internacional. “Para o investidor, isso significa receber para esperar —e se posicionar para capturar a próxima alta quando o ciclo virar”, avalia.

“Em um mundo onde os mercados desenvolvidos parecem correr atrás de preços cada vez mais altos, o Brasil oferece uma narrativa diferente: oportunidade com fundamento. É o personagem que entra em cena com desconto, paga para esperar e guarda um gatilho claropara mudar de patamar. Para quem busca assimetria, essa história não é sobre o que já aconteceu, mas sobre o que ainda pode acontecer. E os próximos capítulos começam quando o apito da política monetária soar…”, conclui a Ágora.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.