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Dólar hoje fecha em alta de 1,6%: os 4 motivos que fizeram a moeda superar os R$ 5,06

Crescentes pressões inflacionárias decorrentes da alta dos preços da energia alimentavam as apostas em um aumento da taxa de juros pelo Fed

Felipe Moreira Agências de notícias

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O dólar à vista fechou em forte alta frente ao real nesta sexta-feira (15), refletindo, em primeiro lugar, a aversão global ao risco em meio ao impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã.

Em segundo lugar, mas relacionada, a alta do petróleo e, em terceiro, o reforço dos temores inflacionários, que aumentam as apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros até o fim do ano. Em quarto lugar, está o cenário doméstico, com a percepção de maior risco político.

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Qual foi a cotação do dólar hoje?

O dólar comercial fechou em alta de 1,63%, aos R$ 5,067. O dólar futuro para junho – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro – avançava 1,53% na B3, aos R$ 5,081.

Na semana, a moeda acumulou alta de 3,48% e, no ano, recuo de 7,70%.

Dólar comercial

O que aconteceu com dólar?

A moeda norte-americana sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas ao redor do mundo, em sintonia com o avanço firme dos rendimentos dos Treasuries, com os investidores elevando as apostas de que o Federal Reserve precisará subir juros para conter a inflação.

Essa percepção é alimentada pela continuidade da guerra no Oriente Médio, que mantém o Estreito de Ormuz fechado ao transporte de petróleo e gás.

O preço do barril de petróleo Brent voltou a subir, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que sua paciência com o Irã está se esgotando.

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que Teerã não tem “nenhuma confiança” nos EUA e se interessa em negociar com Washington somente se for sério.

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O cenário geopolítico turbulento fazia o dólar ter altas firmes ante moedas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, mas o real era a divisa global mais pressionada, liderando as perdas da sessão.

Isso porque, além do exterior, os investidores seguem atentos aos desdobramentos do escândalo que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-dono do Master, Daniel Vorcaro.

Na quarta-feira, uma reportagem do Intercept Brasil afirmou que Flávio negociou com Vorcaro R$ 134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

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Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade em sua relação com Vorcaro, alegando ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer qualquer vantagem em troca. Procurada, a defesa de Vorcaro não comentou a reportagem do Intercept.

No mercado, a percepção mais geral é de que a ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro eleva as chances de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleger em outubro. A continuidade do governo Lula, por sua vez, é vista como um fator negativo para o ajuste das contas públicas.

(Com Reuters)

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