Pré-mercado

Ibovespa futuro cede à pressão do exterior e opera em baixa; temores com inflação fazem juros futuros subirem

Escalada global de preços reforça perspectiva de retirada de estímulos e alta de juros

Por  Mitchel Diniz -

O Ibovespa futuro opera em queda nos negócios desta terça-feira (18) acompanhando a baixa nos mercados internacionais. Na volta do feriado nos Estados Unidos, a maioria das Bolsas pelo mundo opera no terreno negativo. Mais uma vez, a perspectiva de alta dos  juros americanos volta a repercutir entre os investidores, com a inflação global dando novos sinais de pressão.

Às 9h09 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro para fevereiro operava em queda de 0,61%, aos 106.360 pontos. Com a agenda de indicadores internos esteja esvaziada hoje, os investidores monitoram paralisações de servidores federais programadas para hoje. Eles reivindicam ajustes salariais para todas as categorias, não apenas para policiais, como sinalizou o governo.

Há temores de que a questão seja levada para o Supremo Tribunal Federal (STF), o que aumentaria as chances da exigência de um ajuste para os servidores de maneira geral, e pioraria a situação fiscal do país, segundo analistas.

“Como é notório, o judiciário brasileiro tem pouco apreço pelo orçamento, muitas vezes imputando pagamentos aos outros poderes, mais especificamente o executivo, independente do impacto fiscal, orçamentário ou mesmo, inflacionário
do mesmo, entendendo como ‘soberana’ e final sua posição”, escreveu em relatório Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Diante do cenário de aversão ao risco, o real volta a perder força. O dólar comercial abriu em alta de 0,2% a R$ 5,537 na compra e R$ 5,538 na venda. O dólar futuro para fevereiro subia 0,36%, aos 5,552.

Como já é de costume nos dias em que a escalada da inflação volta a preocupar os mercados, os juros futuros sobem novamente. Os contratos DI para janeiro de 2023 subiam dois pontos-base a 12,04%; o DI para janeiro de 2025 avançava seis pontos-base, a 11,40%; no vencimento janeiro de 2027 a alta era de seis pontos-base a 11,36%; e os juros para janeiro de 2029 subiam oito pontos-base, a 11,47%.

Nos Estados Unidos, as Bolsas reabrem hoje após o feriado de Martin Luther King, na véspera. Mas os índices futuros em Wall Street indicam mais uma sessão negativa para o mercado de ações americanos, que segue de olho em qualquer nova sinalização do Federal Reserve (Banco Central americano) sobre o ciclo de aperto monetário que deve vigorar em 2022.

O Dow Jones futuro recuava 0,69%; os futuros do S&P 500 caíam 1,07% e os futuros da Nasdaq recuavam 1,73%. O mercado também segue atento a temporada de balanços corporativos das empresas americanas – hoje o destaque é o resultado do banco Goldman Sachs,.

O movimento de aversão ao risco também atinge as Bolsas europeias, com destaque de baixa para as ações de tecnologia,  que costumam ser prejudicadas quando juros sobem – os custos de capital dessas companhias ficam mais caros. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países europeus, operava em baixa de 1,09%.

A escalada dos preços do petróleo ajudam a reforçar a percepção de inflação mais alta no mundo. O Petróleo tipo Brent bateU maior cotação em sete anos, com tensões no oriente médio.

Os Emirados Árabes Unidos ameaçaram adotar represálias depois que um ataque realizado com um drone ontem (17), reivindicado pelos rebeldes huthis do Iêmen, atingiu instalações de fornecimento de petróleo de Abu Dhabi, matando três pessoas.

O Brent é referência de preço para a Petrobras (PETR3;PETR4) e operava em alta de 1,26%, a US$ 87,57 o barril. Já o petróleo tipo WTI subia 1,37%, a US$ 84,97/ barril.

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