Pré-mercado

Ibovespa futuro opera em queda, acompanhando exterior, em início de semana movimentada

Bolsa brasileira acompanha tendência de queda dos principais índices internacionais no pré-mercado, de olho em alta dos juros

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa futuro abriu em queda na manhã desta segunda-feira (7), acompanhando a principais bolsas internacionais, que também recuam. Às 9h10 (horário de Brasília), o contrato do índice com vencimento em fevereiro cai 0,35%, aos 111.960 pontos.

Nos Estados Unidos, os futuros registram leve tendência de queda após os índices terem na última semana a melhor performance do ano. O do Dow Jones recua 0,18%, o do S&P 500 0,13% e o da Nasdaq, 0,05%.

É destaque no pré-mercado americano o desempenho dos treasuries – na ponta curta, o vincendo em dois anos opera em 1,306%, maior patamar desde o começo da pandemia; na ponta longa, o com vencimento em dez anos é negociado com taxa de 1,925%, a maior desde abril de 2019.

“Nos EUA, os dados fortes de empregos publicados na sexta-feira passada e uma inflação acima das expectativas pode levar os mercados a precificar em mais de cinco aumentos de juros este ano”, explicam os analistas da XP Investimentos, em seu morning call.

Na Europa os juros também têm tendência de alta, após os dados da inflação no continente na última semana virem acima do consenso e a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmar que a instituição considera altas dos juros por conta da inflação “persistente”. Na Alemanha, principal economia do Velho Continente, os títulos com vencimento em dez anos estão no maior nível desde janeiro de 2019, a 0,245%.

Investidores repercutem ainda no Velho Continente a divulgação dados macroeconômicos na Alemanha e crise na Ucrânia.

“A produção industrial de dezembro da maior e mais industrializada economia da Zona do Euro ficou muito abaixo das expectativas, caindo 0,3% mês a mês, enquanto a média das expectativas dos economistas era de um aumento de 0,5%. O nível de produção ficou 4,1% abaixo de dezembro de 2020”, diz a XP.

Já quanto às tensões no leste europeu, o final de semana foi agitado, com direito a uma chamada de atenção do embaixador ucraniano na Alemanha. O diplomata afirmou que o país tem de acordar, que se recusa a enviar ajuda para a região, tem de acordar antes que seja tarde e, como maior economia do continente, “não pode apenas dormir e aproveitar sua vida confortável”.

“Na seara Internacional, a crise na fronteira entre Rússia e Ucrânia é destaque nesta segunda-feira. Em meio a tensões elevadas com a OTAN, o Kremlin voltou a negar intenções de invasão do país vizinho. Entretanto, os aliados continuam alertando ao risco elevado de conflito na região e coordenam estratégias para esforços diplomáticos”, comentam os analista da XP.

Quanto aos índices do Velho Continente, a maioria opera próximo da estabilidade. O DAX, da Alemanha ganha 0,10% às 9h. O CAC 40, da França, cai 0,06%. O FTSE, do Reino Unido, sobe 0,28%. O STOXX 600, de toda a região, cai 0,02%.

Por fim, na Ásia a tendência não foi clara – na China continental, o principal índice, o Shangai, registrou alta de 2,03%, após as bolsas ficarem fechadas na última semana, por conta do feriado de ano novo lunar. O HSI, de Hong Kong, ficou estável. Os índices do Japão e da Coréia do Sul, por sua vez, recuaram, respectivamente 0,70% e 0,19%.

No Brasil, PEC dos combustíveis e Focus no radar

No cenário interno, investidores continuam monitorando a questão da PEC dos combustíveis, vista como uma ameaça fiscal.

“Segundo a imprensa, o Planalto estaria apoiando a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apresentada na semana passada pelo deputado Christino Aureo, que permitiria ao governo cortar impostos sobre os combustíveis sem ter que realizar compensações com outra fonte de receita (como exige a Lei de Responsabilidade Fiscal atualmente)”, explica a XP.

As projeções chegam a um impacto de R$ 50 bilhões por ano e os comentários são de que o Ministério da Economia, de Paulo Guedes, ainda tentam fazer o Governo Federal a mudar de ideia.

Já o Boletim Focus trouxe hoje, pela quarta semana consecutiva, uma alta das projeções para o IPCA, que agora deve avançar 5,44% em 2022, ante 5,44% na última semana.

A curva de juros brasileira cai na ponta curta e sobe nas demais regiões. O rendimento do DI com vencimento em janeiro de 2023 cai um ponto-base, para 11,99%. Os DIs vincendos em 2025, 2027 e 2029 sobem, respectivamente, dois, três e dois pontos, a 11,11%, 11,25%, 11,46%.

O dólar futuro recua 0,26%, a R$5,345, e o comercial cai 0,12%, negociado a R$ 5,315 na compra e a R$ 5,316 na venda.

No Brasil, após uma última semana marcada por mais uma alta de juros, com a taxa Selic chegando a 10,75% ao ano, o mercado conhecerá, na próxima terça-feira (8), os próximos passos da política monetária com a divulgação da ata do Copom.

Na quarta-feira (9), será conhecida a inflação de janeiro medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O Itaú prevê variação mensal de 0,55%. “A leitura deve continuar pressionada por itens industriais (especialmente no grupo de transportes, com preços mais altos de veículos novos e usados), serviços (em especial alimentação fora de casa e aluguéis) e alimentação em casa (explicada por uma pressão sazonal natural em janeiro, devido a condições climáticas”, diz a análise do banco.

O noticiário corporativo será influenciado nos próximos dias pelos relatórios de produção da Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3;PETR4) e balanços do Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Usiminas (USIM5).

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