Abertura

Ibovespa Futuro sobe com recuperação depois de “efeito Lula” da véspera e segue exterior; dólar sobe a R$ 5,82

Pré-market mostra ganhos na esteira de um dia muito negativo; ainda no radar dos investidores, discussão sobre PEC Emergencial tem indefinições

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(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em alta nesta terça-feira (9) depois do índice à vista cair 4% na véspera em meio ao aumento nas incertezas sobre o cenário político por conta da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, de anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava Jato.

Com isso, Lula recuperou seus direitos políticos e poderia se candidatar novamente à presidência da República em 2022.

No radar de hoje, os futuros dos índices dos Estados Unidos sobem com o Dow Jones estendendo os ganhos da véspera ao mesmo tempo em que o S&P 500 e o Nasdaq se recuperam das perdas do dia anterior, em que a principal notícia foi a aprovação pelo Senado do pacote de US$ 1,9 trilhão em estímulos contra os impactos econômicos do coronavírus.

A sessão da segunda-feira foi marcada por um claro rodízio de ações em que o capital migrou de papéis de empresas de tecnologia, que possuem fluxos de caixa mais longos e são mais impactadas pelo aumento nas taxas de juros de longo prazo, para ações de empresas em setores mais tradicionais, que são mais expostas ao ciclo econômico e, portanto, ganham mais com o reaquecimento da economia.

Por aqui, a Câmara dos Deputados enfrentou ontem dificuldades para fechar o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial depois da pressão do presidente Jair Bolsonaro para que haja mudanças no texto que foi aprovado no Senado na semana passada.

Segundo informações do Estado de S. Paulo, Bolsonaro tem a intenção de retirar policiais dos gatilhos fiscais que impossibilitam progressão de carreira e reajustes quando as despesas obrigatórias atingem 95% do Orçamento do ente governamental.

De acordo com a equipe de análise da XP Política, o Ministério da Economia e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), atuam para que Bolsonaro recue nos pedidos.

Entre os indicadores, o volume de serviços cresceu 0,6% em janeiro na comparação com dezembro, revelou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mediana das projeções dos economistas para o indicador apontava para um avanço de 0,1% segundo dados compilados pela Refinitiv.

Às 9h15 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em abril de 2021 tinha alta de 1,09%, a 110.150 pontos. Vale lembrar que ontem o futuro caiu 5,5%, bem mais que os 4% do benchmark à vista, de modo que algum ajuste é natural.

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Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 0,79% a R$ 5,8228 na compra e a R$ 5,8238 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em abril registra perdas de 0,91% a R$ 5,828.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 opera estável a 3,99%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de três pontos-base a 5,80%, o DI para janeiro de 2025 avança um ponto-base a 7,41% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de um ponto-base a 8,02%.

Voltando aos EUA, as perspectivas de mais despesas do governo e de crescimento econômico mais rápido têm gerado temores de um aumento da inflação, o que levou os yields (rendimento) dos treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) de dez anos a máximas em um ano na véspera.

Juros de longo prazo mais altos podem fazer com que investidores migrem do mercado de ações para o de títulos do Tesouro, considerados um investimento seguro por ser garantido pelo governo, que tem poder de criar impostos para cobrir gastos, se necessário. Esse movimento tenderia a levar à queda de papéis listados nas bolsas.

Juros mais altos também aumentam o custo para tomada de empréstimos por empresas de rápido crescimento, que necessitam de grande volume de recursos, como é o caso daquelas do setor de tecnologia.

No entanto, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, afirmou nesta segunda-feira não esperar que a economia aqueça demais por causa do aumento dos gastos.

Hoje, por outro lado, os treasuries de 10 anos mostram queda dos seus juros de 1,6% na véspera para 1,537%.

Sobre commodities, na segunda o barril de petróleo Brent chegou a ultrapassar a marca de US$ 70 após a Arábia Saudita informar que instalações de petróleo foram alvo de mísseis e drones no domingo (7), em uma ação reivindicada por um porta-voz militar houthi.

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Os sauditas afirmaram, no entanto, que não houve danos significativos à sua infraestrutura. Assim, os preços do petróleo recuaram nas negociações de overnight. Nesta terça, o barril Brent é negociado na casa dos US$ 69 o barril.

Já os mercados da China continental tiveram um segundo dia de fortes perdas, em meio à avaliação de que Pequim poderá agir para conter o avanço de dívidas e prevenir a formação de bolhas de ativos. Na semana passada, o governo chinês anunciou que irá buscar crescimento de mais de 6% este ano. A meta ficou bem abaixo das projeções de muitos economistas e foi interpretada como sinal de que Pequim poderá tomar iniciativas para gerenciar riscos ligados a dívidas.

Na Europa, por sua vez, destaque para os dados econômicos na região. A agência de estatísticas da União Europeia apontou que o Produto Interno Bruto nos 19 países que usam o euro caiu 0,7% na comparação trimestral, mais do que a estimativa inicial de 0,6%. Isso representa uma queda anual de 4,9%, menos do que a estimativa anterior de 5,0%.

Efeito Lula nos mercados

A sessão da véspera foi de forte queda para o Ibovespa, de 3,98%, e de alta de 1,67% para o dólar, como reação à decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular as condenações do ex-presidente. A avaliação dos analistas é de que a possibilidade de Lula se candidatar à presidência em 2022 após a decisão amplia o risco eleitoral e a polarização política no país, o que traz mais pressão para os mercados.

Conforme destaca Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, os investidores enxergam um cenário extremamente polarizado para 2022, com um segundo turno quase certo entre o atual presidente Jair Bolsonaro e Lula. “Se o mercado se decepcionou com o Bolsonaro nas últimas semanas com a falta de agenda reformista, agora o que se enxerga para o ano que vem são dois candidatos que não são comprometidos com as reformas de ajuste fiscal”, avalia. Veja mais análises aqui e aqui.

A Infinity Asset ainda aponta que “a decisão [de Fachin] traz mais um elemento para incrementar a saída – e pior – a não entrada do investidor estrangeiro, devido à insegurança jurídica, institucional, onde um cenário como tal, o respeito a contratos não passa de uma mera formalidade a ser superada pelos desejos do Judiciário. Além de tudo, o ‘elemento Lula’ é disruptivo, pois alimenta a polarização da discussão política no Brasil e ainda, traz dúvidas sobre a perenidade das
possíveis reformas ainda a serem aprovadas no legislativo e àquelas já formalizadas desde o mandato de [Michel] Temer”, aponta.

Cabe destacar que o quadro do mercado acionário já era tenso, com a má avaliação sobre a gestão da pandemia do coronavírus pelo governo, rápido aumento do número de contaminações e mortes e sinais de ingerência em estatais, com a demissão do presidente da Petrobras Roberto Castello Branco e a indicação do general Joaquim Silva e Luna.

A indicação foi encarada como um sinal de que Bolsonaro estaria insatisfeito com os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis, que vinham fazendo com que fosse alvo de pressão por parte de caminhoneiros.

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Devendo afetar o mercado brasileiro também nesta sessão, está a notícia, segundo o Estadão, de que Bolsonaro negocia com deputados a desidratação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) emergencial, que autoriza uma nova rodada de auxílio a vulneráveis, para liberar a possibilidade de progressão e promoção de servidores públicos em novas situações de crise. Também estão sendo negociadas outras mudanças no texto que foi aprovado pelo Senado na semana passada, como a retirada da necessidade de o governo apresentar um plano para redução de subsídios e isenções.

Média móvel de mortes ultrapassa a marca de 1.500 pela primeira vez

Pelo décimo dia seguido, o país bateu seu recorde na média móvel de mortes por Covid em 7 dias, com a marca de 1.540, alta de 41% em comparação com a média de 14 dias atrás. Há 47 dias o Brasil vem batendo a marca de mil mortes diárias, e é a primeira vez que o patamar de 1.500 foi ultrapassado.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de segunda (8), o avanço da pandemia em 24 h no país. Em apenas um dia, o Brasil registrou 1.114 mortes.

Segundo o consórcio de veículos de imprensa, a média móvel de novos casos em sete dias foi de 66.553, alta de 37% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 36.923 diagnósticos.

Até a segunda, 8.497.929 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 4,01% da população. A segunda dose foi aplicada em 2.848.847 pessoas, ou 1,35% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Em quatro dias, nove pacientes que estavam internados por Covid em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, morreram à espera de um leito em UTI (unidade de terapia intensiva). É a primeira vez que uma cidade da grande São Paulo registra a morte de pacientes de Covid à espera de leitos.

Com base em levantamento de portarias publicadas no Diário Oficial da União, o Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde) afirmou na segunda que o Ministério da Saúde reduziu entre julho de 2020 e março de 2021 em 71% o financiamento de leitos de UTI exclusivos para pacientes com Covid.

Na segunda a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) iniciou a produção local de doses da vacina produzida pela parceria entre Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca. Uma falha técnica levou a quase 20 dias de atraso. Em março, serão produzidas 3,8 milhões de doses, e não as 15 milhões previstas inicialmente.

Em cerimônia na Fiocruz, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, voltou a reduzir a previsão de doses contra Covid disponíveis para o Brasil em março. Em fevereiro, o general previa 46 milhões de doses até o final de março, estimativa reduzida para 38 milhões posteriormente. Neste sábado, a estimativa voltou a ser reduzida, para 30 milhões e, na segunda, para entre 25 milhões e 28 milhões.

O ministro justificou a revisão afirmando: “Não foi entregue o quantitativo de IFA contratado para a produção de 15 milhões de doses em janeiro. Então a Astrazeneca nos forneceu a entrega de 12 milhões de doses prontas, que seriam do laboratório indiano Serum. E esse laboratório vem fazendo uma postergação da entrega. Então, até agora vieram quatro milhões – ainda faltam oito. Nessa negociação, vamos ter que fazer uma pressão política, diplomática e até pessoal nossa com a Astrazeneca cobre do Laboratório Serum, para que ele cumpra a entrega dos oito milhões que faltam (…) Neste momento, a Índia, como país, dificultou o processo porque ela proibiu a exportação”.

Por outro lado, o governo acelerou o cronograma de entrega para entre maio e junho de 14 milhões de doses vacinas desenvolvidas pela parceria entre Pfizer e BioNTech, a única com registro definitivo da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Inicialmente, eram previstas 9 milhões de doses para o período.

Queixando-se do fato de que as empresas não se responsabilizavam por eventuais efeitos colaterais da vacina, o governo recusou a oferta de 70 milhões de doses feita já em 2020, o que teria permitido a entrega de doses já em dezembro. Mas, pressionado por governadores e parlamentares, voltou a negociar.

Radar corporativo

Em destaque, o Magazine Luiza encerrou o quarto trimestre de 2020 com alta de 30,6% no lucro líquido, para R$ 219,5 milhões. No acumulado do ano passado, o resultado encolheu 57,5%, para R$ 391,7 milhões. No critério “ajustado”, sem considerar as despesas e receitas não recorrentes, o lucro líquido trimestral somou R$ 232,1 milhões, alta de 39,8% sobre outubro a dezembro de 2019. No ano de 2020, o lucro líquido ajustado atingiu R$ 377,8 milhões, queda de 25,1% em relação ao ano anterior.

Já a Marfrig Global Foods teve um lucro líquido recorde de R$ 3,3 bilhões em 2020, salto de 1.413,76%, ou de 15 vezes, ante os R$ 218 milhões registrados no ano anterior, com forte participação da operação da empresa na América do Norte, informou a companhia nesta segunda-feira.

No quarto trimestre de 2020, o lucro líquido da Marfrig foi de R$ 1,171 bilhão, por volta de 43 vezes acima do desempenho do mesmo período de 2019. Enquanto isso, o Ebitda ajustado teve alta de 30,3% no comparativo anual, a R$ 2,1 bilhões e o fluxo de caixa operacional livre cresceu saltou 165% na base de comparação anual, a R$ 1,5 bilhão.

A Petz, por sua vez, teve lucro líquido de R$ 27,4 milhões, 65,1% maior frente os R$ 16,6 milhões em igual período de 2019. Os valores referem-se aos atribuíveis aos controladores. Já a Santos Brasil teve lucro líquido de R$ 14,3 milhões, alta de 38,8%; no acumulado de 2020, a empresa teve prejuízo de R$ 13,8 milhões, revertendo lucro de R$ 11 milhões em 2019.

A companhia aérea Gol informou na véspera que teve consumo líquido de caixa de R$ 3 milhões por dia em fevereiro, uma vez que seguiu enfrentando os efeitos de uma segunda onda da pandemia da Covid-19. A empresa informou ter tido no mês passado uma média de 355 voos por dia, queda de 28% em relação ao mês anterior, com taxa média de ocupação das aeronaves de 80,8%.

No radar de estatais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou na véspera que deu carta branca para que o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, sugerisse nomes para a presidência da Eletrobras, mas afirmou que ele é quem baterá o martelo sobre a indicação. Em 25 de janeiro, o ex-presidente da estatal Wilson Ferreira Júnior pediu demissão do cargo. O executivo assumirá o comando da BR Distribuidora.

A Petrobras recebeu carta do Fundo de Investimento em Ações Dinâmica Energia e do Banclass Fundo de Investimento em Ações, ambos administrados pelo Banco Clássico, com a indicação de Leonardo Pedro Antonelli para a eleição para o conselho de administração da companhia. Antonelli é advogado, sócio fundador do escritório Antonelli e Advogados Associados, e já foi jurista no Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro. Ele já é conselheiro da Petrobras, eleito em 2020.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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