Pré-mercado

Ibovespa futuro opera em queda após forte alta da véspera; inflação americana, BCE e petróleo no radar

Petróleo volta a avançar e investidores aguardam divulgação do PCE e das decisões do Banco Central Europeu

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa futuro opera em queda no início do pregão desta quinta-feira (10). Por volta das 9h20 (horário de Brasília) o contrato com vencimento em abril recua 0,63%, aos 114.075 pontos, acompanhando a performance das principais bolsas internacionais.

Nos Estados Unidos, os futuros americanos recuam em bloco – o do Dow Jones, cai 0,97%, o do S&P 500, 0,98% e o da Nasdaq, 1,38% – após as fortes altas da véspera. Por aqui, o dia também aponta para baixa após o índice à vista ter subido 2,43% na véspera.

Volta a pesar sobre os índices americanos a alta do preço do petróleo. Apesar de o barril Brent ainda figurar longe dos US$ 127 registrados na terça-feira, o seu preço avança mais de 4%, negociado a US$ 115,93. O WTI avança 3,8%, a US$ 112,91.

Além disso, ainda nos EUA, os investidores estão cautelosos, no aguardo da publicação do índice de preços ao consumidor de fevereiro, às 10h30. Trata-se do número da inflação que mais pesa nas decisões do Federal Reserve sobre as altas dos juros.

“A mediana das projeções dos analistas indica alta de 7,8% para o índice geral no acumulado dos últimos 12 meses, e de 6,4% para a medida de núcleo – exclui os itens voláteis de energia e alimentos (ou seja, aceleração frente aos resultados registrados em janeiro, de 7,5% e 6,0%, respectivamente)”, comenta a XP Investimentos em seu morning call.

Na Europa, os índices recuam impactados pelo petróleo e com investidores também cautelosos, aguardando a decisão do Banco Central Europeu sobre a taxa de juros, a ser divulgada às 9h45, bem como a entrevista que vem posteriormente, em que a presidente da instituição, Christina Lagarde, deve dar mais informações sobre como os diretores da autoridade monetária do bloco veem o atual momento econômico.

“Com relação ao BCE, o investidor vai buscar entender se o combate à inflação – já em níveis recordes no Velho Continente – será priorizado através de uma postura mais dura, ou se a autoridade monetária irá seguir sinalizando uma maior flexibilidade na condução da política monetária”, diz a Guide Investimentos.

O DAX, da Alemanha, cai 2,30%. O CAC 40, da França, recua 2,66%. O FTSE, de Londres, está em baixa de 1,04%. O STOXX 600, de todo o continente, retrocede 1,24%.

Além do petróleo e da decisão do BCE, os índices europeus também repercutem o fracasso das negociações entre autoridades da Rússia e da Ucrânia, que aconteceu na Turquia. “Não fizemos nenhum progresso em relação ao cessar-fogo”, declarou Dmytro Kuleba, ministro das Relações Exteriores do país invadido após a reunião, acrescentando que a Ucrânia está “pronta para um novo encontro neste formato se houver perspectivas de encontrar uma solução”.

Na Ásia, por fim, os principais índices fecharam em alta, repercutindo a performance das bolsas do Ocidente da véspera. O Nikkei, do Japão, subiu 3,94%, o Shanghai, da China continental, 1,22%, o HSI, de Hong Kong, 1,27%, e o Kospi, da Coréia do Sul, 2,21%.

Ibovespa futuro repercute também dados do varejo brasileiro

Mais do que a alta do petróleo, que traz a percepção de que a inflação continuará avançando e que os bancos centrais terão de se movimentar, investidores no Brasil repercutem também a publicação, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de que as vendas no varejo no país cresceram 0,80% na base mensal – maior do que os 0,30% esperados pelo consenso Refinitiv.

A curva de juros sobe em bloco – o contrato DI com vencimento em janeiro de 2023 vê sua taxa avançar sete pontos-base, para 12,98%, o para 2025 vê seu rendimento, idem, para 12,26%. Na ponta longa, os rendimentos dos DIs para 2027 e 2029 sobem, respectivamente, cinco e três pontos, para 12,16% e 12,27%.

O dólar futuro avança 0,20%, a R$ 5,054. O dólar comercial sobe 0,27%, a R$ 5,023 na compra e a R$ 5,024 na venda.

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